
Congresso dos EUA intima Leon Black após silêncio sobre acordos com vítimas de Epstein
O bilionário abandonou a audiência voluntária quando pressionado sobre os NDAs; comité marca depoimento para 16 de julho e exige documentos.
O bilionário Leon Black, cofundador da Apollo Global Management, abandonou na sexta-feira uma entrevista voluntária perante o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA depois de se recusar a responder a perguntas sobre acordos de confidencialidade (NDAs) alegadamente assinados com mulheres ligadas a Jeffrey Epstein. O presidente do comité, o republicano James Comer, emitiu duas intimações durante a própria sessão: uma para que Black entregue cópias dos NDAs e outra para que preste depoimento sob juramento no dia 16 de julho. “As respostas sobre os termos e a substância destes NDAs são essenciais para a nossa investigação”, afirmou Comer, sublinhando que o comité quer saber se Epstein esteve envolvido na redação ou no financiamento desses acordos.
Black, que pagou entre 158 e 170 milhões de dólares a Epstein por serviços de planeamento fiscal e patrimonial, defendeu na sua declaração inicial que os pagamentos foram legítimos e que desconhecia as atividades criminosas do financista até à sua acusação em 2019. “Conheci Jekyll, não conheci Hyde”, disse, negando qualquer abuso ou tráfico sexual. A sua advogada, Susan Estrich, classificou as intimações como “uma encenação política planeada” e garantiu que Epstein “não teve qualquer envolvimento com quaisquer NDAs, existam eles ou não”. O investidor deixou a liderança da Apollo em 2021 devido à relação com Epstein, mas nunca foi acusado criminalmente.
A investigação do comité, que já ouviu mais de uma dezena de testemunhas, procura mapear a rede de influência e os mecanismos de silenciamento em torno de Epstein. Na perspetiva de membros do comité, os NDAs são peças centrais para perceber se o financista participou em acordos extrajudiciais com vítimas. Em paralelo, a transcrição do depoimento da antiga assistente de Epstein, Lesley Groff, revelou que esta organizou centenas de viagens para mulheres ou raparigas, incluindo “voos-fantasma” para obter vistos, utilizando o cartão American Express de Epstein. Groff negou ter tido conhecimento de que as viagens tivessem fins sexuais ou envolvessem menores. A divulgação de correios eletrónicos mostrou ainda que Sarah Ferguson, duquesa de York, visitou Epstein duas vezes no escritório da Florida Science Foundation enquanto este cumpria pena por aliciamento de uma menor, tendo-lhe chamado “lenda” e “amigo especial”.
A intimação a Black representa uma escalada nos esforços do comité para obter documentos que, segundo os investigadores, têm sido sistematicamente ocultados. O depoimento de 16 de julho será obrigatório, ao contrário da entrevista voluntária, e espera-se que a transcrição da sessão de sexta-feira seja divulgada nos próximos dias. O caso continua a expor as ligações entre figuras poderosas e Epstein, com ramificações que vão do setor financeiro norte-americano à aristocracia britânica, e mantém pressão sobre o Departamento de Justiça quanto à condução das investigações originais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O bilionário Leon Black foi intimado no meio de seu depoimento após se recusar a divulgar detalhes de acordos de confidencialidade com vítimas de Epstein. O comitê da Câmara denunciou a falta de cooperação como obstrução, enquanto a equipe de Black classificou a ação como manobra política. O episódio ressalta a tentativa de romper o véu de segredo em torno dos associados de Epstein.
O bilionário Leon Black disse aos legisladores que Jeffrey Epstein o enganou durante seu longo relacionamento, pelo qual pagou 158 milhões de dólares. Ele afirmou não ter cometido crime algum e desconhecer os abusos de Epstein. O depoimento integra uma investigação parlamentar mais ampla sobre a rede de Epstein.
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