
Índia aprova plano de US$ 13 mil milhões para semicondutores e fabrico de telemóveis
O governo de Nova Deli aprovou dois programas de incentivos que totalizam cerca de 1,9 biliões de rupias, com o objetivo de reduzir a dependência de importações e posicionar o país como centro global de produção eletrónica.
O Conselho de Ministros da Índia aprovou na quarta-feira a segunda edição da Missão de Semicondutores (Semicon 2.0), com uma dotação de 1,27 biliões de rupias (aproximadamente 13,3 mil milhões de dólares), e um novo esquema para a produção de telemóveis, no valor de 625 mil milhões de rupias. O anúncio ocorre num momento de escassez global de chips de memória e de tensões geopolíticas que expuseram a fragilidade das cadeias de abastecimento, e insere-se na estratégia de Nova Deli para se afirmar como uma potência no fabrico de eletrónica.
O Semicon 2.0 amplia o programa lançado em 2021 e abrange toda a cadeia de valor, desde o design de chips até ao fornecimento de matérias-primas, como minerais e gases. O governo espera que o novo pacote atraia investimentos de cerca de 4 biliões de rupias e gere uma produção de semicondutores avaliada em 2 biliões de rupias durante o período de vigência. Paralelamente, o esquema para telemóveis oferece incentivos entre 2,25% e 5% sobre as vendas elegíveis, acrescidos de até 1,5% por aquisição local de componentes e de 3% adicionais para marcas indianas que invistam em design e investigação.
Sob o primeiro programa de semicondutores, foram aprovados doze projetos de fabrico e embalagem, com investimentos acumulados de 1,64 biliões de rupias, destacando-se a unidade de montagem e teste da norte-americana Micron Technology e os investimentos do grupo Tata. O mercado indiano de chips passou de 38 mil milhões de dólares em 2023 para uma estimativa de 45 a 50 mil milhões em 2024-25, com a meta oficial de atingir entre 100 e 110 mil milhões até 2030. Na produção de telemóveis, o país é já o segundo maior fabricante mundial em volume, com 99,2% dos aparelhos consumidos internamente a serem produzidos localmente, e as exportações do setor ultrapassaram os 2,6 biliões de rupias no último ano fiscal.
O novo esquema para telemóveis vigorará entre os anos fiscais de 2026-27 e 2030-31, prevendo-se uma produção acumulada de 39 biliões de rupias e a criação de cerca de 60 mil empregos diretos. Para os semicondutores, o governo afirma que o programa permitirá alcançar a autossuficiência na produção de chips indígenas até ao final da sua execução, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre a distribuição temporal dos fundos.
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O plano de semicondutores da Índia é uma resposta às vulnerabilidades globais da cadeia de suprimentos, parte de uma corrida entre nações para garantir a produção de chips.
Enquadra a decisão no contexto da competição geopolítica, normalizando a medida indiana como um passo necessário em uma tendência global.
O governo indiano, sob a liderança do Primeiro-Ministro Modi, aprova um investimento recorde para se tornar um centro global de semicondutores, demonstrando liderança e visão estratégica.
Enfatiza os números impressionantes e as expectativas de investimento, criando uma sensação de impulso inevitável e sucesso nacional.
Omite o fato de que muitos outros países estão investindo quantias semelhantes ou maiores em semicondutores, e não menciona o sucesso limitado do programa anterior.
O gabinete da Índia aprovou uma expansão de 13,3 bilhões de dólares para semicondutores, focada em PI, fábricas e P&D para reduzir a dependência de importações e atrair capital estrangeiro.
Reduz a história a uma transação financeira e objetivos técnicos, removendo o enquadramento geopolítico ou nacionalista.
O programa indiano de 13 bilhões de dólares para semicondutores é um movimento estratégico para se tornar uma potência global de eletrônicos, respondendo às vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e à competição geopolítica.
Apresenta a ambição indiana como uma resposta natural e necessária às tendências globais, usando a linguagem do poder e da competição para legitimar o investimento.
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