
Executivos da Nvidia e SoftBank rejeitam temor de bolha na IA e preveem década de investimentos
Jensen Huang e Masayoshi Son afirmam que a procura por infraestrutura de inteligência artificial é real e duradoura, enquanto a escassez de chips força disputas internas na própria Nvidia.
Os líderes de duas das empresas mais expostas à corrida pela inteligência artificial vieram a público na última semana rejeitar a hipótese de uma bolha especulativa no setor. Em Tóquio, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que “ainda estamos muito longe de uma bolha de IA”, sublinhando que a procura atual é “extraordinariamente forte”. Quase em simultâneo, o CEO do SoftBank, Masayoshi Son, classificou como “absurda” a ideia de uma bolha, acrescentando que quem a levanta “não sabe o que é a IA”. As declarações tiveram efeito imediato nos mercados: as ações do SoftBank subiram dois dígitos na bolsa de Tóquio após a divulgação de resultados trimestrais impulsionados por investimentos em IA.
A convicção expressa pelos dois executivos contrasta com os sinais de estrangulamento que a própria Nvidia enfrenta. Num episódio do podcast “Decoder”, o responsável pela divisão automóvel da empresa, Xinzhou Wu, revelou que as equipas internas competem semanalmente por acesso aos escassos GPUs, recorrendo por vezes à arbitragem direta de Huang. A disputa não se limita à capacidade de computação: a atribuição de espaço nas fábricas de semicondutores também se tornou um campo de batalha interno. A escassez reflete a voracidade de clientes como OpenAI, Microsoft, Meta e Amazon, mas também a aposta da Nvidia em mercados ainda incipientes, como a condução autónoma — aquilo que Huang designa como “o negócio de zero biliões de dólares”.
A partir de Tóquio, Huang centrou a sua mensagem no potencial do Japão para liderar a chamada “IA física” — robôs e dispositivos autónomos —, ancorando-se na tradição industrial nipónica e na necessidade de responder a uma crise laboral crónica. O governo japonês, que tem incentivado o desenvolvimento doméstico de IA por razões de segurança nacional e proteção de dados, surge como interlocutor natural. Huang anunciou que a Nvidia fará em breve “anúncios importantes” sobre IA soberana, conceito que defende como essencial para que cada nação cultive a sua própria inteligência tecnológica.
Já Masayoshi Son, cujo SoftBank vendeu no ano passado a totalidade da sua participação na Nvidia por 5,8 mil milhões de dólares para financiar a entrada na OpenAI, projetou que os investimentos globais em IA atingirão 5 biliões de dólares anuais e representarão 20% do PIB mundial em 2040. Son estima que os centros de dados exigirão 3 terawatts de capacidade de produção elétrica, o equivalente a 1,8 vezes o consumo global atual, e que existirão 100 biliões de agentes de IA autónomos. Para observadores em Lisboa, a magnitude destes números, ainda que especulativa, sinaliza que a infraestrutura energética e de semicondutores se tornará uma prioridade geopolítica de primeira ordem, com implicações para a autonomia estratégica de blocos como a União Europeia.
O próximo marco factual será a divulgação, ainda esta semana, dos anúncios da Nvidia sobre IA soberana, que poderão detalhar parcerias com governos e empresas fora do eixo sino-americano. Ao mesmo tempo, o SoftBank enfrenta o escrutínio dos analistas sobre a sustentabilidade das avaliações das empresas de IA, enquanto finaliza um investimento de 30 mil milhões de dólares na OpenAI e negoceia com a TSMC a criação de um polo industrial de IA de 1 bilião de dólares no Arizona.
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As lutas internas da Nvidia mostram que o boom da IA não está isento de gargalos.
Ao colocar em primeiro plano um conflito interno concreto, a narrativa ancora a história da IA em um problema tangível, tornando os medos de bolha menos abstratos.
O artigo omite as declarações de Huang e Son que descartam uma bolha de IA, concentrando-se em vez disso nas restrições internas de oferta.
A demanda do mercado por IA é extremamente forte e continuará a crescer, tornando os medos de bolha infundados.
Ao citar repetidamente a autoridade de Huang e usar frases como 'muito longe de uma bolha', a narrativa universaliza a demanda como uma força imparável, sem deixar espaço para dúvidas.
Os artigos omitem qualquer menção à escassez interna de chips da Nvidia ou à concorrência por GPUs, apresentando uma visão otimista unilateral.
Os medos de uma bolha de IA são tolos; o potencial transformador da tecnologia é inegável, e aqueles que duvidam simplesmente não entendem a IA.
O artigo aproveita o status de Son como um grande investidor de tecnologia para descartar preocupações, e a menção da venda da participação na Nvidia é enquadrada como um movimento estratégico, em vez de um sinal de dúvida.
O artigo omite o contexto da escassez de chips e a concorrência interna na Nvidia, concentrando-se apenas na rejeição de Son aos medos de bolha, apesar da venda da participação.
Aqueles que temem uma bolha de IA são ignorantes; o potencial da tecnologia é tão vasto que remodelará toda a economia global.
Ao usar linguagem forte como 'absurdo' e 'tolo', a narrativa cria um binário entre conhecedores informados e críticos ignorantes, tornando a dissidência irracional.
O artigo omite a crise dos chips e a concorrência interna, bem como quaisquer contra-argumentos, apresentando uma narrativa puramente triunfalista.
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