
Inadimplência recorde no Brasil e endividamento digital na Indonésia acendem alerta em mercados emergentes
Crédito em atraso atinge R$ 247,6 mil milhões no Brasil enquanto Argentina e Indonésia registam máximos de morosidade, num quadro de juros elevados e pressão inflacionária.
O estoque de crédito em atraso no Brasil alcançou R$ 247,6 mil milhões no primeiro quadrimestre de 2026, o maior volume desde o início da série histórica do Banco Central, em 2004. O salto de 50,7% face ao mesmo período de 2025 equivale, em apenas doze meses, a praticamente todo o crédito em incumprimento que o país acumulava em 2018. Na perspetiva de São Paulo, a FecomercioSP associa a deterioração à taxa Selic elevada, à inflação persistente e ao crescimento das apostas desportivas online, que passaram a disputar espaço no orçamento das famílias. A disseminação do problema é visível: todas as unidades da federação bateram recordes, com destaque para o Centro-Oeste (69,3% de aumento) e para estados de base agropecuária como Tocantins (105%) e Rio Grande do Sul (95,7%), onde a quebra de rendimento no campo amplificou a vulnerabilidade.
O fenómeno não se restringe ao Brasil. Na Argentina, dados do Centro de Economía Política Argentina (CEPA) mostram que 5,8 milhões de pessoas — 27,9% dos devedores — apresentavam algum grau de irregularidade em maio de 2026. A mora atinge 29,6% entre os provedores não financeiros de crédito, o nível mais elevado desde que há registo para esse segmento, superando inclusive os picos da pandemia. Em Buenos Aires, economistas sublinham que a combinação de salários sem recuperação real e taxas de juro ainda muito elevadas torna improvável uma reversão de curto prazo. Na Indonésia, o crédito online (pinjol) também avança: o saldo devedor atingiu 103,7 biliões de rupias em maio, mais 25,6% em termos homólogos, enquanto a taxa agregada de crédito vencido há mais de 90 dias se situou em 4,42%, abaixo dos 4,62% de abril, segundo a Autoridade de Serviços Financeiros (OJK).
Em contraste, o setor segurador marroquino exibe resiliência. Testes de esforço conduzidos pelo Comité de Coordenação e Supervisão do Risco Sistémico (CCSRS) concluíram que as companhias de seguros mantêm capacidade de absorção face a cenários macroeconómicos adversos. O volume de prémios ascendeu a 63,2 mil milhões de dirhams em 2025 (+7,5%), com a rendibilidade dos capitais próprios a atingir 11,1%, o valor mais alto em dez anos, e o rácio de solvência regulamentar a disparar para 409,4%, impulsionado por mais-valias latentes recorde. A solidez contrasta com a fragilidade dos regimes de pensões públicos, cujos desequilíbrios estruturais persistem, mantendo a pressão por uma reforma sistémica.
Do lado regulatório, a OJK acelera a consolidação do setor bancário de proximidade: 81 bancos de economia popular (BPR) foram já fundidos em 24 entidades, e mais de 200 processos de licenciamento estão em curso. Simultaneamente, o regulador indonésio aplicou sanções a dezenas de empresas de financiamento e plataformas digitais por incumprimento de normas prudenciais, enquanto avalia novos pedidos de licença para operadores de criptoativos, cujo volume de transações subiu ligeiramente para 23 biliões de rupias em maio. O próximo marco factual a acompanhar será a divulgação dos dados do segundo trimestre pelo Banco Central do Brasil, que permitirá aferir se a trajetória de endividamento mantém o ritmo de deterioração observado nos primeiros meses do ano.
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.80 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.70 | aligned |
OJK records rising household debt, but also growth in other financial sectors, maintaining a regulatory approach.
The use of official data and technical language creates an impression of objectivity, avoiding attribution of responsibility or alarm.
Lacks comparison with debt crises in other emerging countries, which could highlight broader systemic risks.
Household debt is out of control: millions are excluded from credit, delinquency at historic highs.
The use of dramatic figures and terms like 'record' and 'alert' creates a sense of urgency and imminent crisis.
Positive data from other financial sectors or resilience measures are not mentioned, which could soften the negative picture.
The Moroccan insurance sector passes stress tests with solidity, demonstrating growth and stability.
Focusing on positive stress test results and revenue growth conveys confidence and minimizes risks.
No mention of household debt or banking fragilities in other emerging countries, which could undermine the perception of regional stability.
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