
Hezbollah rejeita acordo-quadro com Israel e acusa governo libanês de 'render soberania'
Acordo assinado em Washington vincula retirada israelita ao desarmamento do grupo xiita, que classifica a condição como 'linha vermelha' e defende a aplicação do memorando Irão-EUA.
A assinatura de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel, na noite de sexta-feira em Washington, desencadeou uma forte reação do Hezbollah e de forças aliadas, que o classificam como 'nulo' e uma 'rendição da soberania'. O texto, mediado pelos Estados Unidos, estabelece um mecanismo faseado: o exército libanês assumirá o controlo de 'zonas-piloto' no sul do país, após a verificação do desarmamento de grupos armados não estatais, permitindo a retirada gradual das tropas israelitas. O acordo prevê ainda a formação de um grupo de coordenação militar tripartido e o compromisso de Washington em mobilizar apoio internacional para a reconstrução do Líbano.
Na perspetiva do Hezbollah, expressa pelo secretário-geral Naim Qassem, o acordo 'legitima a ocupação por longos anos' e condiciona a retirada israelita ao desarmamento da resistência, o que 'ultrapassa todas as linhas vermelhas'. Qassem acusou o governo libanês de ter desperdiçado 'trunfos' que, segundo a sua leitura, o Irão havia colocado à disposição de Beirute através do memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington. Para o partido, a única base aceitável é esse memorando Irão-EUA, cujo primeiro artigo prevê a cessação imediata e permanente das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a garantia da integridade territorial libanesa. Agrupamentos como o Partido Social Nacionalista Sírio e a Frente de Ação Islâmica alinharam-se com a rejeição, descrevendo o acordo como 'traição' e 'cópia do malfadado acordo de 17 de Maio'.
A posição do Estado libanês, conforme refletida em fontes políticas citadas pela imprensa de Beirute, assenta na separação entre a via libanesa e a via iraniana. O governo terá recusado a proposta de que o Líbano fosse um anexo do entendimento Teerão-Washington, insistindo em negociações diretas com Israel sob os auspícios americanos. Em paralelo, o exército libanês emitiu um comunicado em que, embora respeite a liberdade de expressão, avisa que não permitirá 'perturbações da segurança' ou 'atentados à paz civil', como bloqueios de estradas ou danos à propriedade, após protestos de apoiantes do Hezbollah em Beirute. A procuradoria-geral libanesa ordenou às forças de segurança que impeçam atos de desordem. Sinalizando uma mudança de ambiente, cartazes com imagens dos líderes iranianos foram retirados da estrada do aeroporto de Beirute e substituídos por bandeiras nacionais e o lema 'Primeiro o Líbano'.
Analistas em Washington e capitais europeias observam que o acordo-quadro procura consolidar a autoridade do exército libanês e abrir caminho à reconstrução, ao mesmo tempo que mantém Israel numa 'zona de segurança' até à completa desmilitarização do Hezbollah. Do lado israelita, fontes oficiais citadas pela imprensa local reiteram que as forças permanecerão no sul do Líbano enquanto o grupo xiita não for desarmado. O Hezbollah, por seu turno, afirma que recorrerá a 'todos os meios necessários' e a pressões internacionais e árabes para forçar Israel a cumprir o cessar-fogo e a retirar-se. O dossier prossegue com a expectativa de novas rondas negociais, enquanto o exército libanês se prepara para assumir responsabilidades nas zonas-piloto e o governo enfrenta o desafio de gerir a clivagem interna sem ceder à pressão de rua.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Hezbollah's leader declared the framework agreement null and void, accusing the Lebanese government of betraying national sovereignty and legitimizing Israeli occupation. He insisted that the Iran-US memorandum must be implemented instead, and called for continued resistance until full liberation. The tone is one of outrage and defiance, framing the agreement as a historic betrayal.
While Hezbollah vehemently rejects the framework agreement, analysts in the region see it as a step that separates Lebanon from Iranian influence. The agreement is portrayed as potentially restoring Lebanese sovereignty and breaking the link between Lebanese and Iranian negotiations. There is a tone of cautious optimism and skepticism towards Hezbollah's claims.
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