
Gripe aviária avança na Austrália e Nepal, enquanto Argentina deteta hantavírus inédito na Terra do Fogo
A confirmação de novos focos de H5N1 em aves migratórias e o primeiro registo de hantavírus em Ushuaia coincidem com uma queda inexplicada de 60% na avistagem de baleias no sudoeste australiano.
A deteção de um quinto caso de gripe aviária H5 em aves migratórias na costa sul da Austrália, somada ao abate de 600 mil aves no Nepal devido a um surto que já atingiu mais de 60 explorações em Katmandu, altera o perfil de risco zoossanitário no Indo-Pacífico. Na perspetiva de Camberra, a diretora veterinária nacional sublinhou que não há evidência de propagação a populações residentes, mas o operador da KFC na Austrália já reporta pressão nos preços da carne de frango na Europa e acionou planos de contingência para proteger a cadeia de abastecimento local. O laboratório de referência argentino Malbrán, por sua vez, confirmou a circulação de uma variante de hantavírus “aparentada” com o vírus Andes em roedores capturados em Ushuaia, a primeira deteção na província mais austral do continente, sem relação genética com o surto que causou três mortes num cruzeiro em abril.
O achado argentino, obtido a partir de cinco de 144 ratos silvestres com anticorpos, não altera a avaliação de risco imediato para a população, mas obriga as autoridades da Terra do Fogo a intensificar a vigilância ambiental e epidemiológica, à semelhança do que já ocorre nas províncias patagónicas onde o Oligoryzomys longicaudatus é reservatório conhecido. Paralelamente, um censo nacional de cetáceos na Austrália Ocidental registou uma redução de 60% no número de baleias-jubarte avistadas em comparação com anos anteriores, com apenas 22 indivíduos contados no cabo Naturaliste. Cientistas do grupo Geographe Marine Research admitem que a escassez de krill antártico e uma eventual transmissão do H5N1 possam estar entre as causas, embora o departamento estadual de conservação afirme desconhecer qualquer diminuição significativa e atribua a variabilidade a ciclos reprodutivos ou alimentares.
A sul de Sydney, a visita rara de uma baleia-franca-austral com a sua cria à baía de Botany, a primeira em décadas, mobilizou guardas-parque e autoridades marítimas para evitar colisões com navios de carga, ilustrando a pressão que as rotas migratórias sofrem em zonas portuárias densamente utilizadas. Em Queensland, um ataque de crocodilo-de-água-salgada a um cão no rio Flinders, a 660 quilómetros da costa, levou o conselho municipal de Richmond a emitir um alerta inédito, já que a espécie nunca tinha sido avistada na região; as autoridades ambientais investigam se as cheias prolongadas da estação húmida explicam a deslocação atípica. O próximo marco factual será a conclusão do sequenciamento completo do genoma viral do hantavírus fueguino pelo Malbrán, que permitirá determinar a identidade exata da variante e o seu potencial de transmissão inter-humana, enquanto os serviços veterinários australianos aguardam novos resultados de testagem em massa para aferir se o H5N1 já circula em mamíferos marinhos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na Austrália, a gripe aviária H5N1 continua a se espalhar entre as aves selvagens, com um quinto caso confirmado, mas as autoridades estão aliviadas porque um caso suspeito em Victoria deu negativo. A indústria avícola garante estar bem preparada, enquanto os operadores turísticos costeiros reclamam da falta de orientação do governo. Enquanto isso, uma misteriosa queda de 60% nos avistamentos de baleias migratórias levanta temores de que o vírus esteja afetando mamíferos marinhos, e um raro ataque de crocodilo no interior aumenta o clima de alerta com a vida selvagem.
Em Ushuaia, na Argentina, as autoridades de saúde confirmaram a presença de hantavírus em roedores locais, mas a análise genética mostra que a cepa é diferente daquela que infectou os passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius. A descoberta descarta uma ligação direta entre os dois eventos e fornece novos dados sobre a circulação do vírus na região mais ao sul do país.
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