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Grammy e Oscar redefinem fronteiras com novas categorias e lideranças globais

Academia da Gravação cria prêmios para pop asiático e canção latina, enquanto Guillermo del Toro integra junta diretora de Hollywood, refletindo a ascensão de mercados não anglófonos.

A maior renovação recente nos Grammy Awards, anunciada pela Recording Academy para a edição de 2027, sinaliza uma viragem histórica na indústria musical global. Entre as cinco novas categorias, destacam-se Melhor Interpretação de Música Pop Asiática — abrangendo K-pop, J-pop e C-pop — e Melhor Canção Latina, ao lado de reformulações nos campos do R&B e da música folk. A decisão, segundo analistas em São Paulo, é uma resposta direta à hegemonia cultural de fenómenos como o porto-riquenho Bad Bunny, primeiro artista a vencer Álbum do Ano com um disco em espanhol, e ao sucesso planetário da canção “Golden”, tema do filme KPop Demon Hunters que se tornou o primeiro vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em língua coreana.

O longa-metragem de animação da Netflix, realizado por Maggie Kang e Chris Appelhans, não só bateu recordes de audiência na plataforma — 325,1 milhões de visualizações em 91 dias — como conquistou as categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original nos Óscares de 2026. Observadores em Lisboa notam que o impacto do filme transcendeu o ecrã: a LEGO lançou um conjunto baseado nas criaturas sobrenaturais da história, e a sua banda sonora impulsionou a criação da nova categoria nos Grammy, legitimando um género que há muito mobiliza audiências lusófonas, do Brasil a Portugal, onde o K-pop mantém bases de fãs sólidas.

Paralelamente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood também renova os seus quadros estratégicos. O cineasta mexicano Guillermo del Toro, vencedor de três Óscares, foi eleito para a Junta de Governadores no segmento de realizadores para o biénio 2026-2027, assumindo pela primeira vez um assento na cúpula que define a visão e a estabilidade financeira da instituição. A sua entrada coincide com a chegada de David Leitch, mentor da saga John Wick e principal defensor da nova categoria de acrobacias (stunts), que estreará nos Óscares em 2027. Na perspetiva de Brasília, a presença de Del Toro reforça a representatividade latino-americana num órgão tradicionalmente dominado por profissionais anglófonos, ecoando o movimento mais amplo de abertura a talentos e mercados historicamente periféricos.

Comentadores em Luanda e Maputo veem nestas transformações um prenúncio de maior pluralidade, mas advertem que o reconhecimento institucional ainda ignora largamente as indústrias musicais e cinematográficas da África lusófona. A nova categoria de Canção Latina, por exemplo, permanece centrada no universo hispanófono, deixando em aberto a questão de como géneros como o kizomba, a semba ou o afrobeat angolano poderão um dia encontrar espaço equivalente. Enquanto os gigantes do entretenimento recalibram as suas estruturas para abraçar o pop asiático e a música em espanhol, o mundo lusófono observa com expectativa, consciente de que a globalização das premiações ainda escreve os seus capítulos mais inclusivos.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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trionfopragmatismo

A eleição de Guillermo del Toro para o Conselho de Governadores da Academia e a nova categoria de pop asiático no Grammy sinalizam um reconhecimento há muito esperado do talento global. A indústria está finalmente abrindo as portas para artistas latino-americanos e asiáticos, cujo peso cultural e comercial não pode mais ser ignorado.

Stampa atlantica / anglosfera
pragmatismoironia

O fenômeno K-pop atingiu tamanhos alturas comerciais que um filme de animação da Netflix sobre ídolos caçadores de demônios se tornou o mais transmitido da história, inspirando agora um conjunto LEGO. É o mercado, não os comitês de premiação, o verdadeiro validador da ascensão histórica do pop asiático.

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Grammy e Oscar redefinem fronteiras com novas categorias e lideranças globais

Academia da Gravação cria prêmios para pop asiático e canção latina, enquanto Guillermo del Toro integra junta diretora de Hollywood, refletindo a ascensão de mercados não anglófonos.

A maior renovação recente nos Grammy Awards, anunciada pela Recording Academy para a edição de 2027, sinaliza uma viragem histórica na indústria musical global. Entre as cinco novas categorias, destacam-se Melhor Interpretação de Música Pop Asiática — abrangendo K-pop, J-pop e C-pop — e Melhor Canção Latina, ao lado de reformulações nos campos do R&B e da música folk. A decisão, segundo analistas em São Paulo, é uma resposta direta à hegemonia cultural de fenómenos como o porto-riquenho Bad Bunny, primeiro artista a vencer Álbum do Ano com um disco em espanhol, e ao sucesso planetário da canção “Golden”, tema do filme KPop Demon Hunters que se tornou o primeiro vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em língua coreana.

O longa-metragem de animação da Netflix, realizado por Maggie Kang e Chris Appelhans, não só bateu recordes de audiência na plataforma — 325,1 milhões de visualizações em 91 dias — como conquistou as categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original nos Óscares de 2026. Observadores em Lisboa notam que o impacto do filme transcendeu o ecrã: a LEGO lançou um conjunto baseado nas criaturas sobrenaturais da história, e a sua banda sonora impulsionou a criação da nova categoria nos Grammy, legitimando um género que há muito mobiliza audiências lusófonas, do Brasil a Portugal, onde o K-pop mantém bases de fãs sólidas.

Paralelamente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood também renova os seus quadros estratégicos. O cineasta mexicano Guillermo del Toro, vencedor de três Óscares, foi eleito para a Junta de Governadores no segmento de realizadores para o biénio 2026-2027, assumindo pela primeira vez um assento na cúpula que define a visão e a estabilidade financeira da instituição. A sua entrada coincide com a chegada de David Leitch, mentor da saga John Wick e principal defensor da nova categoria de acrobacias (stunts), que estreará nos Óscares em 2027. Na perspetiva de Brasília, a presença de Del Toro reforça a representatividade latino-americana num órgão tradicionalmente dominado por profissionais anglófonos, ecoando o movimento mais amplo de abertura a talentos e mercados historicamente periféricos.

Comentadores em Luanda e Maputo veem nestas transformações um prenúncio de maior pluralidade, mas advertem que o reconhecimento institucional ainda ignora largamente as indústrias musicais e cinematográficas da África lusófona. A nova categoria de Canção Latina, por exemplo, permanece centrada no universo hispanófono, deixando em aberto a questão de como géneros como o kizomba, a semba ou o afrobeat angolano poderão um dia encontrar espaço equivalente. Enquanto os gigantes do entretenimento recalibram as suas estruturas para abraçar o pop asiático e a música em espanhol, o mundo lusófono observa com expectativa, consciente de que a globalização das premiações ainda escreve os seus capítulos mais inclusivos.

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A eleição de Guillermo del Toro para o Conselho de Governadores da Academia e a nova categoria de pop asiático no Grammy sinalizam um reconhecimento há muito esperado do talento global. A indústria está finalmente abrindo as portas para artistas latino-americanos e asiáticos, cujo peso cultural e comercial não pode mais ser ignorado.

Stampa atlantica / anglosfera
pragmatismoironia

O fenômeno K-pop atingiu tamanhos alturas comerciais que um filme de animação da Netflix sobre ídolos caçadores de demônios se tornou o mais transmitido da história, inspirando agora um conjunto LEGO. É o mercado, não os comitês de premiação, o verdadeiro validador da ascensão histórica do pop asiático.

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