
Google lança verificação por selfie em vídeo para recuperação de contas
Nova funcionalidade permite autenticação biométrica facial com deteção de vivacidade, mas reacende o debate sobre privacidade e tratamento de dados sensíveis.
A Alphabet anunciou na quinta-feira a introdução de um método de verificação de identidade por vídeo selfie para contas Google, alterando o paradigma de recuperação de acesso. A funcionalidade, já disponível para utilizadores elegíveis, destina-se sobretudo a cenários de bloqueio — perda de palavra-passe, ausência do dispositivo habitual ou falha na autenticação de dois fatores — e não ao início de sessão diário. A medida insere-se numa estratégia mais ampla de abandono das palavras-passe tradicionais, que a empresa tem vindo a consolidar com chaves de acesso e deteção de chamadas fraudulentas baseadas em inteligência artificial.
O mecanismo exige que o utilizador grave um curto vídeo inicial realizando movimentos de cabeça guiados, como virar ou inclinar o rosto, para capturar múltiplos ângulos. Esse registo de referência é encriptado e armazenado. Numa tentativa posterior de recuperação, o sistema compara uma nova gravação ao vivo com o ficheiro original, exigindo os mesmos movimentos para comprovar a presença de uma pessoa real e bloquear fotografias, vídeos pré-gravados ou deepfakes. A Google afirma que o vídeo só será utilizado para autenticação, a menos que o utilizador consinta noutras finalidades, e que pode ser eliminado a qualquer momento.
A adoção de biometria facial para recuperação de contas reaviva o escrutínio sobre a recolha de dados sensíveis. Na perspetiva de Brasília, a funcionalidade terá de se enquadrar na Lei Geral de Proteção de Dados, que classifica dados biométricos como sensíveis e exige consentimento explícito e finalidade específica. Observadores em Lisboa sublinham que o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados europeu impõe obrigações semelhantes, com as autoridades de proteção de dados de vários Estados-membros a intensificarem a fiscalização sobre tecnologias de reconhecimento facial. Nos mercados africanos lusófonos, onde a penetração de smartphones com câmara é elevada mas a literacia digital sobre direitos de privacidade ainda se consolida, a novidade pode acelerar a adoção de autenticação biométrica, mas também expõe os utilizadores a riscos de utilização indevida dos seus traços faciais.
A Google não é a primeira a recorrer a este tipo de verificação: a Apple integra o Face ID desde 2017 e a Microsoft expandiu o Windows Hello para fluxos de recuperação. Contudo, a escala da base de utilizadores da Google — o Gemini conta já com 950 milhões de utilizadores ativos mensais — confere a este lançamento um peso sistémico. A empresa indica que a tecnologia não se destina à verificação de idade, mas bloqueará o envio de selfies se detetar indícios de menoridade. O próximo marco a observar será a reação dos reguladores e a eventual emissão de orientações específicas sobre a utilização de biometria facial em processos de recuperação de contas, à medida que a funcionalidade for sendo adotada em diferentes jurisdições.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
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O Google coloca a verificação biométrica diretamente nas mãos dos usuários, oferecendo um novo método de login.
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O Google fortalece a segurança das contas contra deepfakes com o login por vídeo selfie.
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