
Apagões massivos na Geórgia e Abkházia; Tunísia e Líbano sob pressão energética
Cortes de eletricidade afetam milhões de pessoas no Cáucaso e no Norte de África, com causas divergentes e soluções financeiras ainda por definir.
Apagões de grande escala deixaram a Geórgia e a Abkházia sem eletricidade na madrugada desta quinta-feira, enquanto a Tunísia prolonga cortes programados de água e luz há semanas e o Líbano alerta para o risco de colapso no abastecimento. Na Geórgia, a falha ocorreu por volta da meia-noite, afetando a capital Tbilisi, Batumi e outras cidades, paralisando comboios e redes de comunicações móveis. A Abkházia também registou uma interrupção total do fornecimento.
As causas do apagão no Cáucaso permanecem incertas. O Ministério da Energia da Abkházia atribuiu a falha a uma avaria na central hidroelétrica de Inguri, cuja barragem se situa em território georgiano mas cujo ponto de controlo está na Abkházia. A empresa estatal georgiana de eletricidade, por sua vez, afirmou desconhecer a origem do incidente. Fontes não oficiais citadas pela imprensa russa mencionaram uma avaria numa linha de alta tensão que liga a Geórgia à Turquia. O consumo nacional caiu de 1860 megawatts-hora para 563 megawatts-hora no momento da falha, e o restabelecimento gradual teve início em alguns bairros da capital.
Na Tunísia, a empresa pública STEG recorre a cortes rotativos desde meados de julho, na sequência de um aumento de 30% no consumo devido à onda de calor, que elevou a procura para 5000 megawatts nas horas de ponta. A produção, mais de 90% dependente de gás natural, não tem conseguido acompanhar a procura. O Presidente Kaïs Saïed considerou os cortes “tentativas de prejudicar o povo” por entidades não identificadas, sem apresentar provas, e exigiu o fim imediato das interrupções. A STEG, que acumula uma dívida superior a 7,3 mil milhões de dinares, anunciou que as restrições abrangerão mais de 60 delegações e 26 zonas da capital, gerando protestos em várias localidades e pedidos de proteção para doentes dependentes de oxigénio.
No Líbano, o ministro da Energia e Água, Joe Saddi, advertiu que a continuidade do fornecimento elétrico, atualmente entre sete e nove horas diárias, depende do pagamento imediato de 50 milhões de dólares por mês pelo Estado à empresa pública Électricité du Liban. A dívida acumulada do Estado ascende a 330-340 milhões de dólares, agravada pela subida dos preços do petróleo após o início da guerra em março. O Conselho de Ministros rejeitou um aumento das tarifas, e Saddi afirmou que “tomará as medidas que considerar adequadas” se o pagamento não for efetuado. O fornecimento na Geórgia começou a ser reposto de forma gradual, mas as investigações sobre a causa do apagão prosseguem, enquanto a Tunísia mantém os cortes programados e o Líbano aguarda uma decisão governamental.
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
Moscovo projeta a instabilidade energética da Geórgia como consequência da sua dependência de infraestruturas externas, enfatizando a separação da Abkházia.
A narrativa baseia-se numa causalidade técnica aparentemente neutra, mas a escolha de destacar a linha turca e a separação abkhaz projeta uma imagem de fragilidade georgiana.
O contexto da dívida e da crise financeira que afeta outros países é omitido, assim como o papel do calor extremo.
A Tunísia, através do seu presidente, acusa forças obscuras de sabotagem pelos cortes, transformando uma crise técnico-financeira numa conspiração contra o povo.
O presidente personifica o Estado e culpa inimigos internos, desviando a atenção da responsabilidade da STEG e da gestão da crise.
O contexto do apagão na Geórgia e na Abkházia é omitido, que mostra um problema semelhante noutras regiões, enfraquecendo a tese da conspiração direcionada.
A Europa observa o apagão na Geórgia como um incidente técnico, sem atribuições políticas ou culpas, tratando-o como um evento universal.
A narrativa limita-se aos factos nus, evitando qualquer interpretação política ou contexto mais amplo, normalizando o evento como uma falha técnica.
As acusações políticas do presidente tunisino e o contexto da dívida são omitidos, o que poderia ter politizado a notícia.
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