
Gelo nos testículos, cócegas e menopausa: o novo mapa dos rituais íntimos
De fóruns de biohacking a palcos de teatro, uma série de práticas e debates revela como diferentes culturas estão a renegociar o desejo, o prazer e os limites do corpo.
Na manhã de uma terça-feira, a atriz brasileira Claudia Raia, de 59 anos, publicou um vídeo bem-humorado no Instagram. Em frente à câmara, expôs um dos sintomas mais desgastantes da menopausa: a insónia. A publicação, que rapidamente se encheu de comentários de mulheres que se identificavam com a situação — “estou rindo, mas é de chorar”, escreveu uma seguidora —, transformou-se num confessionário digital sobre as noites em claro e o cansaço que se infiltra no dia seguinte. O gesto de Raia, que também protagoniza uma peça sobre o tema, ilustra uma viragem: a sexualidade e as suas transições estão a ser discutidas com menos pudor e mais humor, do Brasil ao México, passando por fóruns russos e comunidades online na Indonésia.
A conversa, porém, não se esgota nos sintomas. No México, a sexóloga Claudia Rampazzo reuniu um grupo de mulheres num restaurante para desfazer mitos sobre a vida sexual depois dos 40. Durante o encontro, promovido pela iniciativa Mujeres Que Inspiran Mujeres, Rampazzo sublinhou que a menopausa não é um ponto final, mas “o começo de uma transformação”. Explicou que a orientação sexual se descobre, não se escolhe, e que o vínculo afetivo se divide em cortejo, enamoramento e amor quotidiano. A especialista lembrou ainda que suplementos com cálcio, soja e magnésio podem aliviar os bochornos e a secura vaginal, mas o cerne da sua mensagem era outro: a idade não limita o desejo, apenas o reconfigura. Na perspetiva de observadores na Cidade do México, o que está a mudar é a disponibilidade para falar de prazer sem culpa, numa região onde a sexualidade feminina madura sempre foi envolta em silêncio.
Enquanto as mulheres reivindicam o direito ao sono e ao orgasmo, os homens exploram territórios mais insólitos. Em plataformas como o Reddit, onde o tema já atrai mais de 550 mil visitas semanais, ganhou força uma tendência de biohacking: aplicar gelo nos testículos para, supostamente, aumentar a testosterona e melhorar a qualidade do sémen. A prática, difundida por figuras como o empresário Bryan Johnson, que afirma ter quatro vezes a contagem média de espermatozoides, é recebida com ceticismo pela comunidade médica. A clínica geral Azadeh Ovaici, em declarações ao Metro, reconheceu que os testículos são sensíveis à temperatura e que o calor excessivo os prejudica, mas foi taxativa: “Não há provas de que congelar os testículos melhore a saúde do esperma ou aumente a testosterona”. Ovaici alertou ainda para o risco de queimaduras se o gelo for aplicado diretamente na pele. Apesar dos avisos, relatos de utilizadores que usam bolsas de gelo três a quatro vezes por dia multiplicam-se, descrevendo ereções matinais mais vigorosas e uma libido renovada — um entusiasmo que, para muitos especialistas, pode ser explicado mais pelo efeito placebo do que pela vasoconstrição provocada pelo frio.
A busca por uma vida sexual mais satisfatória também passa por gestos mais simples e menos arriscados. Na Rússia, o ginecologista Dmitry Lubnin sugeriu um pequeno truque para tornar o sexo com preservativo mais prazeroso: colocar uma gota de lubrificante à base de água ou silicone na glande antes de desenrolar o látex. “As sensações ficam muito mais agradáveis para o homem”, escreveu no seu canal de Telegram, acrescentando que o excesso pode fazer o preservativo escorregar. Já o sexólogo Dmitry Gukhman propôs um jogo de cócegas a dois: os parceiros devem fazer cócegas um no outro, começando pelos pés e subindo pelo corpo, sem sorrir. Quem deixar escapar um sorriso perde uma peça de roupa e recebe um beijo. Gukhman garante que a excitação gerada pelas cócegas é quase idêntica à excitação sexual e que o ato sexual começa muito antes de alguém ficar completamente nu.
No meio de conselhos, tendências e confissões, uma pergunta singela ressurge: quanto tempo deve durar uma relação sexual para ser satisfatória? Um estudo com casais heterossexuais de cinco países, citado em plataformas indonésias, indica que a penetração vaginal dura, em média, 5,4 minutos antes da ejaculação masculina. Terapeutas sexuais consideram normal um intervalo entre 3 e 13 minutos, enquanto as mulheres precisam, em média, de 13 minutos para atingir o orgasmo, frequentemente com estímulos que vão além da penetração. As preliminares, por sua vez, ocupam cerca de 11 a 13 minutos. A conclusão que emerge destes números, e que ecoa em consultórios de Jacarta a Lisboa, é que a duração não é sinónimo de qualidade. O que realmente importa, insistem os especialistas, é a comunicação, a cumplicidade e a atenção ao corpo do outro — um corpo que, aos 40, 50 ou 60 anos, continua a descobrir formas inesperadas de sentir.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | +0.10 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
Médicos russos aconselham métodos práticos para melhorar a intimidade, mas alertam contra tendências não verificadas.
Apresenta conselhos como vindos de autoridades médicas, equilibrando utilidade com ceticismo.
Deixa de fora a perspectiva feminina e os tópicos de menopausa presentes em outros blocos.
As mulheres latino-americanas reivindicam sua sexualidade após os 40, com a ajuda de especialistas e depoimentos de celebridades.
Usa histórias pessoais e figuras públicas para normalizar e desestigmatizar as mudanças da menopausa.
Não menciona tendências masculinas como gelo nos testículos, focando apenas na sexualidade feminina.
A pesquisa científica desmente o mito da longa duração, enfatizando a comunicação e o conforto.
Cita estudos internacionais para dar credibilidade a um conselho que de outra forma seria simples.
Não aborda nem as tendências masculinas nem a menopausa, limitando-se a um único aspecto quantitativo.
Amplie o olhar
China supera EUA em popularidade global pela primeira vez em duas décadas, aponta Pew
7 idiomas · 10 veículos
De Economy & MarketsEUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho
6 idiomas · 24 veículos
De TechnologySoyuz lança astronauta da NASA Anil Menon e dois cosmonautas para missão de oito meses na ISS
3 idiomas · 9 veículos