
Gabbard acusa Fauci de financiar laboratório de Wuhan em último dia como diretora de inteligência dos EUA
Divulgação de documentos secretos reacende disputa sobre origem da Covid-19, enquanto transição na chefia de inteligência e adiamento de relatório sobre urnas ampliam incertezas políticas em Washington.
No último dia como diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard divulgou documentos que, segundo o seu gabinete, revelam que o ex-conselheiro médico da Casa Branca Anthony Fauci financiou pesquisas de ganho de função no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, e influenciou avaliações dos serviços secretos sobre a origem da Covid-19. A divulgação, anunciada na quinta-feira, ocorre num momento de turbulência na liderança da comunidade de inteligência norte-americana, com a nomeação interina de Bill Pulte, um aliado do presidente Donald Trump sem experiência prévia no setor, e o adiamento da audição de confirmação do candidato permanente, Jay Clayton.
De acordo com o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), os documentos, resultantes de uma revisão de desclassificação de um ano, incluem comunicações que contradizem o testemunho de Fauci ao Congresso em 2024, quando negou ter discutido pesquisas virais com agências de inteligência. O ODNI alega ainda que analistas que defendiam a hipótese de fuga de laboratório sofreram retaliações e marginalização. A representação democrata no Senado, através de vozes como Mark Warner e Ron Wyden, manifestou preocupação com a politização dos serviços secretos, enquanto setores republicanos alinhados com Trump veem as revelações como corroboração de suspeitas antigas. Fauci, que recebeu um perdão preventivo do ex-presidente Joe Biden em janeiro de 2025, classificou anteriormente as acusações de “absurdas”.
A transição no ODNI acrescenta camadas de incerteza. Bill Pulte, até então regulador federal de habitação, chegou à agência um dia antes de assumir e, segundo fontes citadas pela imprensa norte-americana, solicitou uma lista completa de funcionários para avaliar cortes de centenas de postos, dando continuidade a uma redução de 40% já executada por Gabbard. Paralelamente, a Casa Branca adiou a divulgação de um estudo sobre vulnerabilidades em máquinas de votação, concluído pelo ODNI, que recomenda atualizações de software mas não encontra provas de manipulação de votos. Funcionários da administração, sob anonimato, indicaram receio de que o relatório minasse a confiança dos eleitores republicanos, enquanto outros consideraram que o documento não apoiava suficientemente as alegações infundadas de fraude eleitoral de Trump.
Para observadores internacionais, a convergência entre a ofensiva sobre as origens da pandemia e os movimentos na segurança eleitoral reflete uma estratégia mais ampla de questionamento de instituições. Em países lusófonos, onde a cooperação com a Organização Mundial da Saúde e com centros de pesquisa chineses é relevante para a vigilância epidemiológica, a politização do debate científico gera apreensão quanto à credibilidade dos mecanismos multilaterais de saúde. O dossiê permanece em aberto: a audição de Clayton foi suspensa depois que Trump condicionou o prosseguimento da nomeação à aprovação de uma lei de identificação de eleitores, e o Senado deverá escrutinar as decisões de Pulte, cuja permanência interina não tem prazo definido.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 2 idiomas
A mídia indiana e sul-asiática enquadra a história como uma revelação explosiva: a chefe de inteligência que está de saída, Tulsi Gabbard, acusa Anthony Fauci de financiar pesquisas perigosas em Wuhan e de suprimir evidências de um vazamento de laboratório. A narrativa destaca documentos 'nunca antes vistos' que supostamente expõem um acobertamento no topo do establishment de saúde dos EUA, retratando Gabbard como uma denunciante que traz a verdade há muito esperada.
A mídia de língua chinesa fora da China continental trata as acusações como um grande furo, observando que Gabbard, em seu último dia, apontou o dedo para Fauci por usar dinheiro dos contribuintes para financiar pesquisas perigosas sobre coronavírus em Wuhan e por enganar o Congresso. A cobertura enfatiza a alegação de que a pandemia se originou de um acidente de laboratório deliberadamente encoberto, apresentando a divulgação dos documentos como um passo em direção à responsabilização.
Artigos relacionados
Bélgica e Irã empatam sem gols e deixam Grupo G em aberto
8 idiomas · 37 veículos
EsporteSerena Williams confirma regresso aos singulares em Wimbledon com convite especial
9 idiomas · 30 veículos
Crime e DesastresTiroteio em escola secundária nas Filipinas deixa três mortos e expõe fragilidade da segurança escolar
10 idiomas · 23 veículos