
Fósseis na Ásia e Europa redefinem capacidades de hominídeos, dinossauros e artrópodes antigos
Da recolha passiva de carcaças por 'hobbits' ao maior saurópode tailandês e ao encurtamento precoce da cauda nas aves, a paleontologia regista avanços significativos.
Uma nova análise dos fósseis do Homo floresiensis, o pequeno hominídeo da ilha das Flores, na Indonésia, desafia a imagem de um caçador hábil. Publicado na Science Advances, o estudo indica que as marcas em ossos de Stegodon, antes atribuídas a ferramentas dos “hobbits”, são sobretudo dentadas de dragões-de-komodo, sugerindo que a espécie praticava o consumo passivo de carcaças e não a caça cooperativa. A investigação, conduzida por uma equipa liderada pela Universidade de Tübingen, também reviu camadas arqueológicas e concluiu que o uso do fogo na gruta de Liang Bua foi introduzido mais tarde pelo Homo sapiens, desmontando a ideia de uma inteligência complexa para um cérebro de dimensões reduzidas.
Também no Sudeste Asiático, mas na Tailândia, uma colaboração tailandesa-britânica anunciou na Scientific Reports o Nagatitan chaiyaphumensis, um dinossauro saurópode com mais de 27 metros de comprimento e cerca de 30 toneladas, o maior já encontrado na região. Descoberto em 2016 a partir de um achado casual num tanque público, o fóssil data de há 113 milhões de anos e reforça a teoria de que várias linhagens de saurópodes evoluíram para tamanhos gigantescos de forma independente, beneficiando de climas quentes e habitats abertos. O nome homenageia as serpentes mitológicas “naga” e a província de Chaiyaphum.
Na China, a descrição do Zhengheornis buyu, a menor ave jurássica de cauda longa conhecida, mostrou que a redução do número e do comprimento das vértebras caudais precedeu a fusão no pigóstilo das aves modernas. Com apenas 15 vértebras, cerca de 20 centímetros e peso estimado entre 74 e 163 gramas, o fóssil indica que alguns dinossauros da linhagem das aves encolheram mais depressa do que se pensava, possivelmente para explorar nichos arborícolas.
Paralelamente, no Reino Unido, a reclassificação de fósseis guardados desde 1870 no Museu de História Natural de Londres revelou o Praearcturus gigas, um escorpião do Devónico que pode ter atingido um metro de comprimento. A descoberta, publicada na Palaeontology, sugere que o artrópode era semi-aquático e usava a terra firme para mudas ou para se alimentar, num período em que os ecossistemas terrestres ainda eram incipientes. Este achado fornece pistas sobre a transição da vida aquática para a terrestre.
As equipas planeiam estender as escavações na Tailândia e reexaminar outros fósseis de escorpião em coleções europeias para refinar as cronologias evolutivas.
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