
FIFA quer abertura de torneio sub-15 com Israel e Palestina em campo
Iniciativa de Gianni Infantino para um festival juvenil nos EUA inclui a Rússia e propõe um duelo simbólico entre seleções de nações em conflito.
A FIFA prepara um gesto de grande carga simbólica para inaugurar o seu novo torneio mundial de futebol masculino sub-15, previsto para setembro nos Estados Unidos. A entidade pretende que a partida de abertura coloque frente a frente as seleções juvenis de Israel e da Palestina, num duelo que, segundo fontes próximas da organização, visa transformar o relvado num veículo de paz e união global. A iniciativa surge meses depois de o presidente Gianni Infantino ter tentado, sem sucesso, um aperto de mão entre os dirigentes das duas federações durante o congresso da FIFA em Vancouver, gesto recusado pelo responsável palestiniano.
A competição, anunciada em dezembro de 2025, não terá o estatuto de Mundial oficial, mas assume um formato inovador e inclusivo: todos os 211 membros da FIFA estão convidados, incluindo a Rússia, atualmente suspensa das provas de seleções seniores devido à guerra na Ucrânia. Observadores em Moscovo e São Petersburgo notam que o regresso de jovens russos a um palco internacional, ainda que num torneio de caráter festivo, representa uma primeira brecha no isolamento desportivo imposto ao país. O evento, provavelmente sediado em Miami, terá regras adaptadas — campos reduzidos, partidas mais curtas e equipas de sete a nove jogadores — e, a partir de 2027, passará a incluir também o escalão feminino.
A ideia de um Israel-Palestina sub-15 como cartaz de abertura ecoa de forma distinta nas várias geografias. Na perspetiva de Brasília, o gesto é lido como uma tentativa de usar o futebol de formação para despolitizar tensões, embora analistas recordem que a própria Confederação Brasileira de Futebol já enfrentou dilemas semelhantes ao tentar mediar conflitos regionais na América do Sul. Em Lisboa, comenta-se que a FIFA procura replicar no futebol juvenil o espírito de encontros diplomáticos improváveis, como os que marcaram a história do ténis de mesa entre os Estados Unidos e a China. Já em Maputo ou Luanda, a presença de todas as 211 federações é vista como uma oportunidade rara para seleções africanas de menor expressão competirem num palco global, ainda que adaptado.
A escolha de Israel e Palestina como protagonistas da abertura não é isenta de controvérsia. A mesma imprensa italiana e indonésia que revelou os planos de Infantino sublinha o risco de o futebol ser instrumentalizado num conflito que extravasa as quatro linhas. O torneio sub-15, contudo, ao reunir jovens de todo o planeta num formato mais lúdico e menos hierarquizado, pode oferecer uma plataforma onde a competição cede lugar à mensagem política de coexistência. Resta saber se o simbolismo resistirá às tensões diplomáticas que, no congresso de abril, impediram até um simples aperto de mão entre dirigentes adultos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ideia da FIFA de abrir o torneio sub-15 com Israel x Palestina surge após o aperto de mão fracassado no congresso. Vozes europeias acham deselegante Infantino criticar publicamente uma federação filiada, mesmo que merecida, e lembram com ironia que sua Copa de 48 seleções já fala por si.
A FIFA pretende convidar todas as 211 federações, incluindo a Rússia, para um novo torneio sub-15 nos EUA. A abertura com Israel x Palestina é vista como um gesto simbólico, e a participação russa assinala o retorno às competições internacionais de base apesar da suspensão no nível sênior.
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