
Fifa cassa credencial de narrador paraguaio que chamou árbitros de 'ladrões' ao vivo
Jorge 'Chipi' Vera perdeu a acreditação no Mundial-2026 após insultar o árbitro e dirigentes durante a vitória do Paraguai sobre a Turquia; emissora e sindicato consideram a punição 'extrema' e 'censura'.
A vitória do Paraguai por 1 a 0 sobre a Turquia, na segunda rodada do Grupo D, ficou marcada pela expulsão de Miguel Almirón ainda no primeiro tempo — o meia foi o primeiro jogador da história das Copas a receber cartão vermelho por cobrir a boca ao falar com um adversário, infringindo a nova regra que pune gestos que possam esconder ofensas discriminatórias. A decisão do árbitro salvadorenho Iván Barton desencadeou a fúria do comentarista Jorge Vera, da ABC paraguaia, que, em transmissão ao vivo, chamou Barton e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, de “ladrões” e acusou a entidade de “matar o futebol”.
A norma, apelidada de “Lei Prestianni” ou “Lei Vini Jr.”, surgiu após um incidente na Champions League entre Vinicius Junior e Gianluca Prestianni, e foi incorporada ao regulamento do Mundial para coibir insultos velados. Almirón foi flagrado com a mão sobre a boca ao dirigir-se a Mert Muldur, da Turquia, nos acréscimos da primeira etapa. A aplicação inédita da regra gerou indignação imediata no Paraguai, mas a reação de Vera ultrapassou os limites do comentário desportivo.
A Fifa notificou a revogação da credencial na noite de 21 de junho, dois dias após o jogo, citando “ataques pessoais repetidos e comentários depreciativos” contra seus oficiais. Vera divulgou um vídeo de desculpas, reconhecendo o “exabrupto” e as “expressões inaceitáveis”. A ABC afastou-o da cobertura, mas classificou a cassação definitiva como “sanção extrema e manifestamente desproporcionada”. O Sindicato dos Jornalistas Paraguaios foi além, definindo a medida como “censura vergonhosa” e um “grave precedente contra a liberdade de expressão e o direito ao trabalho”. O Círculo de Jornalistas Desportivos pediu a revisão da punição.
O episódio insere-se num contexto de maior controle da Fifa sobre os profissionais de imprensa neste Mundial. Na França, a jornalista France Pierron foi afastada após criticar a decisão do jogador Jérémy Doku de assistir ao nascimento do filho; na Argentina, uma emissora demitiu uma apresentadora e sua equipa por veicular uma notícia falsa sobre a morte do pai de Lionel Messi. No Brasil, a regra que originou a expulsão de Almirón remete diretamente ao atacante Vinicius Jr., alvo frequente de ofensas racistas na Europa, o que acrescenta uma camada de ironia ao caso: a norma pensada para proteger jogadores como o brasileiro acabou por gerar uma crise de credenciamento na imprensa sul-americana.
Apesar de ter atuado com dez homens durante todo o segundo tempo, o Paraguai segurou a vitória e agora depende de si para avançar às oitavas de final. Na quinta-feira, enfrenta a Austrália, e um ponto será suficiente para selar a classificação. A seleção guarani, terceira colocada do grupo, tenta confirmar a vaga enquanto a polêmica sobre os limites da crítica jornalística em eventos da Fifa continua a repercutir em Assunção e além.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A FIFA retirou a credencial de um comentarista paraguaio depois que ele criticou duramente o árbitro e o presidente Infantino, acusando-os de 'matar o futebol'. A organização foi retratada como intolerante com vozes dissidentes, punindo severamente quem ousa questionar sua autoridade.
A FIFA impôs uma punição severíssima a um comentarista paraguaio, expulsando-o da Copa do Mundo por chamar os árbitros e dirigentes de 'ladrões'. O incidente foi retratado como um abuso de poder da organização, que reprime a liberdade de expressão e mira aqueles que denunciam injustiças ao vivo.
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