
FBI investiga lavagem de dinheiro na federação argentina de futebol durante a Copa
Autoridades dos EUA recolhem depoimentos sobre fluxos financeiros da AFA que somam centenas de milhões de dólares, com foco em empresa de cobrança de contratos comerciais.
Agentes do FBI e procuradores federais dos Estados Unidos iniciaram a tomada de depoimentos para investigar as operações financeiras da Associação do Futebol Argentino (AFA) em território norte-americano, sob a suspeita de crimes de lavagem de dinheiro e fraude bancária. A investigação, revelada pelo diário argentino La Nación e confirmada por outras fontes, concentra-se na forma como a entidade presidida por Claudio Tapia canalizou centenas de milhões de dólares através do sistema financeiro dos EUA, em plena disputa do Mundial de 2026, coorganizado pelo país.
Segundo a imprensa de Buenos Aires, os investigadores procuram reconstruir o percurso dos fundos geridos pela TourProdEnter LLC, empresa do produtor teatral Javier Faroni que atuou como agente de cobrança dos contratos comerciais internacionais da AFA. Documentos bancários analisados indicam que a companhia movimentou pelo menos 260 milhões de dólares em contas abertas em cinco bancos norte-americanos, mas apenas uma parte desses valores está diretamente ligada a despesas operacionais identificáveis da federação. Cerca de 57 milhões de dólares foram distribuídos por sociedades e beneficiários cuja justificação económica não consta da documentação, incluindo transferências para empresas ligadas ao tesoureiro da AFA, Pablo Toviggino, e para pessoas que, de acordo com registos oficiais, recebiam apoios sociais na Argentina.
Na perspetiva de Washington, a investigação preliminar, iniciada em 2025, é conduzida por três procuradores federais especializados em crimes financeiros e conta com a colaboração de agentes do FBI sediados na capital e em Miami. Um dos depoimentos já recolhidos, segundo fontes judiciais, foi o do empresário Guillermo Tofoni, que participou numa videoconferência de três horas com os investigadores. O Departamento de Justiça avalia ainda convocar ex-funcionários do governo de Javier Milei que tiveram acesso a informações sensíveis ou supervisionaram operações da AFA. Em setembro de 2024, o Ministério da Segurança argentino, então liderado por Patricia Bullrich, havia alertado a administração norte-americana sobre transações suspeitas, mas o FBI considerou, na altura, não haver indícios suficientes para abrir um caso criminal.
Observadores em Brasília notam que o caso reaviva o escrutínio sobre a governação do futebol sul-americano, num momento em que a região se prepara para receber a Copa do Mundo de 2030, com candidatura conjunta de Argentina, Uruguai e Paraguai, e em que o Brasil ainda lida com as sequelas dos escândalos de corrupção na FIFA revelados na década passada. A AFA, através do seu representante para a América do Norte, defendeu o princípio da presunção de inocência num fórum realizado em Miami, sublinhando que a abertura de uma investigação não implica responsabilidade penal. Até ao momento, não foram apresentadas acusações formais contra a entidade ou os seus dirigentes, e o Departamento de Justiça dos EUA não emitiu qualquer posição oficial. A investigação prossegue com a recolha de testemunhos e a análise de documentação bancária, enquanto a seleção argentina avança no Mundial.
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
A Argentina denuncia a sombra da lavagem de dinheiro sobre sua federação de futebol em plena Copa do Mundo.
Ao enfatizar o momento do escândalo (durante a Copa do Mundo) e usar um léxico de 'escândalo' e 'investigação', cria-se um senso de crise imediata e culpa implícita.
Omite que a própria Argentina alertou os EUA sobre transações suspeitas em 2024, o que reduziria a magnitude do escândalo.
O mundo árabe registra a investigação americana como um procedimento legal normal contra possível má conduta financeira.
Ao adotar um tom distante e relatar detalhes técnicos (empresa, fluxos), o evento é normalizado como uma questão de conformidade financeira.
Omite o contexto emocional da Copa do Mundo e as implicações para a imagem da Argentina, que poderiam tornar a notícia mais sensacionalista.
A Rússia relata a investigação como já conhecida pelas autoridades argentinas, minimizando sua novidade.
Ao inserir o detalhe de que a Argentina informou os EUA em 2024, o alcance do escândalo é reduzido e a investigação é apresentada como um procedimento cooperativo.
Omite as alegações específicas de lavagem de dinheiro e fraude, que poderiam sugerir maior gravidade.
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