
Ex-primeira-dama sul-coreana é condenada a mais 7 anos de prisão por corrupção
Kim Keon Hee, mulher do ex-presidente Yoon Suk Yeol, acumula agora 11 anos de pena por aceitar joias e subornos em troca de favores políticos, enquanto o marido cumpre prisão perpétua por tentativa de golpe.
A Justiça da Coreia do Sul condenou nesta sexta-feira (26) a ex-primeira-dama Kim Keon Hee a sete anos de prisão por corrupção, num processo que a considerou culpada de receber metais preciosos de alto valor em troca de influência em nomeações para cargos públicos. A sentença, proferida pelo Tribunal Distrital Central de Seul, soma-se a uma condenação anterior de quatro anos por manipulação de ações e suborno, elevando a pena total para 11 anos de reclusão. Kim já cumpria a primeira pena quando foi julgada por este novo caso, que incluiu ainda a perda dos bens recebidos e uma multa de 64,8 milhões de wons.
De acordo com a acusação, a ex-primeira-dama aceitou joias das marcas Van Cleef & Arpels, Tiffany e Graff, avaliadas em cerca de 103 milhões de wons (aproximadamente 67 mil dólares), de um empresário da construção civil em 2022, em contrapartida pela promessa de um cargo para o genro do doador. Também recebeu uma tartaruga de ouro de um político e um relógio Vacheron Constantin de um empresário do setor tecnológico. O tribunal afirmou que Kim “não hesitou em aceitar objetos de valor que um cidadão comum dificilmente conseguiria adquirir uma vez na vida” e que usou a sua posição para interesses privados, minando a confiança pública na integridade das nomeações governamentais. A defesa anunciou que irá recorrer, sustentando que os presentes foram recebidos sem qualquer contrapartida.
O caso insere-se numa série de investigações desencadeadas após a tentativa fracassada do marido, o ex-presidente Yoon Suk Yeol, de impor a lei marcial em dezembro de 2024, ato classificado como insurreição e que lhe valeu uma condenação a prisão perpétua em fevereiro passado. A Procuradoria, que inicialmente pedira a pena de morte para Yoon, reiterou esse pedido em 25 de junho. Na perspetiva de observadores em Seul, a sucessão de condenações de figuras do mais alto escalão — incluindo vários ex-presidentes no passado — evidencia a profundidade das práticas de corrupção sistémica na política sul-coreana e a atuação de um poder judicial que, neste momento, procura afirmar a sua independência face ao poder executivo.
Para analistas em Lisboa e Brasília, o colapso político do casal presidencial sul-coreano ilustra os riscos de concentração de poder e a fragilidade dos mecanismos de controlo democrático, num contexto em que a Coreia do Sul enfrenta também tensões geopolíticas na península. Kim Keon Hee, que antes se notabilizara por campanhas contra o comércio de carne de cão, já havia sido envolvida em escândalos com presentes de luxo, como uma mala Dior e joias da Igreja da Unificação, que desgastaram a presidência do marido. O julgamento dos recursos está previsto para os próximos meses, enquanto Yoon Suk Yeol continua a responder por múltiplas acusações, incluindo a de traição, e o país aguarda a conclusão de outros inquéritos sobre a antiga primeira-dama.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa russa relata a sentença de sete anos da ex-primeira-dama sul-coreana como um simples caso de corrupção, listando as acusações e lembrando sua condenação anterior de quatro anos, sem adicionar comentários ou análise contextual.
A mídia do Sudeste Asiático coloca a condenação da ex-primeira-dama dentro de um quadro mais amplo de repressão ao elo corrupto entre política e chaebols, ligando-a ao caso de divórcio de quase um bilhão de dólares do presidente do SK Group e retratando um sistema em que presentes de luxo e favores determinam nomeações e negócios.
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