
EUA sancionam aliados do Hezbollah e expandem cerco a rede financeira do grupo
Washington impõe novas sanções a políticos libaneses e a uma rede empresarial que opera no Líbano, Síria, Iraque e Omã, acusada de financiar o Hezbollah e entravar o processo de paz.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira, um novo pacote de sanções contra figuras políticas libanesas aliadas ao Hezbollah e contra uma rede transnacional de empresas e intermediários acusada de sustentar as finanças do grupo. A medida, coordenada pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC), amplia as restrições impostas em março de 2026 ao empresário Alaa Hamieh e estende-se agora a parceiros no Líbano, na Síria, no Iraque e em Omã. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o Hezbollah “tem de ser desarmado” para que o Líbano possa alcançar um futuro seguro e próspero, e prometeu continuar a perseguir as redes financeiras que, segundo Washington, minam o Estado libanês e ameaçam a paz duradoura.
Entre os visados estão Suleiman Frangieh, líder do movimento Marada e antigo candidato presidencial, e Mahmoud Qmati, vice-presidente do conselho político do Hezbollah. De acordo com o Tesouro norte-americano, Frangieh utilizou a sua aliança estratégica com o grupo para obter apoio financeiro e, em contrapartida, ajudou a desalojar deputados reformistas e independentes nas eleições parlamentares. Qmati é acusado de coordenar o contrabando de dinheiro vivo do Irão para o Líbano, canalizando recursos para as atividades do Hezbollah. Na perspetiva de Brasília, onde a diáspora libanesa tem peso político e económico, estas designações reacendem o debate sobre a influência do Hezbollah em comunidades expatriadas, embora o governo brasileiro mantenha uma posição cautelosa quanto a listas unilaterais de sanções.
O núcleo empresarial agora sancionado gira em torno de Alaa Hamieh, já visado em março, e inclui empresas como a Globe Technology Providers, no Líbano, descrita como o braço técnico da síria Al-Ahd for Trade and Investment, ligada ao Hezbollah. A rede operava contratos com o antigo regime de Bashar al-Assad na Síria, que renderam cerca de dez milhões de dólares em 2024, e utilizava contas bancárias no Omã e na Europa para movimentar fundos. No Iraque, Hamieh participou na criação da Al-Shafa Administrative Services, uma empresa de gestão de seguros, em parceria com outros indivíduos já sancionados. Observadores em Lisboa notam que a arquitetura financeira descrita pelo Tesouro norte-americano ilustra a capilaridade do Hezbollah em economias frágeis, um fenómeno que também preocupa países africanos lusófonos com setores financeiros em desenvolvimento, como Angola e Moçambique, onde redes informais podem ser exploradas.
As novas sanções congelam quaisquer ativos sob jurisdição dos EUA e proíbem transações com pessoas e entidades designadas, ao mesmo tempo que ameaçam instituições financeiras estrangeiras com sanções secundárias caso facilitem operações significativas para os visados. A ofensiva ocorre num momento de intensa discussão sobre o futuro do Hezbollah no xadrez político libanês e sobre a exigência de desarmamento da milícia, num país ainda a recuperar de múltiplas crises. A agência Reuters noticiou que Israel mantém “negociações duras” com Washington para alinhar estratégias, sinal de que a pressão financeira é parte de uma arquitetura de segurança regional mais ampla. Enquanto o impasse político no Líbano persiste, a aposta norte-americana em estrangular as fontes de receita do Hezbollah deverá continuar a moldar o tabuleiro do Médio Oriente, com eventuais repercussões nas comunidades da diáspora libanesa espalhadas pelo Atlântico Sul e pelo Índico.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos, dando continuidade ao seu apoio aos crimes selvagens do regime sionista, sancionaram autoridades libanesas sob o pretexto de apoiarem o Hezbollah. É mais uma manobra de Washington para atingir quem resiste à agressão israelita. As sanções são condenadas como injustas e politicamente motivadas.
O Tesouro dos EUA impôs novas sanções a políticos libaneses aliados do Hezbollah e a uma rede financeira transfronteiriça que opera no Líbano, Síria, Iraque e Omã. As medidas visam figuras como Suleiman Frangieh e um empresário acusado de gerir fundos para o partido. A ação é apresentada como um esforço para pressionar a infraestrutura financeira do Hezbollah.
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