
EUA lançam ofensiva diplomática para desmantelar Tribunal Penal Internacional
Administração Trump ameaça com sanções e pressão sobre aliados para isolar corte de Haia, acusada de ameaçar soberania americana.
O governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira uma campanha diplomática de larga escala com o objetivo de “desmantelar” o Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia. A iniciativa, detalhada pelo secretário de Estado Marco Rubio num artigo de opinião e numa declaração em vídeo, inclui a imposição de novas sanções, a revogação de vistos, a proibição de viagens a funcionários do tribunal e pressões sobre países aliados para que se retirem do Estatuto de Roma. O Departamento de Estado qualificou o TPI como “uma ameaça intolerável à soberania dos EUA” e afirmou que a campanha procura “incapacitar sistematicamente” a capacidade de atuação da corte.
Segundo fontes do Departamento de Estado, a administração Trump considera que o TPI se arrogou uma autoridade que não lhe é reconhecida por Washington — a de investigar e processar cidadãos norte-americanos, incluindo militares e altos funcionários. Rubio argumentou que o tribunal, criado em 2002 para julgar genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, se transformou num “tribunal global” com ambições de se sobrepor aos sistemas judiciais nacionais. Os EUA nunca ratificaram o Estatuto de Roma e recordam que, já em 2020, o TPI abriu um inquérito sobre alegados crimes de guerra cometidos por forças americanas no Afeganistão. A atual ofensiva é também uma resposta aos mandados de captura emitidos em 2024 contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e outros responsáveis, no contexto da guerra em Gaza.
Na perspetiva de capitais europeias e de Brasília, a iniciativa de Washington representa um desafio direto ao sistema multilateral de justiça penal. O TPI conta com 123 Estados-membros, entre os quais Portugal, o Brasil e a generalidade dos países da União Europeia, que veem o tribunal como um pilar da luta contra a impunidade. Três juízes do TPI sancionados pelos EUA — de nacionalidades canadiana, ugandesa e beninense — apresentaram em junho uma queixa contra o presidente Donald Trump e outros altos responsáveis, alegando que as sanções constituem uma pressão extrajudicial ilegal. Diplomatas em Lisboa e em Brasília sublinham que a pressão americana sobre países que acolhem bases militares dos EUA ou que beneficiam de assistência de segurança coloca aliados tradicionais numa posição delicada, forçando-os a escolher entre o apoio ao TPI e a relação bilateral com Washington.
A campanha inclui contactos diplomáticos já em curso, nos quais altos funcionários norte-americanos instam governos estrangeiros a rejeitar a jurisdição do TPI sobre cidadãos dos EUA e a cortar qualquer apoio financeiro à corte. O Departamento de Estado advertiu que os países que continuarem a apoiar o tribunal enquanto dependem da ajuda americana poderão ser alvo de “escrutínio acrescido”. Observadores em África e na América Latina notam que a ofensiva pode enfraquecer a capacidade de investigação do TPI em regiões onde a sua atuação tem sido mais relevante, ao mesmo tempo que reabre o debate sobre a universalidade da justiça internacional. Não foi ainda anunciada uma data para a imposição das novas sanções, mas a administração Trump afirma que a campanha “está apenas a começar” e que usará “todos os instrumentos” disponíveis para desmantelar o tribunal, “tijolo a tijolo, se necessário”.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
| Imprensa chinesa | −0.30 | critical |
The Atlantic press acknowledges the legitimacy of American concerns over sovereignty, but does not hide that the ICC has long been opposed by Washington.
Factual reporting mixed with editorial cues like 'bête noire' suggests that US hostility toward the ICC is long-standing, framing the campaign as part of a pattern.
Voices supporting the ICC and the context of the court's investigations into US war crimes in Afghanistan are absent.
Iran denounces the US campaign as an act of aggression against international justice, siding with the ICC as a victim of US bullying.
The language of threat and war frames the US as a hostile power attacking international law, mobilizing sympathy for the ICC and opposition to US hegemony.
Justifications for US actions, such as the ICC's investigations of US personnel or the sovereignty argument, are omitted.
Europe denounces the US escalation against the ICC, defending international law and warning of the consequences of a systematic attack on the court.
Direct quotes of Rubio's war language highlight the aggressive stance, and US actions are framed as a threat to the rule of law, positioning Europe as a defender of international institutions.
The US perspective on sovereignty and the ICC's investigations of US officials, as well as the fact that the US has not ratified the Rome Statute, are omitted.
China observes the US campaign with detachment, noting the accusation of threat to sovereignty, but implicitly criticizes Washington's unilateralism.
The neutral reporting style highlights the US's own language of 'intolerable threat', allowing readers to infer US aggression without direct editorializing.
Discussions of the ICC's legitimacy or the US's historical opposition, as well as the perspective of ICC supporters, are absent.
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