
Pochettino lamenta falta de reconhecimento após derrota dos EUA para a Turquia no Mundial
Técnico argentino criticou a imprensa por não celebrar o primeiro lugar do grupo, apesar da derrota por 3-2 que não afetou a classificação.
Os Estados Unidos perderam por 3-2 para a Turquia na última rodada do Grupo D da Copa do Mundo de 2026, mas o resultado não impediu a equipa de avançar como líder para os dezasseis-avos de final. O desfecho, porém, foi ofuscado pela irritação do treinador Mauricio Pochettino com os jornalistas. “É triste que ninguém nos felicite por termos vencido o grupo”, disparou o argentino, visivelmente incomodado com o tom das perguntas. Pochettino alternou entre o espanhol e o inglês para lembrar que o objetivo principal — a primeira colocação — já estava garantido após as vitórias sobre Paraguai (4-1) e Austrália (2-0), e que a verdadeira avaliação começa na fase eliminatória.
Dentro de campo, o jogo teve reviravoltas. Auston Trusty abriu o marcador aos dois minutos, mas a Turquia, já eliminada, empatou com Arda Güler e virou com Orkun Kökçü ainda no primeiro tempo. Sebastian Berhalter igualou na etapa final com um remate de fora da área, e a entrada de Christian Pulisic, recuperado de uma lesão na panturrilha, trouxe dinamismo ao ataque norte-americano — o capitão acertou a trave aos 63 minutos. Contudo, nos descontos, Kaan Ayhan marcou o golo da vitória turca, selando o 3-2. Pochettino havia feito nove alterações na equipa titular, poupando nomes como Tyler Adams e Folarin Balogun para evitar cartões e gerir o desgaste físico.
A classificação antecipada permitiu esse rodízio. Os EUA fecharam o grupo com seis pontos e saldo de +4, e agora enfrentam a Bósnia e Herzegovina, terceira colocada do Grupo B, no dia 1.º de julho, em Santa Clara, Califórnia. Na conferência de imprensa, Pochettino reforçou que “fazer história é ganhar uma Copa do Mundo, não três partidas”, e classificou como “mesquinho” o foco excessivo na derrota. A sua reação ecoou de forma distinta conforme a região.
Na imprensa norte-americana, a análise minimizou o revés, sublinhando que o teste serviu para dar minutos a jogadores menos utilizados e que o regresso de Pulisic foi a notícia mais relevante. Observadores na América do Sul, terra natal do treinador, interpretaram o desabafo como um choque cultural: Pochettino esperava o reconhecimento pelo percurso no grupo, enquanto os media locais se concentravam no resultado imediato. Já na Ásia, veículos indonésios destacaram as lições defensivas que a partida deixou, apontando a fragilidade na retaguarda como um alerta para os duelos eliminatórios. Na Europa, o retorno do craque do Milan foi visto como um trunfo para a fase a eliminar.
Com o plantel completo e sem suspensões, os Estados Unidos encaram o duelo com os bósnios como o início efetivo da sua campanha. A derrota para a Turquia, na prática, não alterou o rumo, mas expôs a exigência de Pochettino por um olhar mais abrangente sobre o desempenho da equipa anfitriã.
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