EUA bombardeiam pontes no Irão para isolar base naval no Estreito de Ormuz
Ofensiva aérea visa cortar linhas logísticas para Bandar Abbas, enquanto Washington e Teerão trocam ameaças e a crise no Golfo Pérsico perturba o comércio marítimo global.
Os Estados Unidos bombardearam na noite de quinta-feira várias pontes no sul do Irão, incluindo a ponte de Kahouristan que liga Bandar Abbas a Lar, com o objetivo de cortar as rotas de abastecimento à base naval da Guarda Revolucionária em Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz. A informação foi confirmada por um alto responsável norte-americano ao Wall Street Journal e corroborada por relatos da televisão estatal iraniana, que deu conta do encerramento de autoestradas e de um entroncamento ferroviário, além de vítimas civis. A ofensiva integra a sexta noite consecutiva de ataques aéreos e navais dos EUA contra alvos militares e logísticos iranianos.
Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), as operações visam «degradar a capacidade militar iraniana» e responder à violação, por Teerão, de um memorando de entendimento assinado em 18 de junho de 2026, que proibia ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Presidente Donald Trump continua «aberto à diplomacia», mas advertiu que os ataques se estenderão a centrais elétricas e outras pontes caso o Irão não retome as negociações. Do lado iraniano, responsáveis militares citados pela televisão estatal ameaçaram retaliar contra infraestruturas dos EUA e dos seus aliados no Médio Oriente, e Teerão terá sinalizado a possibilidade de mobilizar os houthis do Iémen para encerrar o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.
A escalada tem consequências diretas para a economia global. O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo, foi em grande parte interrompido, pressionando os preços da energia. Na perspetiva de Brasília, a instabilidade no Golfo Pérsico encarece as importações de combustíveis e pode afetar a recuperação económica. Observadores em Lisboa alertam para o risco de perturbações prolongadas no abastecimento à Europa, num momento de fragilidade do mercado energético. A administração Trump impôs ainda um bloqueio naval a portos iranianos, inspecionando e desviando navios mercantes, enquanto o Irão voltou a condicionar a passagem de embarcações pelo estreito.
O atual ciclo de violência sucede a uma trégua de poucas semanas, mediada pelo memorando de entendimento, que previa um período de negociação de 60 dias sobre taxas de passagem no estreito. Bandar Abbas, agora isolada por via terrestre, é o principal centro logístico da Marinha iraniana e da Guarda Revolucionária, essencial para a projeção de poder de Teerão no Golfo Pérsico. A presença de mais de 50 mil militares norte-americanos na região sublinha a dimensão do dispositivo montado por Washington. O dossier permanece em aberto, com novos ataques esperados nos próximos dias e a diplomacia em suspenso, enquanto os mercados acompanham com apreensão cada movimento.
| Imprensa iraniana e afins | −0.90 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.30 | aligned |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
O Irã condena firmemente os ataques dos EUA como uma violação da soberania nacional e um crime de guerra, e adverte que responderá com força.
O bloco constrói sua posição apresentando os ataques como visando infraestrutura civil, citando fontes oficiais iranianas e invocando o direito internacional para deslegitimar a ação dos EUA.
O bloco omite as justificativas dos EUA sobre a proteção da navegação comercial e os ataques iranianos a navios, bem como o contexto de provocações iranianas anteriores.
Os Estados Unidos realizam ataques de precisão para interromper as linhas de abastecimento iranianas e proteger a liberdade de navegação, mantendo a porta aberta para a diplomacia.
O bloco legitima a ação dos EUA enfatizando a natureza militar dos alvos e a ameaça iraniana à navegação, citando fontes oficiais dos EUA e minimizando as vítimas civis.
O bloco omite as acusações iranianas de crimes de guerra e a condenação internacional, bem como detalhes sobre vítimas civis e danos à infraestrutura não militar.
As forças dos EUA atacam alvos militares iranianos para enfraquecer as capacidades navais, enquanto o Irã relata vítimas civis e danos à infraestrutura.
O bloco mantém uma posição neutra ao relatar tanto as declarações oficiais dos EUA quanto os relatos iranianos, sem expressar julgamento explícito.
O bloco omite aprofundar as implicações legais dos ataques ou tomar uma posição sobre a legitimidade das ações de qualquer um dos lados.
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