
EUA bombardeiam Irão pela 11ª noite consecutiva; Teerão declara 'guerra total'
Confronto alastra-se ao Golfo Pérsico com ataques a navios, bases aliadas e ameaças nucleares, enquanto canais diplomáticos permanecem abertos.
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de quarta-feira a 11ª noite consecutiva de ataques aéreos contra o Irão, visando degradar a capacidade de Teerão de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz, anunciou o Comando Central dos EUA (CENTCOM). Explosões foram reportadas em Tabriz, no noroeste, e em Bushehr, onde se localiza a única central nuclear comercial iraniana, bem como nos portos de Bandar Mahshahr, Chabahar e Konarak. A ofensiva ocorre depois de o presidente Donald Trump ter ameaçado atingir a montanha Pickaxe, um complexo subterrâneo fortificado próximo de instalações de enriquecimento nuclear, e de ter prometido retaliação pela morte de três soldados norte-americanos na Jordânia. Em resposta, o quartel-general Khatam al-Anbiya do Irão advertiu que um ataque a infraestruturas nucleares seria considerado uma escalada regional e sujeitaria todos os ativos dos EUA e dos seus aliados a um “golpe decisivo”.
A escalada é acompanhada por uma retórica de confronto total. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país trava uma “guerra em grande escala” com os EUA, enquanto a Guarda Revolucionária (IRGC) reivindicou ataques com mísseis de cruzeiro contra um centro de dados da Amazon no Bahrein, contra dois petroleiros no Estreito de Ormuz e contra instalações militares norte-americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Segundo a agência estatal IRNA, Teerão continua, no entanto, a trocar mensagens diplomáticas indiretas com Washington através de intermediários, sinalizando que os canais de comunicação não foram totalmente cortados. Na perspetiva de Washington, os bombardeamentos são uma resposta “decisiva” às mortes dos militares e visam forçar o Irão a negociações “significativas”, como afirmou Trump. Já os houthis do Iémen, alinhados com Teerão, anunciaram um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma potencial nova frente e ampliando a ameaça ao abastecimento energético global.
As consequências operacionais são já visíveis. A agência de segurança marítima UKMTO reportou que um navio-tanque foi atingido por um projétil no Estreito de Ormuz, obrigando a tripulação a abandonar a embarcação. Dados da empresa de inteligência Kpler indicam uma redução do tráfego comercial na via, com apenas quatro navios de mercadorias a cruzar o estreito na segunda-feira, sobretudo pela rota norte junto à costa iraniana. O Bahrein, o Kuwait e a Jordânia intercetaram drones lançados pelo Irão, enquanto os preços do petróleo subiram cerca de 2%. Em Teerão, um responsável do ministério da Saúde contabilizou 50 civis mortos e 500 feridos nos recentes ataques dos EUA, números não confirmados por fontes independentes.
Para observadores em Lisboa e em Brasília, a degradação da segurança no Golfo Pérsico projeta riscos económicos diretos para os países lusófonos, fortemente dependentes da importação de petróleo e sensíveis à volatilidade dos preços. A diplomacia brasileira, que historicamente defende soluções multilaterais, acompanha com preocupação o colapso do cessar-fogo provisório assinado no mês passado. O dossier permanece em aberto: os EUA não confirmaram se irão atacar a montanha Pickaxe, mas Trump reiterou que os alvos serão “em breve” atingidos. Enquanto prosseguem as operações militares, a perspetiva de um alastramento do conflito a todo o Médio Oriente mantém os mercados e as capitais internacionais em alerta máximo.
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| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
The US military reports its own strikes, citing CENTCOM. The narrative stays within the US official account, omitting any Iranian response.
By relying solely on official US military statements, the bloc presents the strikes as a routine, justified operation, ignoring the broader conflict.
The bloc omits Iran's retaliatory strikes and declaration of full-scale war, which would present the conflict as a mutual escalation rather than a unilateral US operation.
The US military and administration speak through official statements and casualty reports. The narrative frames Iran as the aggressor retaliating against justified US strikes.
By presenting both sides' actions but attributing the initiative to the US and the retaliation to Iran, the bloc justifies US strikes and portrays Iran as the escalator.
The bloc omits Iran's stated reasons for retaliation, such as defending against US aggression, and downplays the US role in initiating the strikes.
Both US and Iranian officials are quoted, with the narrative highlighting the mutual escalation and the declaration of war. The tone is alarmist but balanced.
By framing the conflict as a 'full-scale war' and quoting both sides, the bloc creates a sense of dramatic inevitability, making the escalation appear unavoidable.
The bloc omits the involvement of Houthi forces and the naval blockade, which would broaden the conflict beyond US-Iran.
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