
Erguida por segundos, a taça da Copa: ouro de 18 quilates e regras implacáveis da FIFA
O troféu de 6,175 kg só fica nas mãos do capitão campeão durante a cerimônia; depois, a réplica é que celebra a glória eterna.
Após o apito final no MetLife Stadium, o capitão da seleção vencedora ergueu os 6,175 quilos de ouro 18 quilates sob os olhares de milhões. Foi um instante fugaz: como manda o regulamento, o troféu original logo voltou às mãos dos seguranças da FIFA, sendo substituído pela réplica que viajará com os campeões. A imagem, repetida a cada quatro anos desde 1974, renova o encanto em torno do objeto mais cobiçado do futebol.
Concebida pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga, a peça atual emergiu de 53 propostas de sete países para substituir a taça Jules Rimet, entregue em definitivo ao Brasil em 1970. Com 36,8 cm de altura, a escultura em ouro maciço de 18 quilates exibe duas figuras humanas sustentando o globo terrestre, sobre uma base de malaquita verde. Embora pareça sólida, é oca — se fosse maciça, pesaria mais de 70 kg, impossibilitando o gesto icônico do capitão. O valor material oscila entre US$ 160 mil e US$ 400 mil, mas o significado histórico a torna incalculável. Na Argentina, o episódio de Lionel Scaloni usando luvas ao carregar o troféu no sorteio do Mundial gerou repercussão, até que Gianni Infantino o convidou a segurá-lo sem luvas, lembrando o direito dos campeões.
Desde a estreia do novo troféu na Copa de 1974, a FIFA mudou radicalmente a política de posse: ao contrário da Jules Rimet, nenhum país poderá ficar com a taça original em definitivo, independentemente de quantos títulos acumule. O artigo 45 do regulamento obriga a devolução logo após a cerimônia no gramado. Em seu lugar, a seleção campeã recebe uma réplica banhada a ouro, feita de bronze, que repousará em sua galeria permanente. Após o jogo, a taça autêntica regressa ao Museu do Futebol em Zurique, de onde só sai para o sorteio, a abertura e a final.
A entrega deste ano trouxe uma rara presença política: o presidente Donald Trump juntou-se a Infantino na premiação, fato que não ocorria desde 1982, quando o rei Juan Carlos da Espanha entregou a taça à Itália. A cena reavivou memórias distintas: na Península Ibérica, remeteu à transição espanhola; na América do Sul, reacendeu o debate sobre o papel de líderes em eventos esportivos. O Brasil, que venceu sua última final em 2002 com o atual modelo, observa de longe enquanto a base da taça recebe o nome do novo campeão. Embora a Jules Rimet tenha sido roubada da sede da CBF em 1983 e nunca recuperada, o troféu contemporâneo — forjado pela milanesa GDE Bertoni, a mesma ourivesaria há cinco décadas — permanece sob estrito controle, símbolo máximo de um ciclo que se fecha e já projeta a próxima disputa em 2030.
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The trophy is a precious artifact whose technical features are revealed.
By focusing on weight, materials, and value, the symbolic dimension is reduced to mere objective data, avoiding any criticism of FIFA's control.
The cost of the replica and the disparity between the original trophy's value and that of the copy are not mentioned.
The ceremony is the highlight, with figures of power presenting the award.
By including Trump and Infantino, the event is personalized and attention shifts from the trophy itself to the personalities, making the story more mundane.
The reason why FIFA keeps the original and the implications for fans are not discussed.
The trophy has a craft history and tradition that make it unique.
By framing the question in a historical perspective (who makes it, for how long), the replica rule is normalized as part of tradition.
The issue of FIFA's ownership as a restriction is not addressed, but presented as an unquestioned custom.
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