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Geopolítica & Políticasábado, 25 de julho de 2026

Trump adia decisão sobre ataque em larga escala ao Irão e admite via negocial

Presidente dos EUA diz que Teerão está “cada vez mais sério” nas conversações, enquanto o conflito se alastra ao Iémen e pesa nas eleições intercalares norte-americanas

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta sexta-feira que ainda não tomou uma decisão sobre um eventual ataque militar massivo contra o Irão, ao mesmo tempo que sinalizou que as negociações com Teerão estão a ganhar seriedade. Em declarações no Salão Oval, Trump disse que “não, ainda não decidi”, referindo-se à hipótese de uma escalada bélica, e acrescentou que “estamos a falar com eles neste momento”. A hesitação é interpretada por analistas em Washington como um compasso de espera para testar a viabilidade de uma saída diplomática, num conflito que já se aproxima do quinto mês e que se tornou um fator de desgaste para o Partido Republicano a poucos meses das eleições intercalares de novembro.

Segundo fontes da administração norte-americana, Trump reuniu-se na manhã de sexta-feira com os seus principais conselheiros para discutir as opções militares, encontro que terá sido motivado pela frustração crescente do Presidente com o impasse no terreno. Na perspetiva de Teerão, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, rejeitou qualquer cedência à “linguagem da força e da coerção”, mas fontes diplomáticas ocidentais notam que o Irão mantém canais de diálogo abertos, possivelmente através de intermediários regionais. O regime iraniano respondeu aos ataques norte-americanos com retaliações contra bases dos EUA no Golfo Pérsico, incluindo alvos no Bahrein, na Jordânia e no Kuwait, e a Guarda Revolucionária reivindicou um ataque a um centro de dados da Amazon no Bahrein — alegação que não foi confirmada por Washington ou pela empresa.

O conflito alastrou-se entretanto ao Iémen, onde os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão, atacaram navios petrolíferos no Mar Vermelho e declararam um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, pondo em risco as exportações de crude do maior produtor mundial. Riade respondeu com bombardeamentos sobre a cidade portuária de Hodeida, controlada pelos Houthi, e a coligação liderada pelos sauditas afirmou ter realizado uma operação “decisiva e eficaz”. Na perspetiva de observadores em Lisboa, a extensão do conflito a esta frente marítima eleva os custos económicos globais, numa altura em que a rota petrolífera do Estreito de Ormuz já está sob pressão devido às ameaças iranianas.

Do lado diplomático, Pequim procurou assumir um papel de mediação: o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com o homólogo iraniano no Quirguistão e apelou ao regresso às negociações, defendendo que “a porta que já foi aberta não deve ser fechada”. A China, que mantém laços económicos e energéticos com o Irão, é vista em Brasília como um ator com capacidade para influenciar Teerão, embora analistas brasileiros sublinhem que o Governo Lula tem privilegiado canais multilaterais, como os BRICS, para defender uma solução política. Trump, por seu lado, afirmou confiar nas garantias de Xi Jinping e de Vladimir Putin de que não estão a fornecer armas ao Irão, apesar de relatos de que Moscovo e Pequim têm partilhado informações de inteligência com Teerão. A próxima etapa conhecida é o encontro entre Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, na próxima terça-feira, onde se espera que a crise iraniana domine a agenda.

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sábado, 25 de julho de 2026

Trump adia decisão sobre ataque em larga escala ao Irão e admite via negocial

Presidente dos EUA diz que Teerão está “cada vez mais sério” nas conversações, enquanto o conflito se alastra ao Iémen e pesa nas eleições intercalares norte-americanas

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta sexta-feira que ainda não tomou uma decisão sobre um eventual ataque militar massivo contra o Irão, ao mesmo tempo que sinalizou que as negociações com Teerão estão a ganhar seriedade. Em declarações no Salão Oval, Trump disse que “não, ainda não decidi”, referindo-se à hipótese de uma escalada bélica, e acrescentou que “estamos a falar com eles neste momento”. A hesitação é interpretada por analistas em Washington como um compasso de espera para testar a viabilidade de uma saída diplomática, num conflito que já se aproxima do quinto mês e que se tornou um fator de desgaste para o Partido Republicano a poucos meses das eleições intercalares de novembro.

Segundo fontes da administração norte-americana, Trump reuniu-se na manhã de sexta-feira com os seus principais conselheiros para discutir as opções militares, encontro que terá sido motivado pela frustração crescente do Presidente com o impasse no terreno. Na perspetiva de Teerão, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, rejeitou qualquer cedência à “linguagem da força e da coerção”, mas fontes diplomáticas ocidentais notam que o Irão mantém canais de diálogo abertos, possivelmente através de intermediários regionais. O regime iraniano respondeu aos ataques norte-americanos com retaliações contra bases dos EUA no Golfo Pérsico, incluindo alvos no Bahrein, na Jordânia e no Kuwait, e a Guarda Revolucionária reivindicou um ataque a um centro de dados da Amazon no Bahrein — alegação que não foi confirmada por Washington ou pela empresa.

O conflito alastrou-se entretanto ao Iémen, onde os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão, atacaram navios petrolíferos no Mar Vermelho e declararam um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, pondo em risco as exportações de crude do maior produtor mundial. Riade respondeu com bombardeamentos sobre a cidade portuária de Hodeida, controlada pelos Houthi, e a coligação liderada pelos sauditas afirmou ter realizado uma operação “decisiva e eficaz”. Na perspetiva de observadores em Lisboa, a extensão do conflito a esta frente marítima eleva os custos económicos globais, numa altura em que a rota petrolífera do Estreito de Ormuz já está sob pressão devido às ameaças iranianas.

Do lado diplomático, Pequim procurou assumir um papel de mediação: o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com o homólogo iraniano no Quirguistão e apelou ao regresso às negociações, defendendo que “a porta que já foi aberta não deve ser fechada”. A China, que mantém laços económicos e energéticos com o Irão, é vista em Brasília como um ator com capacidade para influenciar Teerão, embora analistas brasileiros sublinhem que o Governo Lula tem privilegiado canais multilaterais, como os BRICS, para defender uma solução política. Trump, por seu lado, afirmou confiar nas garantias de Xi Jinping e de Vladimir Putin de que não estão a fornecer armas ao Irão, apesar de relatos de que Moscovo e Pequim têm partilhado informações de inteligência com Teerão. A próxima etapa conhecida é o encontro entre Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, na próxima terça-feira, onde se espera que a crise iraniana domine a agenda.

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