
Enola Holmes, ecrãs e a saudade do tato: o que chega em julho
Enquanto Enola Holmes abandona o altar para salvar o irmão, as plataformas lançam comédias, terror e prequelas, e uma revista questiona o que perdemos ao viver através de ecrãs.
Na Catedral de São Paulo, em Londres, o vestido branco de Enola Holmes roça o chão de pedra. Prestes a casar com Lord Tewkesbury, a jovem detetive vê os planos desfeitos quando chega a notícia: Sherlock, o irmão famoso, foi sequestrado. A cena, que abre a terceira aventura da personagem criada por Nancy Springer, chega à Netflix a 1 de julho, com Millie Bobby Brown novamente no papel principal. O realizador Philip Barantini, conhecido pelo thriller “Adolescencia”, assume a direção e, segundo observadores latino-americanos, confere um ritmo mais intenso à narrativa, sem abandonar o humor e o mistério vitoriano que conquistaram audiências globais.
O regresso de Enola Holmes insere-se num mês de estreias que cruzam géneros e geografias. Na Amazon Prime Video, “Elle” (1 de julho) recua aos anos 1990 para mostrar a adolescência de Elle Woods, a protagonista de “Legalmente Loira”, agora vivida por Lexi Minetree. A HBO Max aposta na comédia de ficção científica com “Stuart Fails to Save the Universe” (24 de julho), um spin-off de “A Teoria do Big Bang” que coloca o dono da loja de banda desenhada a salvar realidades paralelas. Na Índia, a série “Pritam and Pedro” (3 de julho) marca a estreia no streaming do realizador Rajkumar Hirani e do seu filho Veer, num mercado onde as produções locais disputam a atenção com os grandes lançamentos de Hollywood.
A profusão de ecrãs contrasta com uma reflexão que ganha corpo na imprensa cultural dos Estados Unidos. Um suplemento de grande circulação dedica a sua capa à perda do sentido do tato. Sara Herschander descreve como gestos outrora banais — rodar uma chave na fechadura, rabiscar notas em papel, marcar um número num teclado físico — se dissolveram na uniformidade do toque no ecrã. O ensaio alerta para os efeitos nas crianças e pergunta se um regresso a um mundo mais tátil será iminente. A mesma edição inclui artigos sobre o aniversário dos Estados Unidos, as fronteiras entre a vida e a morte nas doações de órgãos e a ascensão de imagens de sedução geradas por inteligência artificial.
Na Austrália, a imprensa literária seleciona catorze livros para julho, entre eles “Getting Murdoched”, de Andrew Dodd e Matthew Ricketson, que disseca o poder do império mediático de Rupert Murdoch. A obra, um objeto físico de papel e tinta, recorda que o jornalismo impresso ainda resiste como espaço de análise, mesmo quando as notícias se consomem cada vez mais em dispositivos móveis. No Brasil e em Portugal, os lançamentos do mês chegam sobretudo via streaming, mas a oferta literária também se renova, com títulos que exploram desde distopias ambientais até romances de formação.
No final, a imagem que perdura é a de Enola Holmes a largar o véu para se lançar numa perseguição perigosa. O gesto de abandono do altar ecoa a tensão entre o ritual tátil do casamento e a urgência digital do mistério. Enquanto as plataformas despejam novas temporadas e filmes, a pergunta de Herschander paira: o que se perde quando tudo se reduz a um ecrã? Talvez a resposta esteja menos na nostalgia do que na capacidade de, como a detetive, escolhermos quando largar o toque e quando mergulhar no enigma.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A agenda cultural de julho, incluindo o novo filme de Enola Holmes, torna-se uma lente para explorar como o toque em telas está substituindo o engajamento tátil com o mundo. O ensaio alerta que crianças pequenas estão sofrendo as piores consequências dessa mudança e questiona se um retorno a experiências físicas e manuais pode estar no horizonte.
A programação OTT desta semana apresenta Enola Holmes 3, uma aventura de mistério em que o casamento da protagonista é interrompido por um sequestro, forçando-a a abandonar a cerimônia. A lista também menciona outros lançamentos e a chegada da estação das monções.
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