
Dormir menos de 7 horas acelera envelhecimento e eleva risco de doenças, mostram estudos
Privação de sono, sedentarismo prolongado e até o consumo de café revelam impactos profundos na saúde metabólica, cognitiva e hepática, segundo investigações recentes em quatro continentes.
Nas últimas cinco décadas, a duração média do sono encolheu cerca de duas horas, fenómeno que especialistas argentinos associam a crises económicas, pluriemprego e ao uso noturno de ecrãs. A médica somnóloga Fernanda Farfan, em declarações à imprensa de Mendoza, sublinha que adultos necessitam de sete a nove horas de descanso e que a ideia de que dormir é tempo perdido se inverte na prática: a falta de sono compromete a produtividade e favorece escolhas alimentares ricas em gorduras e carboidratos, desregulando hormonas e aumentando o risco de diabetes, obesidade e hipertensão. O neurologista Miguel Daffra acrescenta que, sem as três fases de sono REM por noite, os circuitos de memória são afetados e cresce a vulnerabilidade ao declínio cognitivo.
A dimensão cognitiva e emocional é reforçada pelo divulgador científico Diego Golombek e pela investigadora Victoria Lescano Charreau, da Universidade de San Andrés, que apontam para uma tomada de decisões menos racional, reflexos mais lentos e maior ansiedade após noites mal dormidas. Em Espanha, o médico Rafael García Guzmán, especialista em longevidade, coloca o sono como o hábito número um para uma vida longa, acima do exercício e da nutrição, alertando que dormir menos de sete horas acelera o envelhecimento celular e enfraquece o sistema imunitário. A recomendação converge com a de Bangladexe, onde se insiste na manutenção de rotinas consistentes mesmo aos fins de semana e na redução da exposição à luz azul antes de deitar.
O impacto do estilo de vida sedentário, frequentemente associado a noites mal dormidas, foi quantificado por investigadores da Universidade de Glasgow com base em 91.292 participantes do UK Biobank. Períodos prolongados sentado ou deitado, sem interrupção, associaram-se a um risco 9% maior de mortalidade por cancro, sobretudo tumores relacionados com obesidade e diabetes tipo 2. Contudo, substituir apenas uma hora diária de sedentarismo contínuo por atividade ligeira, como caminhar, reduziu em 12% o risco de morte oncológica, sugerindo que pequenas pausas ativas têm efeito metabólico mensurável.
Em contraponto, um estudo observacional com 355.000 adultos revelou que o consumo elevado de café – cinco ou mais chávenas por dia – está associado a uma redução de quase metade no risco de cancro do fígado e a uma diminuição de 42% na mortalidade por causas hepáticas. Os benefícios foram observados tanto com café cafeinado como descafeinado, indicando que outros compostos naturais estarão na origem do efeito protetor. Os autores, porém, sublinham que não se pode inferir causalidade e desaconselham aumentar a ingestão apenas com esse fim, lembrando que manter um peso saudável, limitar o álcool e praticar exercício continuam a ser pilares essenciais.
O próximo passo, segundo os investigadores escoceses, passará por ensaios clínicos que permitam desenhar estratégias personalizadas para quebrar o tempo sentado, enquanto os especialistas em sono insistem na necessidade de integrar a higiene do sono nas políticas de saúde pública. A convergência das evidências sugere que a longevidade depende menos de intervenções isoladas e mais da combinação de rotinas diárias que respeitem o relógio biológico, interrompam a inatividade prolongada e modulam o consumo de substâncias como a cafeína.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A privação de sono está piorando em comparação com cinquenta anos atrás, com consequências alarmantes para a saúde. A crise econômica, os múltiplos empregos e o uso excessivo de telas estão roubando das pessoas o descanso necessário, acelerando o envelhecimento.
Um estilo de vida sedentário aumenta o risco de câncer, mas o consumo de café pode oferecer uma proteção surpreendente para o fígado. Estudos indicam que mesmo uma ou duas xícaras por dia reduzem o risco de cirrose e câncer de fígado, com benefícios maiores para quem bebe mais.
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