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Economia e Mercadosterça-feira, 30 de junho de 2026

Dólar global se fortalece e pressiona moedas emergentes no fecho do semestre

Expectativa de alta de juros nos EUA e tensões geopolíticas impulsionam a divisa americana, enquanto bancos centrais de países como Argentina, Brasil e Colômbia enfrentam desafios cambiais.

O dólar americano encerrou o primeiro semestre de 2026 em trajetória de fortalecimento generalizado, com o índice DXY a superar os 101 pontos pela primeira vez desde maio de 2025. A pressão refletiu-se de forma transversal nas moedas de economias emergentes: o peso argentino acumulou desvalorização superior a 5% em junho, o real brasileiro aproximou-se dos R$ 5,20, o rublo russo cedeu mais de 9% no mês e a rupia indiana recuou para 94,65 por dólar. Na América Latina, o peso colombiano e o sol peruano também registaram perdas, enquanto na África, o naira nigeriano depreciava-se ligeiramente para a faixa dos 1.385 por dólar no mercado oficial.

A dinâmica cambial foi impulsionada, em grande medida, pela recalibragem das expectativas em relação à política monetária da Reserva Federal norte-americana. A perspetiva de um primeiro aumento de taxas de juro ainda em outubro, seguido de um segundo no início de 2027, ganhou força após declarações do presidente da Fed, Kevin Warsh, e dados robustos do mercado de trabalho. Este ambiente de taxas mais elevadas nos EUA redirecionou fluxos de capital para ativos denominados em dólar, penalizando divisas de mercados emergentes. A decisão do Supremo Tribunal americano de manter a independência da Fed, ao permitir a permanência da governadora Lisa Cook, atenuou receios de interferência política, mas não alterou a tendência de fundo.

Aos fatores globais somaram-se dinâmicas locais que amplificaram os movimentos. Em Buenos Aires, o fim do pico sazonal de liquidação da colheita agrícola reduziu a oferta de divisas, enquanto a procura por cobertura cambial aumentou com o pagamento de subsídios de férias. O Banco Central argentino moderou as compras de reservas, adquirindo apenas 25 milhões de dólares numa sessão, o que contribuiu para que o dólar oficial atingisse os 1.500 pesos. Em Moscovo, a redução das vendas diárias de moeda estrangeira pelo banco central, de 4,62 para 0,58 mil milhões de rublos a partir de julho, coincidiu com a queda dos preços do petróleo Brent para perto dos 72 dólares, pressionando o rublo. Em São Paulo, a formação da Ptax de fim de mês e a expectativa pelos dados de emprego nos EUA ao longo da semana adicionaram volatilidade ao real.

As tensões no Médio Oriente introduziram um fator adicional de incerteza. Apesar do anúncio de um cessar-fogo e de conversações técnicas entre EUA e Irão em Doha, os preços do petróleo permaneceram voláteis, com o Brent a caminho de uma queda trimestral de quase 20%, a maior desde o início da pandemia. A possibilidade de um excesso de oferta e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz mantiveram os contratos futuros sob pressão, afetando as perspetivas de receitas para exportadores de matérias-primas como Rússia e Colômbia.

O próximo marco factual será a divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos ao longo da semana, que poderá consolidar ou atenuar as expectativas de aperto monetário. Paralelamente, a reunião do banco central colombiano nesta terça-feira, com a expectativa de um aumento de 50 pontos base na taxa de juro para 11,75%, e a redução efetiva das intervenções cambiais na Rússia a partir de quarta-feira, fornecerão indicações sobre a capacidade de resposta das autoridades monetárias à pressão cambial global.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A disparada do dólar está colocando as moedas emergentes sob forte pressão, com a taxa oficial argentina atingindo a marca simbólica de 1.500 pesos e fechando junho com o maior salto mensal em quase um ano. A tensão cambial aumenta à medida que os fluxos sazonais de dólares da agricultura diminuem e o sentimento do mercado muda, gerando temores de mais volatilidade. O regime de flutuação administrada está sendo testado e o dólar paralelo 'blue' reflete uma crescente inquietação entre os poupadores.

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A rupia indiana enfraqueceu moderadamente em relação a um dólar mais forte, fechando a 94,65, pressionada pela demanda corporativa de fim de mês e pelo sentimento de aversão ao risco. No entanto, a queda foi contida pelos preços estáveis do petróleo bruto global e pelas expectativas de intervenção do banco central. O mercado cambial permanece ordenado, com a depreciação vista como parte de uma tendência global, e não como uma crise doméstica.

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Dólar global se fortalece e pressiona moedas emergentes no fecho do semestre

Expectativa de alta de juros nos EUA e tensões geopolíticas impulsionam a divisa americana, enquanto bancos centrais de países como Argentina, Brasil e Colômbia enfrentam desafios cambiais.

O dólar americano encerrou o primeiro semestre de 2026 em trajetória de fortalecimento generalizado, com o índice DXY a superar os 101 pontos pela primeira vez desde maio de 2025. A pressão refletiu-se de forma transversal nas moedas de economias emergentes: o peso argentino acumulou desvalorização superior a 5% em junho, o real brasileiro aproximou-se dos R$ 5,20, o rublo russo cedeu mais de 9% no mês e a rupia indiana recuou para 94,65 por dólar. Na América Latina, o peso colombiano e o sol peruano também registaram perdas, enquanto na África, o naira nigeriano depreciava-se ligeiramente para a faixa dos 1.385 por dólar no mercado oficial.

A dinâmica cambial foi impulsionada, em grande medida, pela recalibragem das expectativas em relação à política monetária da Reserva Federal norte-americana. A perspetiva de um primeiro aumento de taxas de juro ainda em outubro, seguido de um segundo no início de 2027, ganhou força após declarações do presidente da Fed, Kevin Warsh, e dados robustos do mercado de trabalho. Este ambiente de taxas mais elevadas nos EUA redirecionou fluxos de capital para ativos denominados em dólar, penalizando divisas de mercados emergentes. A decisão do Supremo Tribunal americano de manter a independência da Fed, ao permitir a permanência da governadora Lisa Cook, atenuou receios de interferência política, mas não alterou a tendência de fundo.

Aos fatores globais somaram-se dinâmicas locais que amplificaram os movimentos. Em Buenos Aires, o fim do pico sazonal de liquidação da colheita agrícola reduziu a oferta de divisas, enquanto a procura por cobertura cambial aumentou com o pagamento de subsídios de férias. O Banco Central argentino moderou as compras de reservas, adquirindo apenas 25 milhões de dólares numa sessão, o que contribuiu para que o dólar oficial atingisse os 1.500 pesos. Em Moscovo, a redução das vendas diárias de moeda estrangeira pelo banco central, de 4,62 para 0,58 mil milhões de rublos a partir de julho, coincidiu com a queda dos preços do petróleo Brent para perto dos 72 dólares, pressionando o rublo. Em São Paulo, a formação da Ptax de fim de mês e a expectativa pelos dados de emprego nos EUA ao longo da semana adicionaram volatilidade ao real.

As tensões no Médio Oriente introduziram um fator adicional de incerteza. Apesar do anúncio de um cessar-fogo e de conversações técnicas entre EUA e Irão em Doha, os preços do petróleo permaneceram voláteis, com o Brent a caminho de uma queda trimestral de quase 20%, a maior desde o início da pandemia. A possibilidade de um excesso de oferta e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz mantiveram os contratos futuros sob pressão, afetando as perspetivas de receitas para exportadores de matérias-primas como Rússia e Colômbia.

O próximo marco factual será a divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos ao longo da semana, que poderá consolidar ou atenuar as expectativas de aperto monetário. Paralelamente, a reunião do banco central colombiano nesta terça-feira, com a expectativa de um aumento de 50 pontos base na taxa de juro para 11,75%, e a redução efetiva das intervenções cambiais na Rússia a partir de quarta-feira, fornecerão indicações sobre a capacidade de resposta das autoridades monetárias à pressão cambial global.

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