
Disney acusa regulador dos EUA de censura em disputa sobre programa 'The View'
Investigação da FCC sobre possível violação da regra de tempo igualitário é vista pela ABC como ataque à liberdade editorial, num contexto de erosão do apoio a Israel.
A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos abriu uma investigação ao programa de debate The View, da ABC, por eventual incumprimento da regra que exige tempo de antena igual a candidatos políticos concorrentes. A Disney, proprietária do canal, acusa a administração Trump de tentar interferir na política editorial e de violar a Primeira Emenda da Constituição, que proíbe a censura governamental. O caso foi desencadeado depois de a apresentadora Sara Haines ter classificado como “antissemita” uma candidata apoiada pelo presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, cuja equipa protestou junto dos executivos da ABC, alegando que a declaração poderia condicionar futuras participações no programa.
Na perspetiva de Washington, o presidente da FCC, Brendan Carr, indicou a intenção de argumentar que o The View não cumpre os critérios de um “programa noticioso genuíno”, o que o sujeitaria às obrigações de tempo igualitário. A Disney contrapõe que o formato mantém o estatuto de programa noticioso há décadas e que o regulador não pode ditar quais os convidados que a estação deve receber. Mais de 77 mil cidadãos enviaram comentários ao site da FCC, na sua esmagadora maioria em defesa da liberdade editorial do programa. O conflito insere-se num padrão mais amplo de pressão da administração sobre os meios de comunicação social, que já incluiu processos judiciais contra várias cadeias de televisão e jornais, bem como apelos ao despedimento de humoristas.
O episódio coincide com uma transformação profunda da opinião pública norte-americana sobre Israel, documentada por uma sondagem da Associated Press e do NORC. Cerca de um terço dos adultos nos EUA — e quase metade dos eleitores democratas — considera que Israel cometeu genocídio em Gaza. Entre os judeus americanos, 30% partilham dessa avaliação, enquanto 49% a rejeitam. A mesma sondagem revela que 58% dos democratas acham que os EUA “apoiam demasiado” os israelitas, um aumento face a 45% em janeiro de 2024. O presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, beneficia desta viragem: 44% dos judeus americanos veem-no com agrado, contra apenas 32% que têm uma opinião favorável do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Observadores internacionais notam que a disputa pode afetar as relações entre a autarquia de Nova Iorque e a estação televisiva, depois de a equipa de Mamdani ter ameaçado condicionar futuras presenças no programa. A investigação da FCC prossegue sem decisão final, enquanto a ABC insiste que o governo não tem legitimidade para se “sentar na cadeira de editor”. O desfecho do caso é aguardado como um teste aos limites da intervenção do executivo norte-americano sobre as redações, num momento em que o consenso bipartidário em torno de Israel se desfaz e a polarização atinge o próprio debate sobre o que constitui informação noticiosa.
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
| Imprensa israelense | 0.00 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
O grupo de Mamdani protesta contra a acusação antissemita, defendendo sua candidata.
Ao reduzir a controvérsia a um conflito local, evitam-se as implicações nacionais e internacionais mais amplas.
O bloco omite a investigação da FCC e a conexão com as relações EUA-Israel, que são centrais em outros blocos.
A Disney denuncia a tentativa do governo dos EUA de censurar a liberdade de expressão.
Ao apresentar a ação da FCC como um ataque à Primeira Emenda, a posição da Disney é legitimada e a intervenção governamental é condenada.
O bloco omite a pesquisa sobre judeus americanos e as críticas a Netanyahu, concentrando-se apenas na disputa de censura.
A pesquisa revela que os judeus americanos preferem Mamdani a Netanyahu, sinalizando uma fratura no eixo EUA-Israel.
Ao usar dados estatísticos, uma mudança de opinião é apresentada como um fato objetivo, sem comentário direto.
O bloco omite toda a controvérsia ABC-FCC, concentrando-se exclusivamente na pesquisa.
A administração Trump ameaça a liberdade de imprensa e a aliança com Israel, enquanto Netanyahu perde apoio.
Ao ligar duas crises aparentemente separadas (censura e relações com Israel) em uma única narrativa de declínio, o senso de urgência é amplificado.
O bloco omite o protesto local de Mamdani em Nova York, concentrando-se em aspectos nacionais e internacionais.
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