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Economia e Mercadosdomingo, 28 de junho de 2026

Digitalização de MPMEs avança, mas lacunas de crédito e dados confiáveis persistem

De Bangladesh à Colômbia, iniciativas de pagamento digital e crédito dirigido ampliam a inclusão financeira de micro e pequenas empresas, enquanto no Irã a contestação de estatísticas oficiais evidencia os riscos de políticas baseadas em indicadores frágeis.

As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) sustentam o emprego e o produto nas economias emergentes, mas seu acesso a serviços financeiros formais permanece limitado. Em Bangladesh, o censo económico de 2024 revela um salto de quase 50% no número de estabelecimentos numa década, totalizando 11,7 milhões de unidades — 99% delas classificadas como micro, cottage ou pequenas. O setor absorve 85% da mão de obra industrial e contribui com 27% a 30% do PIB. No entanto, apenas 9% dos empreendedores têm acesso ao sistema bancário, uma lacuna que se repete em mercados como o brasileiro, onde 13,2 milhões de MEIs e pequenos negócios ainda encontram forte restrição de crédito.

A resposta a esse hiato tem vindo sobretudo da digitalização e de programas de assistência técnica. Na Colômbia, a adoção de transferências eletrónicas e de códigos QR já alcança cerca de 30% das mipymes, e o sistema Bre‑B, lançado em outubro de 2025, foi abraçado por um quarto das empresas em poucos meses. Em paralelo, bancos bengalis como City Bank e Trust Bank expandem nanoempréstimos digitais: o City Bank já desembolsou quase 10 mil crores de takas sem papel, enquanto o Trust Bank aposta em avaliação baseada em fluxo de caixa e transações digitais para atender oficinas e microindústrias. Na Indonésia, a estatal Semen Indonesia assistiu 580 UMKM com formação em digitalização e branding, gerando 6,9 mil milhões de rupias em negócios e mais de 2.100 postos de trabalho locais.

Contudo, a fiabilidade dos indicadores que orientam essas políticas nem sempre é sólida. No Irão, o anúncio de um crescimento de 4,1% no setor mineiro no ano de 1404 contrasta com os relatos do terreno: empresários apontam custos explosivos, falta de gasóleo e maquinaria parada. Consultores da Câmara de Comércio local questionam a metodologia oficial, lembrando que divergências semelhantes podem distorcer o diagnóstico sobre as MPMEs noutros países. Na própria Colômbia, embora os pagamentos digitais avancem, só 41,9% das empresas contribuem para a segurança social e muitas continuam a misturar finanças do negócio e do lar, sinal de que os números de acesso não capturam a saúde financeira real.

Os próximos passos exigem um esforço coordenado entre infrastrutura digital, educação financeira e estatísticas mais granulares. O governo do Bangladesh fixou a meta de elevar a participação das MPMEs no PIB para 35% até 2030 e anunciou um pacote orçamental de 2 mil crores de takas, complementando um fundo de refinanciamento de 5 mil crores. Já a Colômbia aposta na ampliação do Bre‑B e em escolas de negócios para os microempreendedores. Para as economias lusófonas, onde as pequenas empresas são igualmente maioritárias mas padecem de informalidade e dados frágeis, o momento-chave será a verificação de que o aumento dos empréstimos e dos pagamentos digitais se traduz, de facto, em mais empregos formais e resiliência produtiva.

Divergência — quem conta como
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4 blocos · posições de 0.00 a 0.00
CríticoFavorável
IRNSEAINDLAT
Divergência entre blocos de imprensa
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Imprensa indiana e sul-asiática0.00neutral
Imprensa latino-americana0.00neutral
A história sobre pagamentos digitais e apoio estatal às pequenas empresas não é coberta nos materiais dos blocos de imprensa fornecidos.
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domingo, 28 de junho de 2026

Digitalização de MPMEs avança, mas lacunas de crédito e dados confiáveis persistem

De Bangladesh à Colômbia, iniciativas de pagamento digital e crédito dirigido ampliam a inclusão financeira de micro e pequenas empresas, enquanto no Irã a contestação de estatísticas oficiais evidencia os riscos de políticas baseadas em indicadores frágeis.

As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) sustentam o emprego e o produto nas economias emergentes, mas seu acesso a serviços financeiros formais permanece limitado. Em Bangladesh, o censo económico de 2024 revela um salto de quase 50% no número de estabelecimentos numa década, totalizando 11,7 milhões de unidades — 99% delas classificadas como micro, cottage ou pequenas. O setor absorve 85% da mão de obra industrial e contribui com 27% a 30% do PIB. No entanto, apenas 9% dos empreendedores têm acesso ao sistema bancário, uma lacuna que se repete em mercados como o brasileiro, onde 13,2 milhões de MEIs e pequenos negócios ainda encontram forte restrição de crédito.

A resposta a esse hiato tem vindo sobretudo da digitalização e de programas de assistência técnica. Na Colômbia, a adoção de transferências eletrónicas e de códigos QR já alcança cerca de 30% das mipymes, e o sistema Bre‑B, lançado em outubro de 2025, foi abraçado por um quarto das empresas em poucos meses. Em paralelo, bancos bengalis como City Bank e Trust Bank expandem nanoempréstimos digitais: o City Bank já desembolsou quase 10 mil crores de takas sem papel, enquanto o Trust Bank aposta em avaliação baseada em fluxo de caixa e transações digitais para atender oficinas e microindústrias. Na Indonésia, a estatal Semen Indonesia assistiu 580 UMKM com formação em digitalização e branding, gerando 6,9 mil milhões de rupias em negócios e mais de 2.100 postos de trabalho locais.

Contudo, a fiabilidade dos indicadores que orientam essas políticas nem sempre é sólida. No Irão, o anúncio de um crescimento de 4,1% no setor mineiro no ano de 1404 contrasta com os relatos do terreno: empresários apontam custos explosivos, falta de gasóleo e maquinaria parada. Consultores da Câmara de Comércio local questionam a metodologia oficial, lembrando que divergências semelhantes podem distorcer o diagnóstico sobre as MPMEs noutros países. Na própria Colômbia, embora os pagamentos digitais avancem, só 41,9% das empresas contribuem para a segurança social e muitas continuam a misturar finanças do negócio e do lar, sinal de que os números de acesso não capturam a saúde financeira real.

Os próximos passos exigem um esforço coordenado entre infrastrutura digital, educação financeira e estatísticas mais granulares. O governo do Bangladesh fixou a meta de elevar a participação das MPMEs no PIB para 35% até 2030 e anunciou um pacote orçamental de 2 mil crores de takas, complementando um fundo de refinanciamento de 5 mil crores. Já a Colômbia aposta na ampliação do Bre‑B e em escolas de negócios para os microempreendedores. Para as economias lusófonas, onde as pequenas empresas são igualmente maioritárias mas padecem de informalidade e dados frágeis, o momento-chave será a verificação de que o aumento dos empréstimos e dos pagamentos digitais se traduz, de facto, em mais empregos formais e resiliência produtiva.

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