
Detido em Morelos suspeito de envolvimento no duplo homicídio de funcionários da capital mexicana
A captura de Jovany “N”, apontado como membro da célula que matou Ximena Guzmán e José Muñoz, insere-se numa série de detenções que expõem a pressão do crime organizado sobre instituições e espaços urbanos na Cidade do México e em Bogotá.
Agentes federais e da Cidade do México detiveram, no município de Yautepec, estado de Morelos, Jovany “N”, conhecido como “La Muñeca”, apontado como um dos coordenadores do ataque que vitimou os funcionários públicos Ximena Guzmán Cuevas e José Muñoz Vega, em maio de 2025, na Calzada de Tlalpan. A operação, realizada na tarde de 26 de junho com apoio das autoridades estaduais de Morelos, resultou ainda na apreensão de uma arma de fogo curta, uma balança de precisão e doses de droga, segundo informou a Secretaria de Segurança Cidadã da capital.
O secretário Pablo Vázquez Camacho qualificou o detido como “um dos objetivos principais” desta fase da investigação e afirmou que a captura permitirá abrir novas linhas de apuração, mantidas sob reserva. O homicídio dos dois servidores, ocorrido há mais de um ano, levou à criação de um grupo especial de trabalho que reúne a Fiscalía General de Justicia da Cidade do México, a Secretaria de Segurança Cidadã, a Secretaria de Segurança e Proteção Cidadã federal, o Centro Nacional de Inteligência e a Fiscalía General de la República. Na perspetiva das autoridades mexicanas, a detenção representa um avanço significativo, embora o móvel do crime ainda não tenha sido esclarecido publicamente.
O caso insere-se num contexto mais amplo de operações contra redes criminosas na capital. No mesmo fim de semana, a Fiscalía deteve Melanie Michell “N” e Kevin Iván “N”, suspeitos de homicídio e roubo num hotel da alcaldía Cuauhtémoc, com um modus operandi semelhante ao do grupo conhecido como “Las Goteras”, que droga vítimas para as despojar de bens. Em paralelo, a detenção de Eduardo Pérez Tueme, companheiro da ex-alcaldesa Sandra Cuevas, reacendeu o escrutínio sobre os vínculos entre figuras políticas e grupos como La Chokiza e a Unión Tepito, depois de dois outros ex-parceiros de Cuevas terem sido presos em setembro de 2025. Ainda na segunda-feira, três menores foram apreendidos em ocorrências distintas: um por homicídio doloso em Iztapalapa e dois por porte de fuzis AK-47 e drogas em Tepito, bairro que concentra disputas entre facções.
Em Bogotá, um juiz de control de garantias legalizou a captura do cidadão britânico Matthew Foster, acusado do feminicídio da modelo Natalia Villalba Angarita, cujo corpo foi encontrado dentro de uma mala num apartamento do bairro El Chicó. Foster foi detido no aeroporto de Quito, no Equador, após notificação vermelha da Interpol, e as autoridades colombianas apontam contradições na sua versão, que nega a presença no local do crime. A próxima audiência, que definirá a imputação de cargos e a medida cautelar, foi adiada a pedido do próprio acusado.
As investigações prosseguem em todas as frentes. Na Cidade do México, a chefe de Governo, Clara Brugada, garantiu que o trabalho “não se detém” e que as instituições atuam “para que não haja impunidade”. Em Bogotá, o alcaide Carlos Fernando Galán afirmou que o processado “terá de responder perante a justiça”. As autoridades de ambos os países mantêm as apurações em curso, sem antecipar prazos para conclusão.
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