
Erro de cálculo quase provoca tragédia em voo da Wizz Air em Londres
Relatório britânico revela que Boeing 737 Max com 168 pessoas decolou com margem de apenas dois segundos; outros incidentes recentes reacendem debate sobre segurança nos transportes.
Um Boeing 737 Max operado pela Ascend Airways para a Wizz Air escapou por uma margem de apenas 162 metros — o equivalente a dois segundos — de um desastre no aeroporto de Luton, em Londres, em abril de 2025. A bordo estavam 168 pessoas, entre passageiros e tripulação, no voo 5411 com destino a Atenas. O incidente só veio a público após a divulgação de um relatório da Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido (AAIB), que apontou uma falha na inserção das velocidades de decolagem no computador de bordo.
Segundo os investigadores britânicos, a torre de controle ofereceu à tripulação uma partida a partir de uma interseção da pista, encurtando a distância disponível de 2.116 para 1.771 metros. Os pilotos aceitaram, mas não atualizaram corretamente as chamadas "V speeds", o que resultou numa potência dos motores de 82,1%, abaixo dos 85,2% necessários. O avião percorreu mais pista do que o previsto, descolou a apenas 146 nós (270 km/h) e sobrevoou o final da pista a menos de quatro metros de altura, quando o mínimo regulamentar é de cerca de 11 metros. Imagens de vigilância mostram a aeronave rente aos edifícios. O comandante, de 61 anos e mais de 10 mil horas de voo, e o copiloto acreditavam ter inserido os dados corretos. A companhia aérea reviu os seus procedimentos após o episódio.
O caso de Luton não é o único a levantar preocupações. No dia 11 de julho, um Boeing 767 da United Airlines que fazia a rota Roma–Newark com 227 passageiros e seis tripulantes declarou emergência sobre o Atlântico devido a vibrações no motor direito e um odor estranho a bordo, tendo aterrado em Shannon, na Irlanda, sem feridos. Na mesma semana, um voo da US-Bangla Airlines entre Daca e Chennai, com 188 ocupantes, operou com o ar condicionado avariado, causando dificuldades respiratórias a vários passageiros e obrigando a tripulação a administrar oxigénio a uma pessoa com asma; a companhia reconheceu que o sistema não funcionava a 100%. Na Índia, uma avaria no sistema de refrigeração de um comboio suburbano de Bombaim provocou desmaios e um internamento hospitalar, segundo as autoridades ferroviárias.
Paralelamente, a imprensa internacional tem destacado a "fila 11" como um lugar de coincidências fatais e de sobrevivência: em junho de 2025, o único sobrevivente da queda de um Boeing 787 da Air India em Ahmedabad, que matou 260 pessoas, ocupava o assento 11A; dias antes, um passageiro sérvio de 61 anos foi parcialmente sugado para fora de um Boeing 737 da Ryanair após a explosão de um motor e a rutura de uma janela, sendo salvo por outros ocupantes — estava no 11F. A história recorda ainda o acidente do voo 301 da Birgenair, em 1996, na República Dominicana, no qual 189 pessoas morreram possivelmente devido a uma vespa que bloqueou um sensor de velocidade. As investigações sobre os incidentes mais recentes prosseguem, e as autoridades de aviação civil de vários países acompanham os desenvolvimentos.
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