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Sociedade & Culturaquarta-feira, 8 de julho de 2026

De elefantes proibidos a biquínis multados: as novas regras que redesenham as praias do mundo

Da Normandia ao Lago de Como, passando por praias da Sardenha e do Japão, multiplicam-se as restrições ao comportamento dos banhistas, num esforço para conter os excessos do turismo de massas e preservar a vida local.

Em 2009, elefantes de um circo itinerante refrescaram-se nas águas de Granville, na Normandia, e deixaram os seus dejetos a flutuar no mar. A comuna francesa reagiu com uma proibição que ainda hoje surpreende os visitantes: é vetada a presença de elefantes na praia. A regra, que parece saída de um conto surrealista, é apenas uma das muitas que, nos últimos anos, têm vindo a transformar a experiência balnear em cidades e vilas costeiras de todo o mundo.

Na vila piscatória de Varenna, às margens do Lago de Como, a câmara municipal acaba de fixar multas entre 50 e 200 euros para quem circular em espaços públicos de tronco nu ou em traje de banho. A medida, justificada pelo presidente da autarquia, Mauro Manzoni, como uma defesa da “qualidade de vida dos residentes”, surge num contexto de pressão turística extrema: nos picos da estação, a povoação de 650 habitantes recebe até 17.500 visitantes por dia. Aos grupos organizados passou também a ser imposto um máximo de 25 pessoas, e os guias estão proibidos de usar altifalantes. A decisão ecoa iniciativas anteriores em Itália, como as multas de até 500 euros em Sorrento para quem passeia em roupa de banho, ou as “zonas de não espera” de Portofino, onde tirar selfies em certos pontos pode custar 275 euros.

A tendência regulatória não se limita ao vestuário. Na Sardenha, o areal de La Pelosa exige que as toalhas tenham uma base impermeável para não reterem grãos de areia, e os visitantes devem lavar os pés à saída. Levar areia ou conchas da ilha é proibido, com coimas que podem atingir os 3.500 euros. Em Espanha, fumar em cerca de 600 praias é ilegal; em França, a infração custa 135 euros. No Japão, as tatuagens, historicamente associadas à criminalidade, são mal vistas em muitas praias, e os seguranças podem exigir que sejam cobertas. Na Austrália, o icónico Bondi Beach proíbe o consumo de álcool, e na Califórnia, em Del Mar, não se podem cavar buracos com mais de 60 centímetros, nem enterrar pessoas na areia.

Observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro notam que, embora o litoral lusófono ainda não tenha adotado restrições tão minuciosas, o debate sobre a pressão turística começa a ganhar corpo. A proibição de elefantes em Granville ou a limitação de biquínis em Cape May, Nova Jérsia, onde o traje de banho só é permitido entre as 7h e as 19h, revelam um movimento mais amplo: a tentativa de devolver aos residentes o controlo sobre espaços que o turismo de massas transformou em cenários de consumo efémero. Em Varenna, um lojista resumiu o espírito da nova ordem: “Na praia, pode-se fazer o que se quiser – mas, quando se anda pela vila e se entra em lojas, restaurantes, igrejas ou na praça, é preciso vestir-se com decoro.”

A imagem que fica é a de um equilíbrio tenso entre a hospitalidade e a salvaguarda da vida quotidiana. Enquanto os autarcas italianos multam torsos nus e os britânicos aplicam coimas de até mil euros a quem recolhe seixos ao abrigo do Coastal Protection Act de 1949, as praias vão-se tornando territórios cada vez mais codificados. Resta saber se o visitante do próximo verão levará na mala, além do protetor solar, um manual de etiqueta à beira-mar.

Divergência — quem conta como
Eixo: Decoro vs. Spontaneità
33%Média
3 blocos · posições de −0.30 a +0.50
Critico verso le regoleFavorevole alle multe
EURRUSATL
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa europeia continental−0.30critical
Imprensa russa e CEI0.00neutral
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50aligned
Imprensa europeia continental−0.30
Voz

Rules are becoming increasingly absurd, but the problem of mass tourism is real: a balance between decorum and freedom must be found.

Mecanismocatalogazione allarmistica

By juxtaposing various news items about bizarre rules from across Europe, the impression of a rampant and out-of-control phenomenon is created, normalizing the alarm.

Omissão

The perspective of tourists who might feel penalized by excessive rules is not explored, nor is the positive economic impact of tourism discussed.

CeticismoPragmatismoVozes divididas
Imprensa russa e CEI0.00
Voz

In Italy, in the village of Varenna, fines have been introduced for walking around in swimwear in public areas, with penalties from €50 to €200.

Mecanismoriporto neutrale

The news is reported without commentary or contextualization, presenting the rules as a fact, which normalizes them without judgment.

Omissão

The overtourism context that led to these rules is not mentioned, nor are the reactions of residents or tourists.

DistanciamentoPragmatismo
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50
Voz

We should adopt the same fines for bad beach behavior: here are seven habits that deserve penalties.

Mecanismoironia propositiva

The author uses the Italian example as a pretext for a humorous list of behaviors to fine, turning a local news item into a personal and ironic policy proposal.

Omissão

The reason why the Italian village introduced the fines (overtourism, protection of residents) is not explained, making the proposal superficial and decontextualized.

IroniaPaternalismo

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

De elefantes proibidos a biquínis multados: as novas regras que redesenham as praias do mundo

Da Normandia ao Lago de Como, passando por praias da Sardenha e do Japão, multiplicam-se as restrições ao comportamento dos banhistas, num esforço para conter os excessos do turismo de massas e preservar a vida local.

Em 2009, elefantes de um circo itinerante refrescaram-se nas águas de Granville, na Normandia, e deixaram os seus dejetos a flutuar no mar. A comuna francesa reagiu com uma proibição que ainda hoje surpreende os visitantes: é vetada a presença de elefantes na praia. A regra, que parece saída de um conto surrealista, é apenas uma das muitas que, nos últimos anos, têm vindo a transformar a experiência balnear em cidades e vilas costeiras de todo o mundo.

Na vila piscatória de Varenna, às margens do Lago de Como, a câmara municipal acaba de fixar multas entre 50 e 200 euros para quem circular em espaços públicos de tronco nu ou em traje de banho. A medida, justificada pelo presidente da autarquia, Mauro Manzoni, como uma defesa da “qualidade de vida dos residentes”, surge num contexto de pressão turística extrema: nos picos da estação, a povoação de 650 habitantes recebe até 17.500 visitantes por dia. Aos grupos organizados passou também a ser imposto um máximo de 25 pessoas, e os guias estão proibidos de usar altifalantes. A decisão ecoa iniciativas anteriores em Itália, como as multas de até 500 euros em Sorrento para quem passeia em roupa de banho, ou as “zonas de não espera” de Portofino, onde tirar selfies em certos pontos pode custar 275 euros.

A tendência regulatória não se limita ao vestuário. Na Sardenha, o areal de La Pelosa exige que as toalhas tenham uma base impermeável para não reterem grãos de areia, e os visitantes devem lavar os pés à saída. Levar areia ou conchas da ilha é proibido, com coimas que podem atingir os 3.500 euros. Em Espanha, fumar em cerca de 600 praias é ilegal; em França, a infração custa 135 euros. No Japão, as tatuagens, historicamente associadas à criminalidade, são mal vistas em muitas praias, e os seguranças podem exigir que sejam cobertas. Na Austrália, o icónico Bondi Beach proíbe o consumo de álcool, e na Califórnia, em Del Mar, não se podem cavar buracos com mais de 60 centímetros, nem enterrar pessoas na areia.

Observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro notam que, embora o litoral lusófono ainda não tenha adotado restrições tão minuciosas, o debate sobre a pressão turística começa a ganhar corpo. A proibição de elefantes em Granville ou a limitação de biquínis em Cape May, Nova Jérsia, onde o traje de banho só é permitido entre as 7h e as 19h, revelam um movimento mais amplo: a tentativa de devolver aos residentes o controlo sobre espaços que o turismo de massas transformou em cenários de consumo efémero. Em Varenna, um lojista resumiu o espírito da nova ordem: “Na praia, pode-se fazer o que se quiser – mas, quando se anda pela vila e se entra em lojas, restaurantes, igrejas ou na praça, é preciso vestir-se com decoro.”

A imagem que fica é a de um equilíbrio tenso entre a hospitalidade e a salvaguarda da vida quotidiana. Enquanto os autarcas italianos multam torsos nus e os britânicos aplicam coimas de até mil euros a quem recolhe seixos ao abrigo do Coastal Protection Act de 1949, as praias vão-se tornando territórios cada vez mais codificados. Resta saber se o visitante do próximo verão levará na mala, além do protetor solar, um manual de etiqueta à beira-mar.

Divergência — quem conta como
Eixo: Decoro vs. Spontaneità
33%Média
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Critico verso le regoleFavorevole alle multe
EURRUSATL
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Imprensa europeia continental−0.30critical
Imprensa russa e CEI0.00neutral
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50aligned
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Rules are becoming increasingly absurd, but the problem of mass tourism is real: a balance between decorum and freedom must be found.

Mecanismocatalogazione allarmistica

By juxtaposing various news items about bizarre rules from across Europe, the impression of a rampant and out-of-control phenomenon is created, normalizing the alarm.

Omissão

The perspective of tourists who might feel penalized by excessive rules is not explored, nor is the positive economic impact of tourism discussed.

CeticismoPragmatismoVozes divididas
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In Italy, in the village of Varenna, fines have been introduced for walking around in swimwear in public areas, with penalties from €50 to €200.

Mecanismoriporto neutrale

The news is reported without commentary or contextualization, presenting the rules as a fact, which normalizes them without judgment.

Omissão

The overtourism context that led to these rules is not mentioned, nor are the reactions of residents or tourists.

DistanciamentoPragmatismo
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50
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We should adopt the same fines for bad beach behavior: here are seven habits that deserve penalties.

Mecanismoironia propositiva

The author uses the Italian example as a pretext for a humorous list of behaviors to fine, turning a local news item into a personal and ironic policy proposal.

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