
Da China à Argentina, pacientes de ELA e Alzheimer partilham luta por dignidade
Ex-executivo chinês trabalha até ao limite pela cura, enquanto famílias no Brasil e Itália enfrentam dilemas de cuidado e morte assistida.
Cai Lei, antigo vice-presidente do gigante chinês de comércio eletrónico JD.com, está nos estádios finais da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Totalmente paralisado, comunica e trabalha apenas através de um dispositivo de seguimento ocular, dedicando 12 horas diárias à aceleração de investigações para uma cura. “Só a morte me pode parar”, afirmou, segundo relatos na imprensa da China. O seu caso ganha destaque no mesmo mês em que se assinala a jornada mundial da ELA (21 de junho) e o mês de sensibilização no Canadá, sublinhando a urgência de respostas para uma patologia neurodegenerativa que afeta cerca de 3.000 pessoas só na Argentina, de acordo com o registo voluntário da Fundación Esteban Bullrich.
Na América do Sul, o ex-senador e ex-ministro argentino Esteban Bullrich, diagnosticado em 2021, descreveu a sua condição atual em texto comovente: “Só posso mover os olhos. Já não posso falar. Dependo de outros para cada aspeto da minha vida quotidiana”. A sua fundação promove formação de profissionais de saúde e um concerto solidário no Teatro Colón, em Buenos Aires, enquanto o registo de pacientes contribui para mapear a doença. No Canadá, Normand MacIsaac, de Montreal, partilha há mais de uma década a sua vivência com ELA como forma de advocacy, impulsionada por investimentos em investigação que resultaram da campanha viral “Ice Bucket Challenge”, que angariou 17,2 milhões de dólares canadianos. A diretora de investigação clínica da Universidade McGill, Angela Genre, afirma que os resultados atuais indicam “um avanço rápido em direção ao tratamento de todos”.
O cuidado diário e o afeto emergem como dimensões centrais noutras histórias. No Brasil, a história do casal Daniel, de 88 anos, com Alzheimer, e Gladys, de 81, com demência, viralizou nas redes sociais através dos vídeos da filha Andréa Fonseca. A experiência de institucionalização, longe de ser um abandono, representou para a família a garantia de acompanhamento 24 horas e de uma rotina estruturada, essencial para pessoas com défices cognitivos. No Reino Unido, o veterano jornalista Jon Snow, de 78 anos, revelou publicamente o seu diagnóstico de Alzheimer, recebido em 2023, declarando não temer a morte e sendo elogiado pela Alzheimer’s Society pela decisão de partilhar a sua condição.
A dimensão ética e tecnológica completa o cenário. Em Itália, uma doente de 72 anos, identificada como Irene, com ELA em fase avançada e totalmente paralisada, aguarda há meses a transferência de um programa e equipamento para suicídio medicamente assistido, apesar de a comissão médica da ASL Napoli 3 Sud ter verificado todos os requisitos. O sistema, desenvolvido pelo CNR e já utilizado no caso “Libera” na Toscana, exige apenas a calibração do apontador ocular às condições clínicas da paciente. O atraso, atribuído a verificações administrativas adicionais pela empresa de saúde toscana, reacende o debate sobre o direito à morte digna. As próximas etapas incluem a realização do concerto solidário em Buenos Aires, a resolução do impasse italiano e o avanço de medicamentos experimentais que, segundo investigadores canadianos, poderão transformar a ELA numa doença crónica gerível.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Histórias de casais e indivíduos com Alzheimer ou ELA mostram que o afeto e a força interior persistem apesar da deterioração física. Através das redes sociais, compartilham momentos cotidianos que emocionam e geram conscientização. A mensagem central é de resiliência e esperança.
An ALS patient has been given the green light for assisted suicide, yet bureaucratic delays keep her waiting. The case exposes the gap between legal rights and their implementation, underscoring the fight for dignity. Advocacy groups denounce institutional inertia.
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