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Geopolítica & Políticaterça-feira, 23 de junho de 2026

Crise diplomática entre Kiev e Varsóvia afasta Zelensky de conferência sobre reconstrução da Ucrânia

Presidente ucraniano não participará do encontro em Gdansk após disputa sobre condecoração a unidade militar com nome ligado à UPA, grupo histórico que divide polacos e ucranianos.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, não comparecerá à Conferência para a Recuperação da Ucrânia, que decorre entre 25 e 26 de junho em Gdansk, na Polónia. A decisão, confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, surge na sequência de um agravamento das tensões bilaterais depois de Zelensky ter atribuído, no final de maio, a designação honorífica “Heróis da UPA” a uma unidade de forças especiais. A medida provocou a revogação, pelo Presidente polaco Karol Nawrocki, da Ordem da Águia Branca concedida a Zelensky em 2023, gesto a que o líder ucraniano respondeu devolvendo a condecoração por correio. Vários antigos presidentes e altos funcionários ucranianos renunciaram também às suas distinções polacas. A delegação de Kiev em Gdansk será chefiada pela primeira-ministra, Iulia Svyrydenko, com o objetivo, segundo o porta-voz da diplomacia ucraniana, de manter a conferência “num quadro pragmático e económico, sem politização excessiva nem escândalos”.

As posições dos dois governos revelam uma clivagem interna na própria Polónia. O Presidente Nawrocki, oriundo do campo nacionalista, sustentou a decisão de retirar a ordem máxima, enquanto o primeiro-ministro Donald Tusk, líder da plataforma centrista e pró-europeia, classificou o conflito como “um erro estratégico” e afirmou que a ausência de Zelensky pode contribuir para uma “desescalada”. Tusk reconheceu publicamente o crescimento de sentimentos antiucranianos na sociedade polaca, mas comprometeu-se a não alimentar tensões. Observadores ocidentais, citados em análises de imprensa, descrevem Tusk como “o único adulto na sala” e alertam para o risco de a disputa beneficiar Moscovo, minando a unidade da coligação de apoio a Kiev. Em sentido contrário, vozes marginais na imprensa polaca sugeriram que Varsóvia deveria recompor relações com a Rússia para fazer face à Ucrânia, uma linha rejeitada pelo Executivo.

A conferência de Gdansk é considerada crucial para a Ucrânia, que procura atrair financiamento para a reconstrução da sua economia devastada pela guerra, e para a Polónia, que ambiciona afirmar-se como líder regional e envolver o seu tecido empresarial nos futuros contratos de recuperação. O evento contará com a presença de líderes europeus como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, além de delegações de cerca de cem países. A participação anunciada do secretário do Conselho de Segurança da Arménia, Armen Grigoryan, é lida por analistas em Bruxelas como mais um sinal do afastamento de Erevan em relação a Moscovo e da aproximação à União Europeia, num contexto de crescentes pressões económicas russas sobre o Cáucaso.

O pano de fundo da crise é a memória divergente da Segunda Guerra Mundial. Na Ucrânia, o Exército Insurgente Ucraniano (UPA) é celebrado como força de resistência anticomunista; na Polónia, é associado aos massacres de dezenas de milhares de civis polacos na Volínia entre 1943 e 1945. A Rússia, que proibiu a UPA como organização extremista, é apontada por analistas ocidentais como a principal beneficiária do desgaste entre os dois aliados. O primeiro-ministro Tusk ainda não referendou o decreto presidencial de revogação da Ordem da Águia Branca, o que mantém uma margem para gestos de apaziguamento. A conferência de Gdansk testará a capacidade de a cooperação pragmática se sobrepor a feridas históricas, num momento em que a frente diplomática da guerra permanece tão exposta como a militar.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa russa e CEIImprensa atlântica / anglosfera
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Zelensky evita a conferência de Gdańsk para escapar do constrangimento após glorificar a UPA, vista como criminosa na Polônia. Varsóvia está indignada, o sentimento antiucraniano cresce e algumas vozes chegam a pedir a reaproximação com Moscou. A cúpula será mais produtiva sem o líder ucraniano, e a fratura expõe as rachaduras da aliança ocidental.

Imprensa atlântica / anglosfera/ Progressista
DistanciamentoPragmatismo

Zelensky não participará da conferência de reconstrução da Ucrânia em Gdańsk após uma disputa diplomática sobre uma honraria de Estado polonesa. A primeira-ministra ucraniana chefiará a delegação. O encontro com líderes europeus focará nos esforços práticos de reconstrução.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Crise diplomática entre Kiev e Varsóvia afasta Zelensky de conferência sobre reconstrução da Ucrânia

Presidente ucraniano não participará do encontro em Gdansk após disputa sobre condecoração a unidade militar com nome ligado à UPA, grupo histórico que divide polacos e ucranianos.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, não comparecerá à Conferência para a Recuperação da Ucrânia, que decorre entre 25 e 26 de junho em Gdansk, na Polónia. A decisão, confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, surge na sequência de um agravamento das tensões bilaterais depois de Zelensky ter atribuído, no final de maio, a designação honorífica “Heróis da UPA” a uma unidade de forças especiais. A medida provocou a revogação, pelo Presidente polaco Karol Nawrocki, da Ordem da Águia Branca concedida a Zelensky em 2023, gesto a que o líder ucraniano respondeu devolvendo a condecoração por correio. Vários antigos presidentes e altos funcionários ucranianos renunciaram também às suas distinções polacas. A delegação de Kiev em Gdansk será chefiada pela primeira-ministra, Iulia Svyrydenko, com o objetivo, segundo o porta-voz da diplomacia ucraniana, de manter a conferência “num quadro pragmático e económico, sem politização excessiva nem escândalos”.

As posições dos dois governos revelam uma clivagem interna na própria Polónia. O Presidente Nawrocki, oriundo do campo nacionalista, sustentou a decisão de retirar a ordem máxima, enquanto o primeiro-ministro Donald Tusk, líder da plataforma centrista e pró-europeia, classificou o conflito como “um erro estratégico” e afirmou que a ausência de Zelensky pode contribuir para uma “desescalada”. Tusk reconheceu publicamente o crescimento de sentimentos antiucranianos na sociedade polaca, mas comprometeu-se a não alimentar tensões. Observadores ocidentais, citados em análises de imprensa, descrevem Tusk como “o único adulto na sala” e alertam para o risco de a disputa beneficiar Moscovo, minando a unidade da coligação de apoio a Kiev. Em sentido contrário, vozes marginais na imprensa polaca sugeriram que Varsóvia deveria recompor relações com a Rússia para fazer face à Ucrânia, uma linha rejeitada pelo Executivo.

A conferência de Gdansk é considerada crucial para a Ucrânia, que procura atrair financiamento para a reconstrução da sua economia devastada pela guerra, e para a Polónia, que ambiciona afirmar-se como líder regional e envolver o seu tecido empresarial nos futuros contratos de recuperação. O evento contará com a presença de líderes europeus como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, além de delegações de cerca de cem países. A participação anunciada do secretário do Conselho de Segurança da Arménia, Armen Grigoryan, é lida por analistas em Bruxelas como mais um sinal do afastamento de Erevan em relação a Moscovo e da aproximação à União Europeia, num contexto de crescentes pressões económicas russas sobre o Cáucaso.

O pano de fundo da crise é a memória divergente da Segunda Guerra Mundial. Na Ucrânia, o Exército Insurgente Ucraniano (UPA) é celebrado como força de resistência anticomunista; na Polónia, é associado aos massacres de dezenas de milhares de civis polacos na Volínia entre 1943 e 1945. A Rússia, que proibiu a UPA como organização extremista, é apontada por analistas ocidentais como a principal beneficiária do desgaste entre os dois aliados. O primeiro-ministro Tusk ainda não referendou o decreto presidencial de revogação da Ordem da Águia Branca, o que mantém uma margem para gestos de apaziguamento. A conferência de Gdansk testará a capacidade de a cooperação pragmática se sobrepor a feridas históricas, num momento em que a frente diplomática da guerra permanece tão exposta como a militar.

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Zelensky não participará da conferência de reconstrução da Ucrânia em Gdańsk após uma disputa diplomática sobre uma honraria de Estado polonesa. A primeira-ministra ucraniana chefiará a delegação. O encontro com líderes europeus focará nos esforços práticos de reconstrução.

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