
Crise de memória para IA duplica preços e leva PlayStation 6 aos mil dólares
Fabricantes priorizam servidores de inteligência artificial, gerando défice de DRAM e forçando Sony, Microsoft e Apple a aumentos que podem duplicar o custo de novos equipamentos.
O preço dos chips de memória DRAM, componente essencial em computadores, smartphones e consolas, registou uma subida sem precedentes. No segundo trimestre de 2026, os contratos de fornecimento aumentaram entre 58% e 63%, após uma duplicação em 2025. Esta escalada, que analistas financeiros apelidam de “chipflation” ou “RAMageddon”, já se reflete nos preços finais: a Sony advertiu que a próxima PlayStation 6 poderá custar cerca de mil dólares, quase o dobro do valor de lançamento da PS5, enquanto a Microsoft aplicou o terceiro aumento à Xbox em 13 meses e a Apple subiu os preços dos Mac e iPad em centenas de dólares.
A causa imediata é a procura voraz por memória de alto débito (HBM) para os centros de dados que sustentam a inteligência artificial. Os três maiores fabricantes mundiais de DRAM — Samsung, SK Hynix e Micron, que controlam 95% do mercado — redirecionaram mais de 80% da sua capacidade de produção avançada para HBM e memória para servidores, de margens mais elevadas. Em consequência, a fatia da DRAM global absorvida por centros de dados passou de 32% para cerca de 50% em cinco anos. As grandes tecnológicas norte-americanas asseguraram contratos plurianuais que reservam até metade da capacidade, comprimindo a oferta para a eletrónica de consumo. A concentração da produção na Ásia, com a TSMC de Taiwan a dominar a fundição de chips avançados e a Coreia do Sul a albergar os gigantes da memória, torna a cadeia de abastecimento particularmente exposta a estrangulamentos.
A pressão sobre os preços desencadeou uma ação judicial coletiva na Califórnia, onde os três fabricantes são acusados de restringir artificialmente a produção de DRAM padrão para inflacionar os preços — uma prática que, no passado, lhes custou milhares de milhões de dólares em multas. Paralelamente, a Coreia do Sul anunciou um plano de 520 mil milhões de dólares para expandir a capacidade de semicondutores, e a Micron comprometeu 200 mil milhões nos EUA, mas novas fábricas só contribuirão de forma significativa a partir de meados de 2027. Entretanto, a escassez alastra a componentes a montante, como condensadores e semicondutores de potência, cujos preços também sobem, agravando os custos de produção de todos os dispositivos.
Para os consumidores do Brasil, de Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa, o encarecimento dos equipamentos importados será inevitável, uma vez que estes mercados são tomadores de preços. A posição da Sony sinaliza uma possível rutura com o modelo de negócio de vender consolas com prejuízo inicial, o que poderá redefinir a indústria dos videojogos. O próximo marco a observar será o andamento da ação judicial antitrust e o calendário de entrada em operação das novas linhas de fabrico, com os analistas a apontarem que o alívio da oferta não deverá chegar antes de 2028. Até lá, a consultora IDC projeta uma quebra de 11,3% nas remessas globais de PCs em 2026, com uma contração de 20% no último trimestre.
| Imprensa chinesa | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
China watches with critical detachment: Sony weakens, the market opens to more efficient local solutions.
It highlights Sony's fragility and implicitly contrasts it with the robustness of Chinese manufacturing, turning a competitor's bad news into a national growth opportunity.
The market speaks: the increase is inevitable given the memory shortage, and consumers will have to adapt.
It adopts an economic reporting register, citing objective factors (chip shortage, inflation) to normalize the news, avoiding moral or national judgments.
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