
Corrida por IA provoca escassez de chips de memória e derruba mercado de smartphones
Enquanto a Meta duplica investimento em data center na Louisiana, a falta de semicondutores eleva preços de eletrônicos e reduz embarques globais de celulares ao menor nível em 13 anos.
As remessas mundiais de smartphones caíram 11% no segundo trimestre de 2026 face ao ano anterior, o pior desempenho para o período desde 2013, segundo a Counterpoint Research. A Samsung recuperou a liderança com 24% de quota, seguida da Apple com 20%, enquanto as chinesas Xiaomi, Oppo e Vivo sofreram quedas de dois dígitos. O tombo reflete o estrangulamento no fornecimento de chips de memória DRAM e NAND, cuja produção está a ser absorvida pela expansão dos centros de dados de inteligência artificial.
O epicentro da pressão está no investimento maciço das grandes tecnológicas. Só a Meta anunciou a ampliação do seu centro Hyperion, no Louisiana, para 5 gigawatts de capacidade computacional, com um custo superior a 50 mil milhões de dólares — o dobro do plano inicial. No conjunto, Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta deverão investir cerca de 725 mil milhões de dólares em infraestrutura de IA este ano. Esta procura disparou os preços dos semicondutores: economistas do JPMorgan Chase estimam que alguns chips de memória terão um aumento de custo de até 400% entre 2024 e o final de 2026. A fatura já chegou ao consumidor nos Estados Unidos, com a Apple a subir laptops e iPads entre 15% e 25% e a Microsoft a aumentar a Xbox em 100 dólares, reacendendo receios inflacionistas que podem levar a Reserva Federal a subir os juros.
A perturbação atinge de forma desigual as marcas e as regiões. A Samsung beneficiou de uma oferta mais estável e de reajustes de preço moderados na Índia e no Médio Oriente, enquanto a Apple manteve os preços dos iPhone e viu a quota subir para um máximo histórico de 20% no segundo trimestre, embora com fragilidade no mercado chinês. Na perspetiva de Brasília, o endividamento recorde das tecnológicas — 244 mil milhões de dólares emitidos em dívida só no primeiro semestre por seis gigantes, incluindo Nvidia e Oracle — intensifica a competição global por capital, retirando fluxos a economias emergentes. Ainda assim, no início do ano, a sobrevalorização das ações de tecnologia levou investidores estrangeiros a migrar para a bolsa brasileira, num movimento que desde então perdeu fôlego.
Em Wall Street, o anúncio da Meta de que planeia vender capacidade computacional excedente acendeu o debate sobre um eventual excesso de construção. As ações da empresa subiram 8,8%, mas os títulos de fabricantes de chips como Micron e AMD recuaram, sinalizando que o mercado começa a questionar a rentabilidade futura do hardware. A Counterpoint prevê que as remessas globais de smartphones encolham 14% em 2026 e que a escassez de memória se prolongue até 2027. O próximo dado concreto será o relatório de inflação de junho nos EUA, que a Reserva Federal monitora de perto para calibrar a política monetária.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
Meta's billion-dollar investment and simultaneous sale of excess capacity raise doubts about the sustainability of the AI bubble.
A contradiction between expansion and capacity sale is highlighted to suggest the market may be overbuilt, without stating it explicitly.
The direct impact on consumer device prices and the global smartphone shipment decline are not addressed.
The rise in electronics and electricity prices due to AI investments is presented as an unbearable burden for consumers and an inflationary factor.
An alarmist tone and concrete data (sales drop, cost increases) are used to create a sense of urgency and consumer victimization.
The strategic necessity of AI infrastructure for future innovation and the positive outlook for companies like Meta are not covered.
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