
Apple ganha $600 mil milhões enquanto Oracle e SpaceX afundam: o novo rosto do risco tecnológico
Investidores fogem dos gastos massivos em IA e refugiam-se na Apple, que evita a corrida aos centros de dados, enquanto a Oracle perde metade do valor e a SpaceX desilude após o IPO.
A capitalização da Apple aumentou em cerca de 600 mil milhões de dólares desde o final de junho, num movimento que contrasta com a vaga de vendas que atinge empresas ligadas à inteligência artificial. Enquanto o índice Philadelphia Semiconductor recuou 7% no mesmo período, as ações da fabricante do iPhone subiram 16%, impulsionadas pela perceção de que a sua estratégia de não participar na construção massiva de centros de dados é uma vantagem competitiva. A Apple tornou-se um porto seguro para investidores que questionam o retorno dos investimentos em IA, num momento em que a Oracle viu a sua capitalização cair para metade desde o pico de setembro e a SpaceX, após um IPO histórico, já perdeu mais de um terço do valor face ao máximo de junho.
A divergência reflete uma reavaliação do risco associado à infraestrutura de IA. A Oracle, que planeia gastar até 95 mil milhões de dólares no atual ano fiscal, sofreu uma descida de notação de crédito pela S&P Global, que alertou para o enfraquecimento da posição financeira da empresa. Na perspetiva de Wall Street, os investidores começam a duvidar que os avultados investimentos em capacidade de computação para IA se traduzam em receitas proporcionais. Já a Apple, apesar de enfrentar pressões nos custos dos chips de memória e de ter aumentado preços em várias linhas de produtos, é vista como menos vulnerável porque a sua base de clientes se mostra menos sensível a subidas de preços, segundo analistas do JPMorgan.
O impacto nas fortunas pessoais dos fundadores é imediato. Larry Ellison, chairman da Oracle, perdeu 124,8 mil milhões de dólares desde 1 de junho, caindo do segundo para o oitavo lugar na lista de bilionários. Elon Musk, cuja fortuna está fortemente ligada à SpaceX e à Tesla, viu o seu património descer abaixo dos 900 mil milhões de dólares pela primeira vez desde antes do IPO da fabricante de foguetes, com as ações a aproximarem-se do preço de estreia de 135 dólares. Apesar disso, analistas de bancos como Raymond James e Morgan Stanley mantêm avaliações otimistas para a SpaceX, com preços-alvo que vão dos 205 aos 800 dólares, sustentando que a empresa está a construir a plataforma para a próxima geração de capacidade industrial.
No retalho, o sentimento é mais cauteloso. Investidores individuais que compraram ações da SpaceX nos primeiros dias de negociação enfrentam perdas significativas, e o analista Keith Snyder, da CFRA, compara o comportamento do título ao de uma “meme stock”, impulsionada mais pelo entusiasmo em torno de Elon Musk do que por fundamentos financeiros. A empresa registou prejuízos operacionais no último ano, e a sua divisão de IA perdeu 64 mil milhões de dólares, embora a Starlink já seja rentável. A Amazon, por seu lado, apresenta receitas e lucros muito superiores, mas a sua incursão no satélite Leo ainda está numa fase inicial, com apenas 330 satélites em órbita, contra os 9.600 da Starlink.
O próximo marco a observar será a apresentação do iPhone dobrável pela Apple, prevista para setembro, que poderá sustentar a trajetória das ações se confirmar a expectativa de um ciclo de atualização de dispositivos. Para a Oracle, o foco está na execução do plano de investimento e na capacidade de converter encomendas em receitas. Já a SpaceX terá de demonstrar que consegue transformar a sua visão de receitas de um bilião de dólares até 2030 em resultados concretos, enquanto os mercados digerem a volatilidade pós-IPO.
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | +0.30 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
O mercado chinês reinterpreta a história como um confronto entre dois impérios tecnológicos, onde a escala e a rentabilidade da Amazon esmagam as ambições da SpaceX.
Ao comparar diretamente a SpaceX e a Amazon em métricas de receita e lucro, cria-se uma hierarquia implícita que normaliza a desvalorização da SpaceX.
O bloco chinês omite o sucesso da Apple e a queda da Oracle, concentrando-se exclusivamente na competição Musk-Bezos.
A Rússia celebra a Apple como o porto seguro da IA, enquanto olha com ceticismo para as aventuras da SpaceX.
Ao inverter a perspectiva comum, a falta de gastos com IA da Apple é apresentada como uma virtude, não um defeito.
O bloco russo omite a queda da Oracle e a competição Amazon-SpaceX, concentrando-se apenas na Apple e na SpaceX.
O Atlântico soa o alarme: a corrida da IA está destruindo valor, e os bilionários estão pagando o preço.
Ao personificar as perdas nos bilionários Ellison e Musk, um fenômeno de mercado é transformado em uma história de queda pessoal.
O bloco atlântico omite a alta da Apple e a perspectiva de longo prazo da competição SpaceX-Amazon.
A América Latina observa a volatilidade da SpaceX com distanciamento, sem tomar partido.
Ao narrar as emoções contrastantes dos investidores, evita-se um julgamento claro e deixa-se aberta a possibilidade de uma recuperação.
O bloco latino-americano omite a Apple e a Oracle, concentrando-se exclusivamente no sentimento de curto prazo sobre a SpaceX.
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