
Sheinbaum vai à final do Mundial a convite de Trump em plena renegociação do T-MEC
A presidente mexicana confirmou presença no jogo entre Argentina e Espanha, num raro encontro trilateral com Donald Trump e Mark Carney, enquanto persistem tensões comerciais e de segurança entre os três países.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou neste sábado que assistirá à final do Mundial de 2026 em Nova Jérsia, no domingo, após receber um convite direto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A deslocação, notificada formalmente ao Congresso mexicano ao abrigo do artigo 88.º da Constituição, ocorre depois de a companhia aérea Delta ter cancelado o voo comercial que a mandatária utilizaria a partir de Cancún, devido à má qualidade do ar provocada por incêndios florestais no Canadá. Sheinbaum garantiu, ainda assim, que marcará presença no MetLife Stadium, onde também estará o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
Na perspetiva do Palácio Nacional, a deslocação justifica‑se por razões diplomáticas. Em mensagem de vídeo divulgada nas redes sociais, Sheinbaum sublinhou que “é importante que estejamos os três países que fomos sede desta Copa do Mundo” e classificou o gesto como “uma mostra de que há boa coordenação, boa colaboração com o governo dos Estados Unidos”. A decisão contrasta com a ausência da presidente na cerimónia de abertura do torneio, na Cidade do México, quando cedeu o bilhete a uma jovem indígena, num contexto de críticas aos preços elevados dos ingressos. Agora, a oposição mexicana acusa a mandatária de incoerência, por viajar para “a final mais cara da história” numa das cidades mais dispendiosas do mundo.
Observadores em Washington e na Cidade do México notam que o encontro desportivo acontece num momento de fricção comercial e de segurança. A 1 de julho, os Estados Unidos confirmaram que não prorrogariam o T‑MEC por mais 16 anos, optando antes por revisões anuais até 2036, uma decisão que, segundo fontes da Representação Comercial norte‑americana, reflete a insatisfação de Trump com os défices comerciais e com as exceções tarifárias previstas no acordo. A próxima ronda negocial está agendada para a capital mexicana, poucos dias depois da final. Paralelamente, a morte de dois agentes da CIA no norte do México, em maio, levou o Departamento de Estado a iniciar uma revisão de 53 consulados mexicanos em território norte‑americano.
O jogo entre Argentina e Espanha encerra a primeira edição do Mundial organizada conjuntamente por três nações. Além dos líderes norte‑americanos, é esperada a presença do rei Felipe VI de Espanha, enquanto o presidente argentino, Javier Milei, decidiu não viajar por razões de superstição pessoal. A FIFA confirmou que Trump participará na cerimónia de entrega do troféu, repetindo o gesto que já tivera na final do Mundial de Clubes de 2025.
Até ao momento, não está prevista uma reunião trilateral formal à margem do evento, mas fontes diplomáticas mexicanas não excluem contactos informais. Sheinbaum regressa ao México na segunda‑feira e o Congresso aguarda um relatório circunstanciado sobre os resultados e acordos alcançados durante a viagem, conforme exige a Constituição.
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