
Intensificação de ataques com drones atinge Ucrânia, Rússia e aliados da NATO
A Roménia abateu um drone que violou o seu espaço aéreo, enquanto ataques fizeram mortos na Ucrânia e Rússia; Zelensky prepara encontro com Trump.
Uma nova série de ataques com mísseis e drones matou pelo menos seis civis nas regiões ucranianas de Sumy e Slovyansk no sábado, de acordo com declarações do presidente Volodymyr Zelensky. Em Sumy, três condutores da empresa de correios Nova Poshta morreram quando um drone russo atingiu as instalações; em Slovyansk, mais de dez edifícios residenciais foram danificados e três pessoas perderam a vida. No lado russo, as autoridades nomeadas por Moscovo na parte ocupada da região de Zaporizhzhia reportaram oito mortos, incluindo duas crianças, na sequência de um raide ucraniano contra uma área de lazer. Moscovo afirmou ainda ter neutralizado mais de 300 drones ucranianos num dos mais vastos ataques transfronteiriços desde o início da guerra, enquanto explosões foram registadas em Simferopol, na Crimeia anexada, e em Ecaterimburgo, nos Urais, a 1.750 quilómetros da fronteira.
As partes envolvidas reiteram narrativas contrastantes: Kiev denuncia o que Zelensky classifica como uma campanha de "terrorismo com drones contra a população civil", destacando a utilização de quase 160 engenhos não tripulados e dois mísseis pelas forças russas numa só noite. O Ministério da Defesa russo, por sua vez, sustenta que as suas ações visam infraestruturas militares e acusa a Ucrânia de conduzir ataques indiscriminados contra território russo. A Roménia, país-membro da NATO, viu-se obrigada a abater um drone que penetrou o seu espaço aéreo pela segunda vez em dois dias, com um caça F-16 da força aérea romena a executar a interceção numa zona desabitada. Observadores em Bruxelas sublinham que a repetição de tais incidentes testa os protocolos de segurança da Aliança e aumenta o risco de um confronto direto.
O alargamento geográfico das hostilidades reflete, segundo fontes militares ocidentais, uma estratégia ucraniana de levar a guerra ao interior da Rússia, golpeando centros logísticos e rotas de abastecimento, como o ataque a navios no Mar Cáspio que, segundo Zelensky, transportavam armamento destinado ao Irão. Em contrapartida, Moscovo intensifica os bombardeamentos sobre cidades ucranianas, procurando minar a resiliência civil e degradar infraestruturas críticas. Na perspetiva de Lisboa, onde a comunidade de defesa acompanha com atenção as violações do espaço aéreo romeno, a situação sublinha a vulnerabilidade do flanco leste da NATO e a urgência de reforçar a dissuasão convencional na região. Já no Brasil, a diplomacia tem reiterado o apelo à desescalada e à retoma das negociações, ao passo que os países africanos de língua oficial portuguesa observam com preocupação o impacto do conflito nos preços dos cereais e dos fertilizantes, com efeitos profundos sobre a segurança alimentar.
Zelensky anunciou uma visita a Washington no próximo dia 28 de julho para se encontrar com o antigo presidente Donald Trump, num momento em que o apoio militar ocidental enfrenta incertezas políticas. A preparação de uma nova ofensiva russa e os crescentes ataques ucranianos de longo alcance colocam os esforços diplomáticos num impasse. A próxima reunião de ministros da Defesa da NATO, prevista para as próximas semanas, deverá abordar o reforço da proteção do espaço aéreo aliado e a aceleração do fornecimento de sistemas de defesa antiaérea a Kiev, enquanto a perspetiva de negociações de cessar-fogo permanece distante.
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