
Coreia do Sul eleva projeção de crescimento para 3% com boom de chips, mas bolsa entra em colapso
Governo revê em alta o PIB de 2026 impulsionado por semicondutores, enquanto o KOSPI afunda em mercado de urso e investidores de retalho enfrentam a maior vaga de liquidações forçadas da história do país.
O governo sul-coreano elevou a previsão de crescimento económico para 2026 de 2% para 3%, superando as estimativas de 2,6% do FMI, da OCDE e do Banco Asiático de Desenvolvimento. A revisão, anunciada pelo vice-ministro das Finanças, Lee Hyoung-il, assenta na forte progressão das exportações de semicondutores — que deverão crescer 40% este ano — e no ciclo de investimento público-privado de 800 biliões de won (540 mil milhões de dólares) num novo polo de chips no sudoeste do país. A inflação também foi revista em alta, de 2,1% para 2,6%, refletindo a pressão dos preços do petróleo. No primeiro trimestre, a economia expandiu 1,8%, o ritmo mais elevado em mais de cinco anos.
Apesar dos fundamentos robustos, o índice KOSPI entrou em mercado de urso, acumulando uma queda de 25% desde o máximo histórico de 9.114,55 pontos, negociando agora abaixo dos 7.000. A escalada anterior, que levou o índice a valorizar cerca de 60% no ano, foi alimentada por um endividamento recorde dos investidores de retalho: o saldo devedor de operações a crédito atingiu 38 biliões de won (248 mil milhões de dólares), concentrado sobretudo em Samsung Electronics e SK Hynix, que juntas representam mais de metade da capitalização do KOSPI.
A inversão brusca desencadeou uma vaga de chamadas de margem. Cerca de 120 mil contas com alavancagem receberam notificações, e entre 32 mil e 36 mil foram liquidadas à força pelas corretoras, com alguns investidores a ficar com saldos negativos. O ETF de tripla alavancagem KORU desabou 65% face ao pico de junho. Os depósitos em corretagem encolheram 30 biliões de won, e os investidores estrangeiros retiraram um valor recorde de quase 110 mil milhões de dólares do mercado acionário sul-coreano este ano, ampliando a pressão vendedora.
Em resposta, o supervisor financeiro anunciou que irá monitorizar os produtos alavancados e investigar práticas de comercialização excessivas. O banco central sinalizou que poderá subir a taxa de juro diretora na reunião de 16 de julho, com o objetivo de conter a inflação, que já supera a meta de 2%, e de mitigar os riscos de instabilidade financeira. O governo, por seu lado, planeia canalizar a receita fiscal extraordinária gerada pelo setor tecnológico para um “fundo de resposta futura” focado em indústrias emergentes, juventude e desenvolvimento regional.
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | −0.20 | neutral |
O ministro das Finanças da Coreia do Sul anuncia uma previsão de crescimento revisada para cima, creditando o boom dos chips de IA e prometendo canalizar as receitas fiscais para investimentos públicos.
Ao focar exclusivamente na declaração oficial do governo e nos lucros recordes, a narrativa constrói uma história de sucesso direta, ignorando o colapso do mercado de ações simultâneo.
O colapso do mercado de ações, as chamadas de margem e os circuit breakers estão totalmente ausentes, pois contradizem a narrativa econômica positiva.
Um analista do Golfo observa o paradoxo do mercado baixista da Coreia do Sul dentro de um rally mundial, notando o surto impulsionado pela IA e a subsequente reversão sem atribuir culpa.
A narrativa usa o contraste entre a ascensão espetacular e a queda acentuada para criar um sentimento de perplexidade, posicionando o mercado como um enigma em vez de uma crise.
Os detalhes sobre alavancagem de varejo, chamadas de margem e respostas políticas do governo são omitidos, pois forneceriam uma explicação mais concreta para o crash.
Amplie o olhar
Trump reimpõe bloqueio naval ao Irão e anuncia taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz
5 idiomas · 19 veículos
De TechnologyIA é aposta de crescimento, mas riscos cibernéticos e de dependência preocupam reguladores
2 idiomas · 9 veículos
De Science & HealthA arte mais antiga e os vestígios da violência: o que revelam novos achados
5 idiomas · 6 veículos