
Cimeira da NATO em Ancara: Trump critica aliados e são anunciados contratos de 50 mil milhões de dólares
A cimeira da NATO em Ancara abriu com críticas de Donald Trump aos aliados europeus e o anúncio de contratos de defesa no valor de 50 mil milhões de dólares, num esforço para demonstrar o aumento do investimento militar.
A cimeira anual da NATO em Ancara, na Turquia, foi marcada pela divulgação de contratos de defesa no valor de pelo menos 50 mil milhões de dólares e por duras críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos aliados europeus. O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, anunciou acordos que incluem a compra de drones de vigilância da Northrop Grumman por países europeus, a aquisição de sistemas de radar da sueca Saab em substituição de equipamentos da Boeing e a encomenda de aeronaves de transporte A400M da Airbus. Paralelamente, os aliados comprometeram-se a investir mais de 40 mil milhões de dólares em capacidades de combate a drones nos próximos cinco anos.
Na perspetiva de Washington, o esforço financeiro europeu continua aquém do necessário. Trump afirmou estar “muito desapontado” com a NATO e criticou nominalmente o Reino Unido, a França, a Alemanha e a Itália por não terem apoiado suficientemente a guerra dos EUA contra o Irão. O presidente norte-americano condicionou a sua presença na cimeira à relação pessoal com o anfitrião, Recep Tayyip Erdogan, e não excluiu novas retiradas de tropas da Europa. Em contrapartida, a administração norte-americana anunciou o levantamento das sanções impostas à Turquia em 2020 pela compra de sistemas de defesa aérea russos e manifestou disponibilidade para vender caças F-35 a Ancara.
Diplomatas europeus sublinham que os gastos com defesa dos membros europeus e do Canadá deverão atingir 634 mil milhões de dólares este ano, um aumento de 11% face a 2025, mas inferior ao crescimento de 19% registado no ano anterior. O objetivo de 5% do PIB até 2035, acordado na cimeira anterior, está a ser cumprido com margem pela Polónia e pelos Estados bálticos, enquanto a Grécia deverá ultrapassar a meta este ano. Contudo, Bélgica, Espanha, República Checa e Eslovénia ainda lutam para atingir o antigo patamar de 2%. A Suécia, que aderiu recentemente à Aliança, deverá alcançar cerca de 3%.
A cimeira decorre num contexto de tensão acrescida pela guerra no Irão e pela perceção, partilhada em várias capitais europeias, de que os EUA pretendem reduzir a sua presença convencional no continente, mantendo embora o guarda-chuva nuclear. O risco de uma fragmentação da Aliança em caso de ataque russo a um membro da NATO é apontado por analistas em Lisboa e noutras capitais como um cenário plausível, caso Washington se demita da defesa coletiva. Os trabalhos prosseguem com a expectativa de uma declaração final reduzida ao mínimo, num esforço para evitar novas fricções públicas.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.10 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.30 | critical |
A Europa se esforça para atender às demandas americanas, mas Trump permanece insatisfeito, questionando a solidariedade atlântica.
O bloco apresenta os esforços europeus como substanciais, mas condicionados à aprovação dos EUA, criando uma narrativa de inadequação perpétua. A retórica do 'teste de lealdade' sugere que a Europa nunca pode satisfazer plenamente as demandas de Washington.
O bloco omite as tensões relacionadas ao Irã que outros blocos destacam como um fator importante na cúpula, concentrando-se apenas na disputa de gastos EUA-Europa.
A aliança toma medidas concretas para atender às demandas dos EUA, mas a previsível insatisfação de Trump mostra os limites do apaziguamento.
O bloco usa uma estrutura de 'previsibilidade' para normalizar as críticas de Trump, implicando que nenhum valor de gasto o satisfará. A retórica de 'profecia de insatisfação' sugere que a tensão é inevitável.
O bloco omite as tensões relacionadas ao Irã e as dificuldades internas europeias em atingir as metas de gastos, concentrando-se na dinâmica EUA-Europa.
Os acordos de armas da cúpula são ofuscados pelo conflito iraniano, e a raiva de Trump em relação aos aliados europeus por não apoiarem os EUA no Irã ameaça a unidade da aliança.
O bloco introduz a dimensão iraniana como tensão central, reenquadrando a cúpula de uma disputa de gastos para uma ruptura geopolítica sobre o Irã. A 'projeção' desloca o foco para os interesses regionais do Golfo.
O bloco omite as dificuldades internas europeias em atingir as metas de gastos e a estrutura de 'previsibilidade' da reação de Trump, concentrando-se no conflito iraniano como história principal.
Amplie o olhar
Líder supremo do Irã promete vingança pela morte do pai e eleva tensão com os EUA
7 idiomas · 33 veículos
De Economy & MarketsTensão renovada entre EUA e Irão agita mercados petrolíferos e pressiona preços dos combustíveis
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyOpenAI lança agente de trabalho autónomo e anuncia o fim do navegador Atlas
7 idiomas · 7 veículos