
China treinou militares russos em segredo com aval de ministro da Defesa
Documentos e fontes europeias confirmam exercícios sigilosos, enquanto conversas entre Putin e Lukashenko alimentam especulações sobre o papel de Minsk na guerra.
A China conduziu no final de 2025 treino militar secreto para forças russas, com aprovação pessoal do ministro da Defesa, Andrei Belousov, e participação direta de pelo menos quatro generais dos dois países, segundo dois responsáveis europeus e documentos internos russos a que a Reuters teve acesso. Os exercícios, que incluíram um curso de três semanas sobre proteção radiológica, química e biológica numa instalação militar em Pequim, decorreram à margem da guerra na Ucrânia e foram confirmados por canais próprios da União Europeia, que avalia agora as suas implicações. Pequim nega as informações e reafirma a sua neutralidade no conflito, enquanto o Kremlin as classifica como “informação falsa”.
Na perspetiva de Bruxelas, a inclusão de treino em guerra NBQ (nuclear, biológica e química) sublinha a natureza estratégica da cooperação sino-russa e desafia a tradicional prioridade comercial que molda as relações com a China. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco deve deixar de olhar para Pequim apenas pela lente económica e focar-se no seu papel como “facilitador decisivo da guerra da Rússia”. A União Europeia já impôs sanções a empresas chinesas que apoiam o esforço de guerra russo, mas as discussões internas sobre medidas adicionais ainda decorrem à porta fechada, num equilíbrio delicado entre segurança e interesses comerciais.
O episódio insere-se num padrão de coordenação discreta que também se manifestou nas conversas “muito secretas” entre Vladimir Putin e o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, nos dias 26 e 27 de junho, na residência de Valdai. Sem comunicados, fotografias ou documentos assinados, o encontro de dois dias gerou especulação entre analistas ucranianos. Vadim Denysenko, em Kiev, interpreta o silêncio como sinal de que Lukashenko terá recusado ceder território para uma nova frente de ataque ou para a reinstalação de torres de comunicação de drones, repetindo a sua oposição a um envolvimento direto do exército bielorrusso. Outros observadores, como Vitaly Portnikov, sugerem que Putin poderá ter pressionado por um papel mais ativo de Minsk, enquanto Lukashenko procura preservar o regime e adiar qualquer transição de poder.
A viagem de Lukashenko para a China logo após o encontro com Putin, onde se reuniu com Xi Jinping, é vista por analistas da região como parte de uma “diplomacia de vaivém” que pode envolver a transmissão de propostas de paz ou a coordenação de posições entre Moscovo e Pequim. Para o Brasil e os países lusófonos, o aprofundamento dos laços militares sino-russos e a ambiguidade de Minsk acrescentam complexidade a um conflito que já afeta os mercados globais de energia e alimentos, e testa os limites do direito internacional. A ausência de transparência nestes movimentos, sublinham fontes diplomáticas em Lisboa, dificulta a avaliação de riscos e a construção de consensos multilaterais.
O dossiê permanece em aberto. A União Europeia estuda a resposta adequada, enquanto a China insiste na sua posição de mediadora da paz. Entretanto, a Rússia continua a importar fibra ótica e outros bens de uso dual do território chinês, e o silêncio sobre as conversas de Valdai mantém a incerteza sobre o eventual envolvimento bielorrusso. A próxima etapa conhecida será a avaliação formal das implicações do treino por parte de Bruxelas, que poderá resultar em novas sanções ou medidas diplomáticas.
| Imprensa israelense | −0.60 | critical |
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| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa iraniana e afins | +0.40 | aligned |
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