
China retoma liderança em supercomputação com chips próprios, mas lista TOP500 não reflete corrida da IA
O sistema LineShine, instalado em Shenzhen, atingiu 2,2 exaflops e desbancou o norte-americano El Capitan, embora especialistas sublinhem que o ranking ignora máquinas de hiperescala voltadas para inteligência artificial.
O supercomputador LineShine, operado pelo Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, alcançou 2,198 exaflops de desempenho sustentado na mais recente edição da lista TOP500, divulgada em junho de 2026 durante a conferência ISC em Hamburgo. É a primeira vez desde 2017 que um sistema chinês ocupa o primeiro lugar, destronando o El Capitan, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, que registou 1,809 exaflops. O feito foi obtido exclusivamente com processadores de conceção doméstica, sem recurso a unidades de processamento gráfico (GPUs), o que, segundo Jack Dongarra, cofundador do TOP500 e galardoado com o prémio Turing, constitui o primeiro computador a ultrapassar a barreira dos dois exaflops utilizando apenas CPUs.
A classificação baseia-se no benchmark LINPACK, que mede a capacidade de cálculo em precisão dupla, tradicionalmente associada a simulações científicas complexas. Contudo, observadores nos Estados Unidos e na Europa notam que este teste não capta o desempenho em cargas de trabalho típicas de inteligência artificial, onde as GPUs e os sistemas de hiperescala dominam. Numa prova complementar de precisão mista (HPL-MxP), mais representativa de tarefas de IA, o LineShine ficou em quarto lugar. Jimmy Goodrich, investigador da Universidade da Califórnia, salienta que, se empresas como Microsoft, Amazon e Google submetessem os seus clusters, o sistema chinês “não entraria no top cinco”. Um estudo de 2025 já indicava que o Colossus, da xAI, provavelmente superava o El Capitan em capacidade bruta.
A vitória chinesa é interpretada por analistas como uma demonstração de autossuficiência tecnológica face aos controlos de exportação impostos por Washington. Addison Snell, diretor-executivo da Intersect360 Research, afirmou que a surpresa não é o desempenho, mas o facto de a China ter submetido o sistema e procurado reconhecimento público, após anos de ausência voluntária da lista. O LineShine não integra chips avançados de IA, cujos instrumentos de fabrico permanecem sob restrições norte-americanas. Na perspetiva de Pequim, o resultado procura mostrar que os embargos não impedem o desenvolvimento de tecnologia concorrente, embora especialistas ocidentais sublinhem que a comparação ignora as especificidades da computação para inteligência artificial.
Para os países lusófonos, o episódio ilustra a concentração da capacidade de supercomputação num número reduzido de atores. O Brasil mantém o supercomputador Santos Dumont, mas fora do top 100 global, enquanto Portugal e as nações africanas de língua oficial dependem de consórcios europeus ou de infraestruturas partilhadas. O próximo marco a observar será a evolução dos benchmarks do TOP500 para incluir métricas de IA e a eventual reação dos hiperescaladores, bem como a resposta regulatória dos EUA no domínio dos semicondutores.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A China voltou ao topo do ranking mundial de supercomputadores após oito anos, graças ao sistema LineShine, totalmente projetado com componentes nacionais. O feito demonstra a autossuficiência tecnológica do país e representa uma revanche contra os Estados Unidos. A liderança reconquistada é apresentada como um marco estratégico para o poder computacional chinês.
Um supercomputador chinês tomou dos Estados Unidos o título de máquina mais rápida do mundo pela primeira vez desde 2017. O sistema usa apenas microprocessadores padrão, sem recorrer a chips gráficos especializados. A notícia é relatada como uma atualização do ranking TOP500, observando o fim de quase uma década de domínio americano.
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