
Chefe de gangue equatoriana é executado em aeroporto de Guayaquil; líder máximo dos Choneros é preso na Colômbia
Enquanto o Equador decreta estado de exceção, o México regista a detenção de um operador do Cartel do Golfo e a apreensão de metanfetamina, evidenciando a pressão transnacional sobre o crime organizado.
O aeroporto internacional de Guayaquil, epicentro da violência ligada ao narcotráfico no Equador, foi palco esta quarta-feira de um homicídio que expõe a fragilidade do Estado de direito. Carlos Alberto Suástegui Villanueva, líder da fação Las Águilas — braço armado do temido grupo Los Choneros — foi abatido a tiro no parque de estacionamento da zona de táxis do terminal de desembarque, provocando momentos de pânico entre passageiros e a suspensão momentânea das operações aéreas. Dois adolescentes, de 15 e 16 anos, foram apreendidos no local com duas armas de fogo. O crime ocorreu um dia depois de o presidente Daniel Noboa decretar um estado de exceção em dez províncias, incluindo Guayas, em resposta ao aumento sustentado da violência homicida.
A execução de Suástegui coincide com um golpe de grande alcance contra a cúpula da mesma organização criminosa. Em Bogotá, a polícia colombiana anunciou a detenção de Ronald Javier Macías Villamar, vulgo “Javi”, apontado como o máximo líder de Los Choneros e o homem mais procurado do Equador. A operação conjunta entre as polícias dos dois países, que durou 16 meses, foi saudada como um dos resultados mais importantes contra o crime organizado transnacional na região. Observadores em Quito e Brasília sublinham que a queda de “Javi” e a eliminação de Suástegui, ainda que por métodos distintos, revelam tanto a capacidade de cooperação internacional como a brutal disputa interna que fragmenta os grupos equatorianos, num contexto em que os portos do Pacífico se tornaram plataformas cruciais para o envio de cocaína rumo à Europa e à América do Norte.
A pressão sobre as redes de tráfico estende-se ao México, onde a Secretaria da Marinha deteve em Colima Valdemar “N”, conhecido como “El Valdo”. Apontado como operador relevante do Cartel do Golfo e antigo membro do Cartel Jalisco Nova Geração, o detido é alvo de um pedido de extradição dos Estados Unidos por tráfico de metanfetaminas e cocaína. A captura, coordenada com a Fiscalia Geral da República, foi complementada pela apreensão, em Hermosillo, de 40 bidões com cerca de 200 litros de metanfetamina líquida procedentes de Culiacán, Sinaloa, após denúncia anónima. Na perspetiva da Cidade do México, estas ações simultâneas ilustram a estratégia de asfixiar as rotas de precursores químicos e de droga acabada que alimentam tanto o mercado norte-americano como as ramificações atlânticas.
Analistas em Lisboa notam que a instabilidade equatoriana tem reflexos diretos na segurança da Península Ibérica e dos países lusófonos africanos, uma vez que parte significativa da cocaína que chega à Europa Ocidental transita por portos como Guayaquil, com escalas na África Ocidental. O estado de exceção decretado por Noboa, que mobiliza militares para patrulhar as ruas, é visto como uma medida de curto prazo que dificilmente conterá a violência enquanto as estruturas financeiras e logísticas do crime organizado permanecerem intactas. A convergência de eventos no Equador, na Colômbia e no México sugere que 2025 se desenha como um ano de reconfiguração forçada dos cartéis, com episódios de vingança e ajustes de contas a pontuarem o quotidiano de cidades transformadas em campos de batalha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A prisão do chefe na Colômbia e a eliminação do líder do braço armado no aeroporto de Guayaquil representam um duro golpe contra Los Choneros. As forças de segurança demonstram coordenação regional, mas o tiroteio gerou pânico entre os passageiros, evidenciando a persistente ameaça criminosa.
Um líder de uma gangue criminosa equatoriana foi morto a tiros no aeroporto de Guayaquil. As autoridades consideravam-no de alto risco, sendo investigado por associação criminosa, homicídio e posse de armas.
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