
Carrossel global de treinadores: de Edimburgo a Buenos Aires, clubes apostam em novos comandos
Mudanças no comando técnico agitam o futebol e o basquete europeus e sul-americanos, com Hearts, San Lorenzo, Bologna, Virtus e Zenit a procurarem estabilidade após desfechos dramáticos.
O Hearts, da Escócia, viveu o epílogo mais cruel da temporada europeia. Liderou a Premiership durante a maior parte do campeonato sob o comando de Derek McInnes e entrou na última jornada com um ponto de vantagem sobre o Celtic. No Celtic Park, saiu na frente com golo de Lawrence Shankland, mas cedeu o empate de penálti nos descontos da primeira parte e sofreu dois golos nos minutos finais, perdendo o título por 3-1. A invasão de campo de adeptos do Celtic, ainda com trinta segundos por jogar, obrigou à retirada dos jogadores visitantes por segurança. O árbitro Don Robertson deu o jogo por terminado, e a liga escocesa confirmou que a partida não foi abandonada, mas concluída. Dias depois, McInnes rumou ao Rangers, e o Hearts foi buscar o belga Wouter Vrancken, duas vezes treinador do ano no seu país, que assinou por duas épocas.
Na América do Sul, o San Lorenzo também foi surpreendido por uma saída repentina. Gustavo Álvarez deixou o cargo no mesmo dia em que o plantel se reapresentou para a pré-temporada, alegando divergências com a direção sobre a planificação desportiva. O principal foco de conflito, segundo a imprensa argentina, foi a intenção do técnico de afastar vários jogadores do plantel profissional, medida que a direção considerou lesiva para o património desportivo e económico do clube. O principal candidato à sucessão é Eduardo Berizzo, ex-defesa de 56 anos que foi adjunto de Marcelo Bielsa na seleção chilena, conquistou o Torneio Apertura de 2013 pelo O’Higgins e levou o Celta de Vigo às meias-finais da Liga Europa e da Taça do Rei. A direção azulgrana já iniciou contactos e prepara uma videoconferência para aprofundar as negociações.
Em Itália, o eixo Roma-Berlim ganhou expressão no desporto bolonhês. O Bologna trocou o italiano Vincenzo Italiano pelo alemão Domenico Tedesco, numa decisão que, segundo analistas locais, respondeu ao esgotamento psicológico da equipa e à necessidade de um novo ciclo. Na Virtus, equipa de basquete da mesma cidade, a rotação tem sido ainda mais intensa: quatro treinadores em três anos. O último foi o espanhol Mumbrú, que conduziu a seleção alemã ao ouro no Eurobasket de 2025, mas deixou o clube. A Virtus procura agora reencontrar o caminho dos títulos na eterna rivalidade com o Milão, enquanto a Fortitudo, na segunda divisão, aposta em Demis Cavina para tentar a subida.
A instabilidade também marcou o Zenit São Petersburgo, que oficializou o montenegrino Duško Ivanović até 2029. O clube russo teve uma temporada turbulenta: terminou em terceiro na fase regular da VTB United League, esteve a vencer a meia-final por 3-1 frente ao UNICS Kazan, mas perdeu três jogos consecutivos e ficou fora da final. O técnico Dejan Radonjić saiu, e o interino Rostislav Vergun também deixou o cargo após a derrota na série pelo bronze frente ao Lokomotiv Kuban. Ivanović, de 68 anos, é um dos treinadores mais titulados da Europa, com passagens por Basconia, Barcelona, Virtus Bologna e Khimki, onde foi vice-campeão da VTB United League em 2017. A nova época arranca a 25 de setembro, com doze equipas, e o Zenit espera que a experiência do montenegrino traga a estabilidade que faltou nos últimos meses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O San Lorenzo está a agir rapidamente para preencher a vaga de treinador deixada pela saída inesperada de Gustavo Álvarez. Eduardo Berizzo surgiu como o principal candidato, com os dirigentes já em contacto e a planear uma videochamada para avançar as negociações. A partida súbita forçou o clube a uma procura acelerada por um novo treinador.
A cena desportiva bolonhesa está a assistir a uma curiosa viragem alemã, com os clubes de futebol e basquetebol a nomearem treinadores ligados à Alemanha. A mudança da liderança italiana para a alemã é notada com ironia, já que até o treinador italiano do Fortitudo tem apenas um conhecimento superficial da cultura alemã. O comentário salienta que um histórico eixo Roma-Berlim está a ressurgir na identidade desportiva da cidade.
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