
Canadá e EUA reacendem debate sobre morte administrada pelo Estado
Enquanto o Canadá revê expansão da eutanásia, a Flórida acelera execuções de idosos, reavivando questões sobre dignidade e justiça.
A uma década da legalização da eutanásia no Canadá e a cinquenta anos da abolição da pena de morte no mesmo país, duas frentes de decisão estatal sobre a morte ganharam novo impulso em 2026. No Canadá, um comité parlamentar recomendou, em junho, o cancelamento da extensão da eutanásia a pessoas com doença mental, prevista para março de 2027. Nos Estados Unidos, a Flórida executou 19 presos em 2025 — o maior número anual desde a reintrodução da pena capital em 1976 — e prepara a execução consecutiva de três dos seus reclusos mais idosos, incluindo um homem de 80 anos.
Na perspetiva de observadores em Ottawa, a recomendação parlamentar canadiana reflete um mal-estar crescente com a expansão do regime de morte assistida. Originalmente limitada a doentes terminais em 2016, a lei foi alargada em 2021 a pessoas cuja condição não é fatal. O testemunho de uma paciente que, ao procurar ajuda psiquiátrica, ouviu de um clínico a sugestão de considerar a eutanásia, ampliou o escrutínio público. A Igreja Católica no Canadá e associações de pessoas com deficiência argumentam que a oferta da eutanásia a grupos vulneráveis, sem garantia de acesso a cuidados adequados, transmite a mensagem de que certas vidas têm menos valor. O comité parlamentar apelou ao governo federal para suspender a entrada em vigor da eutanásia por doença mental, num movimento que, segundo analistas em Toronto, poderá indicar uma viragem política.
Nos Estados Unidos, a administração Trump emitiu uma ordem executiva para “restaurar a pena de morte” e instruiu o Departamento de Justiça a alargar os crimes passíveis de punição capital. A Flórida, sob o governador Ron DeSantis, concentrou 40% das execuções do país em 2025. A Conferência Episcopal da Flórida apelou ao governador para travar as execuções, considerando “ainda mais cruel e invulgar” aplicar a pena a reclusos idosos e frágeis. Para as famílias das vítimas, porém, a idade avançada dos condenados não atenua a exigência de justiça. A diretora jurídica da organização Floridians for Alternatives to the Death Penalty nota que, na Flórida, o poder de agendar execuções cabe quase exclusivamente ao governador, ao contrário de outros estados onde a decisão é judicial.
O relatório mais recente da Amnistia Internacional regista 2707 execuções em 17 países em 2025, um aumento de 78% face ao ano anterior, o valor mais elevado desde 1981. No Canadá, um inquérito de junho de 2026 indica que 60% da população é favorável ao restabelecimento da pena de morte para homicídio, uma subida de seis pontos percentuais num ano. Observadores em Lisboa e em Brasília notam que a tendência global de abolição coexiste com bolsas de endurecimento, frequentemente associadas a discursos de severidade penal. A evolução dos dois dossiês está calendarizada: a legalização da eutanásia por doença mental no Canadá permanece agendada para março de 2027, enquanto na Flórida estão previstas mais duas execuções de reclusos septuagenários e octogenários até ao final de julho.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.80 | critical |
Condenamos tanto a execução de idosos na Flórida quanto o impulso à eutanásia no Canadá como falhas de compaixão e justiça.
Ao justapor duas questões aparentemente diferentes sob um quadro moral comum, o bloco cria um senso de crise ética universal que exige um retorno aos valores humanos fundamentais.
A pressa da Flórida para executar mais prisioneiros sob DeSantis é uma escalada perigosa que deve ser interrompida.
Ao focar nos números recordes de execuções e na pressão política de Trump, o bloco enquadra as ações da Flórida como uma anomalia alarmante no mundo ocidental, implicando uma perda de estatura moral.
O bloco omite o debate canadense sobre eutanásia, concentrando-se apenas na pena de morte na Flórida, ignorando assim a dimensão comparativa do título.
Amplie o olhar
Zelensky demite ministro da Defesa e desencadeia protestos e crise política na Ucrânia
12 idiomas · 49 veículos
De Economy & MarketsEUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade
6 idiomas · 30 veículos
De TechnologyTSMC lucra US$ 22 bilhões e eleva investimento nos EUA para US$ 265 bilhões
5 idiomas · 11 veículos