
Canadá e Arábia Saudita lançam conselho de coordenação e selam acordos comerciais
Visita de Mark Carney, a primeira de um premiê canadiano em 26 anos, formaliza reaproximação após crise diplomática de 2018 e abre nova fase de parceria económica e de segurança.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, concluiu na quinta-feira uma visita oficial à Arábia Saudita com o anúncio da criação de um Conselho de Coordenação Saudita-Canadiano e a assinatura de 13 acordos comerciais nos setores de mineração, inteligência artificial, energia e educação. Segundo o comunicado conjunto divulgado após o encontro com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, em Jeddah, o novo mecanismo será copresidido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e servirá de roteiro para aprofundar a cooperação política, económica, de defesa e cultural. As partes comprometeram-se ainda a iniciar negociações para um acordo de dupla tributação e a concluir um tratado de proteção de investimentos até 2027.
Na perspetiva de Ottawa, a deslocação insere-se numa estratégia de diversificação de parcerias comerciais face à dependência excessiva dos Estados Unidos, agravada pelas tarifas impostas por Washington. Carney afirmou que “o envolvimento não é um endosso” e que “dar lições a países à distância é uma estratégia ineficaz”, sinalizando uma abordagem de diplomacia discreta distinta da do seu antecessor, Justin Trudeau. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhou que o Canadá pretende solidarizar-se com os parceiros do Golfo perante “ataques injustificados do Irão”, numa referência ao recente incidente com um petroleiro saudita no Estreito de Ormuz.
De acordo com o governo saudita, a visita representa a entrada numa nova fase de parceria económica, apoiada na Visão 2030 e no crescimento do PIB não petrolífero, que já representa mais de metade da economia do reino. O ministro do Investimento, Fahad Al-Saif, destacou que 625 empresas canadianas operam atualmente no país e que o fluxo de investimento direto estrangeiro quintuplicou desde 2017. Para Riade, o Canadá oferece conhecimento técnico em setores estratégicos como a mineração de minerais críticos e a inteligência artificial, enquanto os investidores sauditas trazem capital paciente e uma estrutura competitiva de longo prazo.
A reaproximação bilateral sucede à crise diplomática de 2018, quando o governo Trudeau criticou publicamente o historial de direitos humanos do reino, levando Riade a expulsar o embaixador canadiano e a congelar relações comerciais. Os laços foram restabelecidos em 2023, mas a visita de Carney é a primeira de um chefe de governo canadiano em mais de um quarto de século. Durante a estadia, o acesso da imprensa foi severamente restringido, evidenciando conceções distintas sobre liberdade de expressão. O primeiro-ministro reuniu-se ainda com o presidente da Saudi Aramco, Amin Nasser, para discutir o aprofundamento da cooperação energética.
O dossiê avança agora para a negociação dos instrumentos fiscais e de proteção de investimentos, com o objetivo de os finalizar até ao início de 2027. O fundo soberano saudita confirmou a presença na Cimeira de Investimento do Canadá, em Toronto, em setembro, e o Canadá participará na Expo 2030 em Riade. Na avaliação de executivos canadianos presentes no fórum de investimento, a relação transita da reconciliação para a exploração de oportunidades concretas, num momento em que a reconfiguração das cadeias de abastecimento globais é acompanhada com atenção por outras capitais, incluindo Brasília e Lisboa.
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O Canadá, através do seu primeiro-ministro, celebra o fim do congelamento e relança a parceria, deixando de lado as críticas passadas para se concentrar nos interesses económicos.
Ao usar o simbolismo do hino nacional e as declarações de Carney sobre uma 'nova fase', cria-se uma narrativa de reconciliação que minimiza as controvérsias passadas.
Os detalhes do comunicado conjunto saudita-canadense e as declarações do ministro do investimento saudita são omitidos, o que poderia ter equilibrado a perspectiva canadense.
A Arábia Saudita e o Canadá formalizam uma parceria estratégica através de um comunicado conjunto e de um novo conselho de coordenação, enfatizando a continuidade das relações.
Ao usar a linguagem formal dos comunicados oficiais e enfatizar as relações históricas, a visita é normalizada e o anterior congelamento diplomático é minimizado.
As observações pessoais de Carney sobre 'sangue ruim' e sua intenção de não dar lições sobre direitos humanos são omitidas, o que poderia ter destacado a mudança de posição do Canadá.
A Arábia Saudita afirma-se como um centro económico em expansão, oferecendo ao Canadá um caminho de diversificação comercial através de investimentos em minerais e energia.
Ao citar os dados macroeconómicos sauditas (crescimento do PIB) e as declarações do ministro do investimento, constrói-se uma narrativa de oportunidade e crescimento, relegando o passado a um detalhe ultrapassado.
A narrativa do congelamento diplomático e os comentários de Carney sobre o fim do 'sangue ruim' são omitidos, focando exclusivamente nas oportunidades económicas.
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