
Bellingham recusa prémio de melhor em campo e enaltece defesa de Gana após nulo
Inglaterra empata 0-0 com Gana no Grupo L do Mundial 2026; médio inglês afirma que distinção deveria ter ido para um adversário e fala em 'febre do segundo jogo'.
O empate sem golos entre Inglaterra e Gana, na madrugada desta terça-feira em Boston, ficou marcado por um gesto incomum: Jude Bellingham, eleito o melhor jogador da partida, recusou publicamente o galardão. “Não o merecia, para ser honesto. Deveria ter ido para um dos rapazes deles, que defenderam muito bem”, declarou o médio do Real Madrid à organização do Mundial, agradecendo a quem votou mas insistindo que o prémio individual não refletia o que se passara em campo.
O jogo, referente à segunda jornada do Grupo L, opôs uma Inglaterra dominadora na posse de bola a um Gana extremamente recuado e compacto, alinhado num 5-4-1 sem bola que sufocou o ataque inglês. A primeira parte terminou sem qualquer remate enquadrado — facto inédito nesta edição do torneio — e o melhor lance dos europeus surgiu já nos minutos finais, quando Harry Kane, na recarga a uma bola de Nico O’Reilly que bateu no poste, atirou por cima da baliza à queima-roupa. Gana, orientada por Carlos Queiroz, ainda reclamou uma grande penalidade sobre Prince Adu, negada pelo árbitro, e Bellingham foi substituído aos 73 minutos, sem conseguir romper o bloqueio adversário.
O desfecho reavivou um padrão que a imprensa inglesa apelida de “febre do segundo jogo”: pela quarta grande competição consecutiva, a seleção britânica cede um empate na segunda ronda da fase de grupos, depois de ter vencido na estreia (4-2 à Croácia). O próprio Bellingham aludiu a essa rotina, mas preferiu valorizar a experiência de defrontar um adversário africano “excecional” e admitiu que a equipa atuou com “um pouco de medo” dos contra-ataques ganeses. Declan Rice, por seu lado, pediu calma e lembrou que várias seleções de topo também cederam pontos nas primeiras jornadas.
Na perspetiva de Acra, a exibição defensiva foi celebrada como um triunfo tático que mantém as Estrelas Negras bem posicionadas para a qualificação. Observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro notam que o nulo repete um enredo frequente em Mundiais: favoritos europeus encontram resistência cerrada de blocos africanos disciplinados, algo que já marcara duelos anteriores. A Inglaterra, com quatro pontos, defronta o Panamá na última ronda, enquanto Gana, com um ponto, mede forças com a Croácia — ambos os jogos definirão os lugares de acesso aos dezasseis-avos de final.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A defesa disciplinada de Gana sufocou o ataque inglês, impondo um empate sem golos que serviu de verificação da realidade para os favoritos do torneio. Jude Bellingham admitiu que não merecia o prémio de melhor jogador, sugerindo que o reconhecimento deveria ter ido para um jogador ganês. O resultado destacou a organização de Gana e expôs as fragilidades recorrentes da Inglaterra em competições.
A Inglaterra mostrou um pouco de receio diante de um Gana excecional, mas o empate sem golos foi encarado como um teste útil e não como um fracasso. Jude Bellingham sublinhou a oportunidade de aprendizagem, elogiou a qualidade ganesa e sugeriu que a experiência beneficiaria a equipa no futuro. O jogo foi visto como uma verificação da realidade capaz de fortalecer a campanha inglesa no torneio.
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