
Audiência de confirmação de Todd Blanche expõe divisões republicanas e críticas democratas
O procurador-geral interino enfrentou questionamentos sobre a sua independência face a Trump, o fundo de 1,8 mil milhões de dólares e a gestão dos ficheiros Epstein.
A nomeação de Todd Blanche para procurador-geral dos Estados Unidos enfrentou na quarta-feira uma audiência de confirmação no Senado que deixou visível a fragilidade da sua posição. Com a vaga deixada pela morte do senador Lindsey Graham, a maioria republicana na Comissão Judiciária está reduzida a onze votos contra dez democratas, o que significa que um único voto contrário no campo governista pode bloquear o avanço da nomeação. Os senadores Thom Tillis e John Cornyn, ambos republicanos em final de mandato, mantiveram publicamente reservas, condicionando o seu apoio a garantias inequívocas de que o polémico fundo de 1,8 mil milhões de dólares para alegadas vítimas de instrumentalização política está definitivamente encerrado e de que Blanche atuará com independência face ao presidente.
A oposição democrata concentrou as críticas na relação pessoal de Blanche com Donald Trump, de quem foi advogado de defesa em vários processos. O senador Dick Durbin, líder democrata na comissão, acusou o procurador-geral interino de "corrupção" e de ter transformado o Departamento de Justiça num instrumento de retaliação contra adversários do presidente. O senador Sheldon Whitehouse classificou a gestão do departamento como a "mais caótica da história" e o senador Adam Schiff questionou a trajetória do antigo procurador de carreira. Mais de 1200 antigos funcionários do Departamento de Justiça e dezenas de organizações de direitos civis manifestaram-se contra a confirmação, enquanto vítimas de Jeffrey Epstein assistiram à audiência com camisolas que exibiam documentos censurados, protestando contra o que consideram ser uma divulgação falhada dos ficheiros do caso.
Do lado republicano, as dúvidas centraram-se no fundo de compensação criado no âmbito de um acordo entre Trump e a autoridade tributária (IRS), anulado na segunda-feira por uma juíza federal. A magistrada Kathleen Williams considerou que o processo foi usado de forma imprópria para conferir imunidade fiscal ao presidente e à sua família, e remeteu o nome de Blanche para as autoridades disciplinares da Ordem dos Advogados de Nova Iorque. Na audiência, Blanche afirmou repetidamente que o fundo "está morto" e que o acordo fiscal segue práticas correntes, mas o senador Cornyn mostrou-se cético, declarando não ter ainda decidido o voto. O senador Tillis exigiu um compromisso escrito da administração que impeça qualquer pagamento futuro.
Blanche defendeu a atuação do Departamento de Justiça na divulgação dos ficheiros Epstein, reconhecendo "erros" nas ocultações de nomes de vítimas e pedindo desculpa, mas sustentou que a administração Trump foi "mais transparente do que qualquer outra". Sobre a sua independência, afirmou não ser um "yes man" e que o presidente pode demiti-lo a qualquer momento, mas que a sua lealdade está com a Constituição. A audiência prossegue na quinta-feira, e a votação na comissão está prevista para a semana seguinte, antes de uma eventual votação no plenário do Senado.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
Blanche is an extension of presidential will, incapable of acting independently from the White House.
Emphasizing personal ties and ethical criticisms turns a nomination question into a test of constitutional loyalty.
Blanche's admission of errors in handling Epstein files is absent, which could have mitigated criticism.
Blanche made technical errors in publishing Epstein files but corrected them; the issue is procedural, not political.
Blanche's apologies and corrections are presented as objective facts, reducing political tension and normalizing the controversy.
Missing is the context of federal judges' criticisms and doubts about Blanche's independence, which could have politicized the narrative.
Amplie o olhar
Petróleo Brent supera US$ 90 com escalada de ataques entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
8 idiomas · 21 veículos
De TechnologyModelo chinês Kimi K3 abala mercados e expõe limites de capacidade computacional
8 idiomas · 11 veículos
De Science & HealthCafé, caminhada e abacate: novos dados reforçam estratégias acessíveis para proteger coração e cérebro
8 idiomas · 12 veículos