
Bielorrússia convoca diplomata ucraniano após ataque com drone a autocarro de crianças
Minsk exige explicações e proíbe viagens de menores ao exterior, enquanto Moscovo acusa Kiev de terrorismo e a Ucrânia nega envolvimento, alegando provocação russa.
A Bielorrússia escalou a tensão diplomática com a Ucrânia ao convocar o encarregado de negócios ucraniano em Minsk e entregar-lhe uma nota de protesto formal, na sequência do ataque com drone a um autocarro que transportava uma equipa juvenil de futebol bielorrussa em território russo. O presidente Alexander Lukashenko qualificou o incidente como uma “provocação” e um “ato de fascismo aberto”, afirmou que o aparelho era de fabrico ucraniano, mas evitou atribuir culpas diretas a Kiev, pedindo antes uma “resposta honesta”. Em paralelo, determinou a proibição de viagens ao estrangeiro de grupos de menores sem autorização e supervisão estatal, recomendando que as crianças “fiquem em casa, num país tranquilo”. O Conselho de Representantes Permanentes da Comunidade de Estados Independentes (CEI) agendou uma reunião extraordinária para 19 de junho, por iniciativa de Minsk, para debater o que classifica como um ato terrorista contra civis bielorrussos.
O autocarro seguia de Rechitsa, na região de Gomel, para Gelendzhik, no sul da Rússia, com 44 passageiros a bordo, 28 dos quais adolescentes da escola desportiva local. O impacto do drone, ocorrido a 17 de junho na estrada A240 na região de Bryansk, matou uma mulher que acompanhava a equipa — a esposa do treinador, que estava grávida — e feriu oito pessoas, incluindo seis menores. Tanto a Rússia como a Bielorrússia abriram investigações por terrorismo. O Comité de Investigação russo recolheu fragmentos da fuselagem, componentes eletrónicos e elementos explosivos do engenho, e interrogou 41 vítimas. Os feridos foram posteriormente transferidos para hospitais em Minsk e Gomel, após um consílio médico conjunto, e Lukashenko agradeceu a assistência russa, mas insistiu que “os nossos filhos devem ser tratados por nós”.
As narrativas divergem radicalmente. Na perspetiva de Moscovo, trata-se de um crime terrorista deliberado das forças ucranianas, com a cumplicidade do Ocidente, que fornece armamento e sistemas de pontaria sem condenar o sucedido. O presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, afirmou que os líderes europeus são tão culpados como Kiev. Minsk mantém um tom cauteloso mas firme: Lukashenko reconheceu que a fronteira sul “arde como nunca” e que é preciso reforçar a segurança, mas sublinhou que não se apressa a tirar conclusões definitivas. Já Kiev nega qualquer envolvimento. O Serviço de Segurança da Ucrânia divulgou um documento russo intercetado que, alega, prova a ausência de drones ucranianos na zona, classificando o ataque como uma “operação dos serviços especiais russos”. O provedor de direitos humanos ucraniano insistiu que as forças de Kiev nunca atacam alvos civis.
Observadores em Brasília notam que o incidente, embora distante geograficamente, insere-se num padrão de alastramento da conflitualidade que pode afetar a estabilidade dos mercados globais de alimentos e energia, com impacto indireto sobre o agronegócio brasileiro. Em Lisboa, fontes diplomáticas acompanham com preocupação a escalada junto ao flanco leste da NATO, mas a União Europeia não emitiu uma reação imediata, refletindo a cautela ocidental perante um episódio de autoria contestada. Para os países africanos de língua oficial portuguesa, tradicionalmente não alinhados, o caso ilustra os riscos de uma guerra que extravasa fronteiras e instrumentaliza narrativas contraditórias.
A reunião extraordinária da CEI deverá produzir uma condenação política, mas sem mecanismos de verificação independente, a verdade factual permanecerá disputada. A proibição de viagens de menores decretada por Lukashenko sinaliza um endurecimento do controlo estatal e uma tentativa de blindar a população face a um conflito que, nas suas palavras, já está “do outro lado da cerca, e por vezes mais perto”. O episódio sublinha como a guerra na Ucrânia continua a alastrar-se em ondas de choque diplomáticas, humanitárias e securitárias, arrastando Estados vizinhos para um dilema de segurança cada vez mais agudo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Rússia e Bielorrússia denunciam um ataque terrorista ucraniano com drone contra um ônibus que transportava 44 passageiros, incluindo 28 crianças bielorrussas, na região de Briansk. Minsk convocou urgentemente os representantes permanentes da CEI, entregou uma nota de protesto ao encarregado de negócios ucraniano e exigiu condenação internacional. O incidente é retratado como uma provocação deliberada para arrastar a Bielorrússia para a guerra, com líderes acusando o Ocidente de cumplicidade ao armar Kiev.
A Ucrânia nega envolvimento no ataque ao ônibus que transportava uma equipe juvenil bielorrussa, enquanto o líder autoritário Lukashenko fala em provocação para arrastar Minsk para a guerra. As reportagens observam que o incidente ocorreu em solo russo e que as narrativas oficiais de Moscou e Minsk são recebidas com ceticismo. O episódio se desenrola em meio a acusações mútuas, sem verificação independente.
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