
Aliados da NATO anunciam 50 mil milhões de dólares para novo míssil de precisão
Liderada pelo Reino Unido, a coligação de 12 países pretende reforçar a dissuasão europeia face à Rússia, com um sistema que só estará operacional na próxima década.
Doze países da NATO, encabeçados pelo Reino Unido, comprometeram-se a investir mais de 50 mil milhões de dólares (cerca de 37 mil milhões de libras) ao longo da próxima década no desenvolvimento de um novo sistema de mísseis de precisão de longo alcance, batizado como Deep Precision Strike (Ataque de Precisão em Profundidade). O anúncio foi feito pelo gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o projeto será formalmente debatido esta quarta-feira durante a cimeira da Aliança em Ancara, na Turquia. Concebido para atingir alvos a 300 quilómetros com elevada exatidão — e, em versões futuras, até dois mil quilómetros —, o sistema não deverá entrar em serviço antes da década de 2030.
Na perspetiva de Londres, a iniciativa visa reforçar o pilar europeu da NATO e enviar um sinal de dissuasão a Moscovo. A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, afirmou que a nova capacidade permitirá “atingir alvos militares de alto valor e as cadeias logísticas que movem exércitos”, e classificou o projeto como uma mensagem clara ao Presidente russo, Vladimir Putin, de que a NATO está “mais forte e mais europeia”. O primeiro-ministro Starmer, que participa na sua última cimeira como chefe de governo, sublinhou a necessidade de “dar um passo em frente para construir uma NATO mais forte e mais europeia”. A administração norte-americana, contudo, mantém pressão sobre os aliados para que aumentem a despesa militar. O Presidente Donald Trump deverá criticar a ausência de um plano britânico para atingir a meta de 3,5% do PIB em defesa até 2035, acordada pela maioria dos membros no ano passado, enquanto o Pentágono revê a presença de tropas dos EUA na Europa.
O programa insere-se num esforço europeu mais amplo para desenvolver capacidades autónomas de ataque de precisão, reduzindo a dependência de sistemas norte-americanos, num momento de incerteza sobre o compromisso de Washington com a segurança do continente. A decisão surge num contexto de aumento da atividade militar russa nas proximidades do espaço aéreo e marítimo da Aliança: segundo o governo britânico, os caças da NATO foram acionados mais de 700 vezes para intercetar aeronaves russas e a presença naval russa em águas próximas do Reino Unido cresceu 30%. O Kremlin, através do porta-voz Dmitri Peskov, declarou que acompanhará a cimeira e que nenhuma nova arma fornecida à Ucrânia impedirá a Rússia de prosseguir a sua operação militar até alcançar os seus objetivos.
A cimeira de Ancara decorre também sob o signo dos apelos de Kiev por mais sistemas de defesa aérea. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursou na terça-feira pedindo o envio urgente desses equipamentos para fazer face à intensificação dos ataques russos. O Reino Unido já aprovou um Plano de Investimento na Defesa que prevê 300 mil milhões de libras até 2030, e a meta de 5% do PIB para defesa e segurança até 2035 continua a ser debatida entre os aliados. O projeto Deep Precision Strike será discutido numa reunião à margem da cimeira, com a participação de cerca de uma dezena de líderes, mas a sua concretização plena só se materializará na próxima década, dependendo da evolução do quadro de segurança europeu e da coesão transatlântica.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | +0.60 | aligned |
| Imprensa chinesa | −0.30 | critical |
A Rússia denuncia a escalada militar da OTAN e adverte que o projeto de mísseis é uma ameaça direta à sua segurança.
A notícia é enquadrada como um ato agressivo da OTAN, usando a citação direta de enviar um sinal a Putin para criar um senso de ameaça iminente.
Omite o contexto da agressão russa que motivou o projeto, apresentando-o como não provocado.
A Europa se une sob a liderança britânica para fortalecer sua defesa, mostrando determinação e unidade diante dos desafios.
A narrativa enfatiza a liderança britânica e a necessidade de defesa, apresentando o projeto como uma resposta lógica e inevitável às ameaças.
Omite as críticas internas da OTAN sobre as metas de gastos com defesa, apresentando uma frente unida.
A China monitora com preocupação a escalada militar da OTAN, alertando que ela mina a confiança mútua e a segurança global.
A notícia é enquadrada como um movimento estratégico em um jogo de poder, usando o termo '出招' para sugerir uma ação calculada e provocativa.
Omite a lógica defensiva e as ameaças específicas da Rússia que motivaram o projeto.
Amplie o olhar
Trump dissolve cúpula da comissão eleitoral dos EUA a meses das midterms
8 idiomas · 23 veículos
De Economy & MarketsReceitas fiscais disparam em economias emergentes, mas trajetória da dívida segue como ponto de atenção
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyOpenAI lança agente de trabalho e novos modelos de IA após aval do governo dos EUA
8 idiomas · 15 veículos